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Peixes palhaço e anêmonas

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No artigo anterior ( https://ricardomiozzo.wordpress.com/2010/10/31/anemonas-e-peixes-palhaco/ ) conhecemos as anêmonas que se relacionam com peixes palhaço.

Neste, os peixes palhaço que se relacionam simbioticamente com elas no ambiente natural e no aquário.

Curiosamente, em aquários alguns peixes palhaço adotam mais anêmonas como lar do que no ambiente natural.

Isso demonstra a excepcional capacidade adaptativa desses animais.

Espécies e comportamento

Existem 28 espécies de palhaços reconhecidas pela Taxonomia, e a autora Joyce Wilkerson (1990) as coloca em grupos ou complexos.

"Long tentacle" abrigando casal de A. ocellaris em aquário

 

Esse agrupamento de espécies por tipos é interessante e útil, pois realmente existem claros níveis de parentesco muito próximo entre as espécies. Peixes palhaço são aparentados às donzelas, e todos pertencem aos Pomacentrídeos.

Uma das suas características das “donzelas” é  a agressividade e forte senso de território. As donzelas propriamente ditas costumam ser bem mais agressivas do que peixes palhaço. Para elas, o tamanho de um ser humano parece não afetar em nada a decisão de atacar o invasor ferrenhamente. 

Palhaços não são tão agressivos quanto as donzelas, pois seu senso de território parece engloba apenas o espaço imediatamente em torno da anêmona (cerca de um metro ao redor da anêmona); quando nos aproximamos deles, tendem a se refugiar profundamente entre os tentáculos da anêmona, comportando-se de forma bem diferente das donzelas.

Palhaços, assim como donzelas e Chromis spp., formam ninhos onde colocam seus ovos. O par fértil do grupo cuida muito atentamente dos ovos, e defende-os ferozmente. Os palhaços têm uma organização muito prática de grupo; numa anêmona, geralmente encontra-se um palhaço maior que os outros todos; é a fêmea fértil, responsável pela postura dos ovos.

A. percula em anêmona "Long tentacle" de coloração roxa em aquário

Normalmente, junto dela existe um palhaço bem menor, que é o macho fértil, reprodutor que fertiliza os ovos. A fêmea parece apenas suportar a presença desse macho por conhecer sua utilidade reprodutiva; ele, inclusive, é mantido pequeno e submisso por conta de safanões, bicadas e afastamentos aplicados pela fêmea toda vez que o considera exagerando em qualquer atitude.

Sem que seja danoso para sua saúde a longo prazo, o macho é mantido assim por questão de conveniência. Crescendo demais, a chance de que se transforme em fêmea é razoável. A existência de duas fêmeas numa mesma anêmona não é suportada pela dominante.

Na falta desta, o macho maior se transformará em fêmea fértil em apenas alguns dias. O maior palhacinho do grupo secundário da anêmona passará a ser aceito por essa nova fêmea, e assim se restabelece o grupo, assegurando a perpetuação da espécie.

Todos os palhaços, portanto, nascem machos. São mantidos assim por se alimentar de restos do par principal, e principalmente por serem apenas raramente aceitos pelo casal entre os tentáculos da anêmona; na maior parte do tempo, têm que se contentar em ficar em torno da base do invertebrado.

Esse local é bem menos seguro do que o espaço em que fica o casal, de forma que a vida de um palhacinho do grupo infértil é dura. Devido a esse interessante sinal de adaptação, não se pode assegurar que um palhaço capturado seja jovem; naturalmente um exemplar grande será uma fêmea. Palhaços pequenos, no entanto, podem ser adultos férteis ou não, bastando observar sua coloração. Em algumas espécies o juvenil apresenta coloração diferente do adulto.

Mas, baseando-nos apenas nisso, é impossível determinar se um espécime tem um, dois ou mais anos de vida. Por causa disso, é recomendável palhaços sejam comprados apenas em fase juvenil. Pequenos palhaços são ofertados aos milhares em todos os importadores. Criadores desse peixes também costumam ofertá-los em quantidade e qualidade muto boa atualmente.

Entacmaea quadricolor abrigando em aquário uma variedade "panda" de A. ocellaris criada em cativeiro

Os palhacinhos são, talvez, o maior sucesso do aquarismo marinho, e razão da montagem de muitos aquários. A disponibilidade de animais criados em cativeiro nos dias atuais dispensa a aquisição de casais formados de peixes palhaço selvagens. A possibilidade de comprar um casal fértil selvagem apresenta certa pressão sobre a espécie no ambiente natural.

Devido a essa preocupação, várias empresas ao redor do mundo e no Brasil desenvolveram técnicas apropriadas de reprodução em cativeiro, e hoje oferecem peixes de excelente qualidade. As últimas novidades do mercado são espécimes raros e/ou desenvolvidos por cruzamento em criatórios, o que torna o hobby ainda mais rico e interessante.

Há mais de 30 anos se cria palhaços em cativeiro. No início, o tipo do animal era geralmente bastante desvirtuado. Palhaços completamente fora do padrão da espécie eram comuns, talvez pela excessiva consangüinidade. Hoje, no entanto, isso é passado; atualmente pode-se comprar palhaços absolutamente perfeitos em tipagem e coloração.

Os complexos de espécies Palhaços compõem 28 espécies. A. leucockranos foi reclassificado como um híbrido e não espécie propriamente dita. Normalmente há mudanças como essa na classificação, e neste artifgo foi adotada a que consta em Joyce Wilkerson, publicada em 1990.

Complexos e grupos

 Existem agrupamentos na classificação pois as espécies são interrelacionadas. Os complexos são; Percula, com duas espécies, Tomate, com cinco, Skunk, com seis, Clarkii, com onze, Saddleback, com três e Maroon, com uma.

O complexo Percula contém Amphiprion percula e A. ocellaris.

A. ocellaris selvagem

Ocorrem em colorações que vão do laranja forte ao amarelo alaranjado. Adultos crescem até 8 centímetros de comprimento, sem contar a cauda. A. percula e A. ocellaris são freqüentemente confundidos, mas há certas diferenças visíveis; percula tem geralmente listras negras mais grossas, de contornos menos definidos, e ocellaris possui na cauda um ocelo claramente observável. A cauda de A. percula não forma o ocelo, mas uma estrutura ovalada que interrrompe a cor da última listra negra. Associam-se a anêmonas com certa dificuldade, sendo que as mais prováveis são anêmonas importadas carpete e H. magnífica – por coincidência as mesmas a que se ligam no mar. São animais fáceis de manter e muito vorazes; aceitam bem artêmia salina, que ajuda a manter sua coloração bem vívida, e também alimentos preparados, flocos e peletizados. A. percula costuma ser mais delicado; às vezes ocorrem mortes súbitas mesmo em indivíduos antigos em aquários. A razão parece ser uma maior propensão a doenças de fundo bacteriológico.

Os “tomates” compõem 5 espécies; A. frenatus, A. melanopus, A. rubrocinctus, A. ephippium e A. mccullochi, este último muito raro em lojas. São peixes que chegam a 11 centímetros de comprimento, e costumam ser bastante agressivos.

Amphiprion frenatus

 

Variam de coloração laranja avermelhada forte até o preto total (A. mccullochi), com aspecto corporal arredondado e apenas uma lista vertical branca após o olho, antes do opérculo. Muito popular entre aquaristas, o tomatinho é muito resistente. Aceita rapidamente flocos e outros alimentos. Atacam-se mutuamente mesmo quando jovens, demonstrando sua natureza belicosa desde cedo. Após a colocação de um tomate no aquário, é raro poder-se colocar outro palhaço, mesmo que seja um outro tomate. Crescem rápido e atingem maturidade em menos de um ano. Postura de ovos em cativeiro é fato comum.

O complexo Skunk é composto de muitas espécies; A. akallopisos, A. perideraion, A. sandaracinos, A. nigripes, A. leucokranos (provável híbrido, e não espécie) e A. thiellei.

Na ausência de anêmona no aquário, é muito comum a associação de um peixe palhaço a outro invertebrado, como neste caso um espécime de A. ocellaris junto a uma T. derasa

A característica mais marcante dos componentes deste complexo é uma lista branca que corre por todo o dorso do peixe; vai geralmente desde o focinho até a base da cauda. Chegam a 11 cm de comprimento. São animais ativos e resistentes, mas demonstram desde cedo boa dose de agressividade. O mais delicado é o pink skunk.

Amphiprion nigripes

Todos aceitam rapidamente alimento do aquarista. A coloração geral do corpo varia de laranja pálido até rosa pálido alaranjado. Possuem corpo relativamente alongado em relação aos anteriores, e não crescem tão rápido quanto tomates.

O complexo mais numeroso em espécies é o dos Clarkii. Composto por A. clarkii, A. akindynos, A. allardi, A. bicinctus, A. chagosensis, A. chrysopterus, A. omanensis, A. latifasciatus, A. chrysogaster, A. fuscocaudatus e A. tricinctus. Muitos são raros em lojas, como o interessantíssimo A. omanensis, que só ocorre em Oman. De todas as espécies de palhaços, este complexo apresenta a mais interessante diferença; tanto o macho quanto a fêmea atingem o mesmo tamanho. São peixes de coloração vívida que varia desde o amarelo com branco e preto até cor de laranja, preto total e amarelos de tons variados. Chegam a 11 cm de comprimento. São bastante agressivos; se nas outras espécies normalmente se encontra apenas um exemplar grande por aquário – a fêmea – neste complexo serão ao menos dois. Isso dobra a força bruta do par. Introduzir um peixe, esperar que cresça e colocar outro da mesma espécie é um erro comum e às vezes fatal com essas espécies. Talvez por confiar na capacidade da dupla, são palhaços que nadam muito para os parâmetros da família; costumam patrulhar o aquário todo, afastando-se bastante de sua anêmona. Todo cuidado é pouco com aquários pequenos e mais do que uma espécie de palhaço, quando se tem um exemplar destas espécies.

O complexo saddleback é composto de A. polymnus, A. latezonatus e A. sebae. A. sebae, apesar de sua aparente semelhança com o complexo anterior, tem muito mais a ver com este. São peixes que chegam a 12 cm de comprimento. São extremamente agressivos e ativos. Um par de A. polymnus não raramente ataca todo e qualquer peixe, independente de tamanho, que chegar a menos de 20 ou 30 cm de sua anêmona. Sua forte mordida, decorrente de sua dimensão avantajada, tira pedaços de barbatanas e nadadeiras de outros peixes.

Ampriprion polymnus

Difícil de formar pares, é muito comum observar-se a morte de um pelo outro quando se tenta parear dois espécimes. São peixes de corpo acentuadamente alongado, que varia de fundo branco ou amarelo forte até apenas branco com preto. Importante notar que, talvez por sua agressividade, são também muito desconfiados, mais que qualquer outras espécies de palhaços. 

Amphiprion clarkii

O último complexo é o dos maroons. Existe apenas uma espécie, Premnas biaculeatus, em duas formas diferentes; uma tem as litras do corpo amarelas, meio douradas. A outra apresenta riscas brancas. marrons são tão diferentes dos outros palhaços que não foram classificados como Amphiprion, mas Premnas. A diferença fundamental é o espinho que apresentam na base de cada opérculo.

Este palhaço é o mais belicoso dentre todos; atinge grandes proporções, chegando a 13 centímetros. Em muitos casos, adota corais como hospedeiros e esfrega-se tão violentamente no invertebrado que acaba por romper seus tecidos moles e matá-lo. Sua personalidade forte, no entanto, aliada a sua coloração e formato atraentes, faz deste peixe um grande sucesso entre aquaristas.

Premnas biaculeatus "golden"

Peixes palhaço possuem ainda a facilidade de possuir territórios relativamente pequenos, chegando geralmente apenas ao entorno de sua anêmona, tornando praticamente qualquer aquário um lar em potencial.

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Anêmonas e peixes-palhaço

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A popularidade dos peixes-palhaço é incontestável. Somado a esse fato, o desenvolvimento de técnicas de reprodução de peixes em cativeiro vêm tornando muitas espécies de peixes-palhaço mais e mais interessantes para todos os aquaristas.

Um casal de "palhacinhos" numa anemona "carpet"

Um dos relacionamentos mais interessantes da Natureza pode ser replicado em aquários com relativa facilidade.

A visão de um ou mais “palhacinhos” em simbiose com uma anêmona é intrigante e magnética.

Neste artigo, serão citadas as mais importantes necessidades desses animais, maneiras de mantê-los e algo de seu comportamento.

 

 

 

Anêmonas

 São aparentadas dos “corais duros”. Constituídas de corpo mole e geralmente pegajoso, podem se parecer com corais moles, mas têm pouco ou quase nada a ver com eles. Pertencem ao filo Cnidaria (Coelenterata) e produzem nematocistos (estruturas urticantes).

Possuem uma única cavidade corporal, que lhes serve ao mesmo tempo de boca, ânus, pulmão, estômago, intestino e sistema circulatório. Existe apenas uma única abertura nessa cavidade, comumente chamada de boca, por onde passam o alimento, os dejetos, a água e os gametas que produz.

A boca é cercada de tentáculos de formato filamentar, tipicamente carregados de nematocistos. Essas estruturas servem primordialmente para a captura de presas com que se alimenta. Sua defesa também conta principalmente com eles. Toda anêmona possui um pé que lhe permite se mover e fixar ao substrato escolhido. Sue estrutura geralmente opõe o pé à boca, de forma que esta sempre está voltada para a corrente de água a fim de possibilitar captura de alimento.

Dois espécimes de Entacmaea quadricolor

As anêmonas que farão parte deste artigo são justamente as que abrigam peixes palhaço, e curiosamente são bem pouco aparentadas entre si.

Existem três famílias que possuem anêmonas simbiontes de palhaços; Entacmea e Macrodactyla fazem parte da maior delas, a Actiniidae.

Stichodactylidae abriga Heteractis e Stichodactyla, e finalmente Thalassinthidae, que abriga Cryptodendrum. Como e porquê gêneros tão diferentes abrigam palhaços permanece um mistério.

Provavelmente, ocorreu uma adaptação entre esses animais de maneira que ambos se ajudam mutuamente na defesa contra predadores; a mesma solução biológica encontrada por todos não passa de coincidência. A razão de nem todas as espécies de anêmonas abrigarem palhaços na Natureza é um mistério.

Por outro lado, observamos que palhaços sem sua anêmona “natural” em aquários adotam muitos tipos de animais como “lar”, inclusive anêmonas Condylactus e corais duros ou moles. O palhaço parece ter uma atração natural por se abrigar entre tentáculos de invertebrados, pois mesmo peixes criados em cativeiro, sem nunca ter tido contato com anêmonas, adotam esse comportamento.

Um casal de Premnas biaculeatus em anêmona Entacmaea quadricolor

Anêmonas são animais incrivelmente simples anatomicamente. Possuem, por outro lado, todo o equipamento natural para que sejam um tremendo sucesso biológico; podem se mover por conta própria a fim de procurar um lugar favorável em seu ambiente, se defendem por intermédio de seus nematocistos (que também as ajudam a se alimentar), possuem a habilidade de se encolher rapidamente, de maneira que  “desaparecem” para se proteger, e crescem em velocidade impressionante quando as condições favorecem.

As anêmonas simbiontes de palhaços são extremamente longevas; indicíduos com idade estimada em 300 anos são menos incomuns do que se imagina (Fautin, 1990). Grandes “campos” de anêmonas nos recifes de corais de diversos locais ao redor do mundo demonstram que esses animais são capazes de se multiplicar por divisão corporal, expediente reprodutivo extremamente eficaz sob o ponto de vista energético.

Produzir gametas é, para qualquer tipo de ser, tarefa energeticamente cara, sendo a divisão uma solução rápida e eficaz para perpetuar a espécie. A reprodução sexuada, por intermédio de gametas, se dá em conjuto com a dos corais, seguindo sua sazonalidade típica; na época de reprodução dos outros invertebrados nos recifes de corais, as anêmonas liberam seus gametas.

Existem indivíduos machos e fêmeas. A definição de sexo ocorre na idade de maturação do animal e as razões que direcionam essa orientação são pouco compreendidas. Curiosamente, num agrupamento de anêmonas, há grande equilíbrio entre os gêneros sexuais. Muito interessante notar que é muito difícil observar-se anêmonas pequenas, ou em fase pós larval nos recifes. Isso leva os cientistas a crer que a reprodução sexuada é extremamente pouco eficaz. Em algumas espécies pode haver incubação interna das larvas pela fêmea, que liberaria pequenas anêmonas jovens.

Isso é típico de animais muito longevos, pois a baixa taxa de fertilidade efetiva seria compensada pela idade que cada animal é capaz de atingir. A capacidade de defender-se e capturar alimento por intermédio dos nematocistos foi determinante na história biológica desses animais. O nematocisto é uma estrutura fabricada no interior da célula da anêmona, e se concentra partilularmente nos seus tentáculos. Existem nematocistos internos, localizados junto à estrutura digestiva do animal, onde são determinantes para a efetivação da digestão. A estrutura do nematocisto é composta de uma cápsula quer contém um túbulo em forma de arpão várias vezes mais longo do que a cápsula. Quando a cápsula é estimulada a disparar, o túbulo é lançado, evertendo a cápsula e perfurando ou envolvendo o alvo. Existem mais de 30 tipos de nematocistos, e provavelmente todos contém toxinas, que são injetadas na vítima pelo túbulo.

Um belo espécima de anêmona "carpet"

A maior questão sempre foi a capacidade do palhaço de não ser ferido por essas estruturas. A anêmona tem grande capacidade de resolver se dispara ou não ou nematocistos, em uma combinação química e física que determina a presença de inimigos. Como ela faz para definir o palhaço como não-agressor é um mistério. A aproximação do peixe é típica em todas as espécies; avistada a anêmona, o peixe parece saber o que ela representa, tanto na figura de um excelente abrigo quanto de ameaça mortal.

Peixes palhaço que inadvertidamente se aninham entre os tentáculos de anêmonas com muita rapidez, assim que as vêem, normalmente são mortalmente feridos. O que se observa mais comumente, porém, é uma interessante dança de apresentação do peixe para sua futura “casa”; aproximando-se cuidadosamente da anêmona, o palhaço primeiro a toca muito rápida e gentilmente com o focinho e/ou a cauda. Sempre chegando perto da anêmona pela vizinhança de sua base (em que não há nematocistos), ele “esbarra” nela e se distancia, nadando com velocidade. Os contatos vão se tornando mais longos, e em determinado momento o palhaço pode ser visto entre os tentáculos da anêmona. O comportamento de aproximação pode durar de algumas horas a alguns dias, e o palhaço aparenta grande ansiedade durante esse período. Por esse comportamento ser típico até com palhaços criados em cativeiro, é de se especular que o peixe adquire aos poucos a imunidade aos nematocistos da anêmona. Rápidos movimentos de tremor do palhaço após o toque demonstram que a “entrada” na anêmona não é uma coisa totalmente confortável. Parece que, de vez em quando, o palhaço tem pressa em acabar logo com essa fase, mas se queima se for precipitado. A aproximação paulatina é bem segura, no entanto, e parece ter a ver com o muco dos dois animais. De alguma maneira o peixe é capaz de se imunizar em relação aos nematocistos, evitando seu disparo e se tornando parte da anêmona, até onde ela compreende isso. O fato é que, num primeiro momento, a associação parece ser muito mais benéfica para o peixe; o abrigo oferecido por um animal muito maior que ele, que apresenta defesa tão formidável, é algo a se considerar.

Por outro lado, palhaços – que são Pomacentrídeos (mesma fámília das “donzelas”) – defendem suas anêmonas ferozmente, e muitos são vistos “guardando” alimento entre seus tentáculos. Se o palhaço apenas tenta armazenar alimento na anêmona ou intencionalmente a alimenta permanece questão de debate, mas ele faz isso sempre.

As atitudes do palhaço firmemente demonstram que a simbiose entre os dois animais é benéfica a ambos. O palhaço defende seu território, que é principalmente sua anêmona, e ainda a alimenta. Observações de campo sugerem que anêmonas desprovidas de seus palhaços são rapidamente atacadas por predadores, ao mesmo tempo que palhaços cujas anêmonas são retiradas também ficam à mercê de predadores, tornando a necessidade de um pelo outro muito acentuada.

Em aquários, é possível manter um sem o outro, mas no ambiente natural isso parece impossível. É raríssimo ver-se anêmonas sem seus palhaços, assim como avistar palhaços sem suas respectivas anêmonas.

Uma vez “dentro” da anêmona, raramente o peixe se distancia dela mais do que um metro. As incursões também são feitas só quando o peixe sente segurança. De qualquer forma, os passeios são raros. Anêmonas “fechadas”, quase totalmente contraídas, podem ser vistas com seus palhaços imersos. O peixe acompanha a retração de tecido da anêmona, e praticamente desaparece junto de seus tentáculos. O relacionamento entre eles parece não ter mais retorno possível; nos mares, um não é mais capaz de viver sem o outro.

Como comprar

Nunca adquirir anêmonas que estejam com a “boca” aberta. Animais saudáveis nunca se apresentam assim. A boca deve estar fechada e o disco oral aberto e com coloração firme. Não pode estar saindo nada pela boca da anêmona; muco, alimento ou mesmo a parte interna da anêmona. O pé deve estar sempre ligado a algum substrato firme. se a anêmona estiver solta, girando e dando cambalhotas pelo aquário da loja, deve ser evitada.

Um dos sinais de que a anêmona tem boa capacidade de se manter em ordem é a condição de seu pé. Podendo grudar-se a algo, ela tem mais chance de estar com o pé intacto e sem ferimentos. Pé machucado pode levar o animal à morte, e é por aí que a anêmona sofre as maiores atrocidades; no mar, está firmemente agarrada a algo pelo pé. Se for coletada de maneira inapropriada, um ferimento pode surgir e infeccionar, levando o animal à morte quase inevitável.

Anêmonas que apresentem rasgos no disco oral devem ser imediatamente desconsideradas. Qualquer anêmona de palhaço é igual ou mais difícil do que qualquer coral em relação a manutenção e requisitos em aquários. 

Anêmonas são animais delicados e requerem muita luz e condição de água “limpíssima”. O maior crime cometido contra anêmonas é uma prática antiga e hoje mais rara do que até alguns anos atrás. A prática consiste em coletar anêmonas de coloração pouco interessante e tingí-las. Anêmonas amarelo-claras de tonalidade muito esmaecida normalmente são animais verdes que estão perdendo zooxanthellae e devem ser evitadas.

Como introduzir no aquário

Muitas anêmonas se dão muito bem em substrato de areia, portanto soltá-las gentilmente (sem rede) – junto ao fundo do aquário é o melhor a fazer. Manusear o mínimo possível mas com calma é imperativo, sendo que nesse processo pode-se observar a condição geral do pé do animal. Todas as anêmonas são capazes de andar, e muito provavelmente o farão assim que colocadas no aquário.

Não se deve insistir em que a anêmona fique no local escolhido pelo aquarista. Ela vai escolher o local para se fixar, e a nós basta apenas respeitar sua escolha. Anêmonas muito manuseadas podem ser machucadas, e possuem massa corpórea relativamente grande para tornar qualquer aquário um poço de meleca, se vierem a morrer. 

Não se deve mexer na anêmona nem cutucá-la ou empurrá-la de um lado para o outro do aquário.

As espécies que precisam de mais luz e corrente d’água – condições geralmente encontradas mais perto da superfície – galgarão as rochas até atingir o local apropriado. É importantíssimo aclimatar a anêmona lentamente, por cerca de 40 minutos a uma hora.

Composto fundamentalmente de água, é necessário dar ao animal tempo de “trocar” sua água com a do aquário.

Alimentação

 Todas as anêmonas citadas neste artigo podem ser alimentadas, apesar de possuírem algas simbiontes (Zooxanthellae). Pedaços pequenos de camarão, lula, peixe e outros ítens marinhos, assim como peixinhos inteiros são muito apreciados. A freqüência da alimentação é fundamental; anêmonas possuem metabolismo ditado pela temperatura da água.

Alimentá-las uma ou no máximo duas vezes por semana, com pequenos pedaços de comida de cada vez, é melhor do que dar um camarão inteiro uma vez por mês.

Anêmonas superalimentadas podem apodrecer e morrer, pois são incapazes de digerir muita comida de uma vez só.

Devem ser alimentadas com pequenas quantidades, de cada vez. Anêmonas recém introduzidas no aquário se adaptam devagar e não devem ser alimentadas imediatamente.

Heteractis magnifica no ambiente natural com A. ocellaris

 

Espécies

Das dez espécies mais comumente importadas – pois todas são originárias da região do Indo-Pacífico e Mar Vermelho, algumas são bem fáceis de se manter em aquários, enquanto ao menos uma é uma verdadeira charada.

Todas, sem exceção, abrigam algas simbioentes (Zooxanthellae).

Cryptodendrum adhaesivum

Descrita em 1877, é raramente importada e sempre confundida com “carpet”. Nos EUA, é chamada de “pizza anêmone” por ter as bordas de cor geralmente diferente do disco oral. É extremamente “grudenta” ao toque, possui tentáculos curtos, sendo que os mais próximos à boca são ramificados, e os mais próximos da borda são não ramificados e bem mais curtos. Os da borda são de cor diferente dos outros, tornando assim fácil identificar essa espécie. Cresce até cerca de 30 cm de diâmetro. Pode ser verde com rosa, amarela com verde, fúcsia com amarelo, branca com rosa ou verde e várias outras combinações de duas cores (uma no miolo e outra na borda). Encontrada desde o Mar Vermelho até a Melanésia e Micronésia a leste, e do sul do Japão ao norte da Austrália, passando por Maldivas, Tailândia e Polinésia. Costuma alojar-se no fundo de areia, mas pode ser encontrada ligada à rocha. Gosta de muita luz e correntes intermitentes e fortes de água. Geralmente, é encontrada em forma solitária. Dificilmente se divide. Aceita alimento do aquarista, e na Natureza aparentemente se aproveita também de fitoplâncto, além de zooplâncto. Abriga poucas espécies de peixes palhaço, talvez por ser tão carregada de nematocistos em formas extremamente urticantes; são encontradas em simbiose com A. clarkii (Sebae clown) no mar, e em aquários acabam “aceitando” A. frenatus (Tomato) e P. biaculeatus (Maroon).

Entacmaea quadricolor

Descrita em 1828, é sempre importada sob diversos nomes comuns. Talvez seja a anêmona que pode ser encontrada com a maior variedade de espécies de palhaços. Tem a característica de, sob certas condições ainda misteriosas, formar perto das pontas dos tentáculos protuberâncias em forma de bulbos. Quando recém importada raramente forma bulbos, e pode ser confundida com outras espécies. Possui tentáculos longos, que atingem entre 10 e 12 cm de comprimento. É a única espécie de anêmona que se associa a palhaços que tem a coluna sem verrugas e também a única que cria os bulbos nos tentáculos. Pode ser rosada ou esverdeada, mas normalmente é marrom. A formação dos bulbos já foi tida como sinal de boa saúde da anêmona, mas isso parece ser apenas indício, e não certeza. Muito curiosamente, ela intercala períodos de tentáculos com e sem bulbos. Às vezes, aparecem bulbos em alguns tentáculos e noutros não. É encontrada em simbiose com Amphiprion akindinos, A. allardi, A. bicinctus, A. chrysopterus, A. clarkii, A. ephippium, A. frenatus, A. mccullochi, A. melanopus, A. omanensis, A. rubrocinctus, A. tricinctus e Premnas biaculeatus. Normalmente presa a uma greta profunda na rocha, se mostra à medida em que é exposta à luz. Gosta de alimento oferecido pelo aquarista, aceitando bem artêmia salina, pedacinhos de peixe, camarão, lula, siri ou caranguejo, enfim; qualquer alimento, inclusive flocos. É talvez a anêmona de palhaço mais fácil de ser mantida em aquários.

Heteractis aurora

Raramente importada. Chega a 25 cm, com tentáculos entre 5 e 20 cm de comprimento. Normalmente marrom ou arroxeada, tem por característica principal a formação dos tentáculos; formados por aglomerações parecidas com bolinhas coladas umas às outras, de tons intercalados da mesma cor. Muito grudenta ao toque e, por conseqüência carregadíssima de nematocistos. Aparece sempre enterrada parcialmente em fundo de areia, e ocorre desde o Mar Vermelho até a Austrália, e do sul do arquipélago japonês (Is. Ryukyu) até o sul de Madagascar. Associa-se a Amphiprion akyndinos, A. allardi, A. bicinctus, A. chrysogaster, A. chrysopterus, A. clarkii e A. tricinctus. Não é muito fácil de manter em aquários.

Heteractis crispa

Possui tentáculos longos com até 12 cm de comprimento, de pontas rosas, malvas, azuis ou roxas. A coluna é provida de verrugas e quase sempre marrom em coloração. Possui muitos tentáculos, tendo sido contados até 800, e normalmente se enterra em substrato macio como areia ou lama. Raramente vive ligada a rochas ou corais. Ocorre desde o Mar Vermelho ao norte até o sul da Austrália, e até a Melanésia a leste. Abriga uma série de palhaços: Amphiprion akyndinos, A. bicinctus, A. chrysopterus, A. clarkii, A. ephippium, A. latezonatus, A. leucokranos, A. melanopus, A. omanensis, A. polymnus, A. percula, A. perideraion, A. sandaracinos e A. tricinctus. As verrugas da coluna a ajudam a grudar em pequenos pedaços de rocha enterrados no sedimento. É fácil de manter em aquários. Aceita vasta gama de alimentos, como H. aurora.

Entacmaea quadricolor em variedade "vermelha" - espécime muito procurado por aquaristas

Heteractis magnifica

 É a mais desejada e também a mais difícil anêmona de se manter em cativeiro. Sua atração maior é a coloração surpreendente, combinando cores de maneira incrível. A base pode ser rosa, roxa, azul, verde, vermelha ou laranja. Os tentáculos, geralmente de cor marrom, verde, roxa, branca, amarela ou beije, de pontas de cor ainda diferente da base ou dos tentáculos. É realmente muito difícil de manter, e demanda altos preços nas lojas. Ocorre desde o Mar Vermelho até o sul da África, passando por Is. Maldivas, Indonésia e Malásia, atingindo a Polinésia Francesa a leste. Quase sempre encontrada ligada firmemente a rochas, em locais de forte exposição à luz e correnteza de água. Os tentáculos são muito numerosos, de comprimento entre 5 e 8 cm, formando um disco oral que pode atingir um metro de diâmetro. Normalmente, porém, é vista com 30 a 50 cm de diâmetro. Associa-se a A. akallopisos, A. akindynos, A. bicinctus, A. chysogaster, A. chrysopterus, A. clarkii, A. leucocranos, A. melanopus, A. nigripes, A. ocellaris, A. percula e A. perideraion. Costuma “queimar” seres humanos quando tocada, sendo portanto uma anêmona bem fornida de nematocistos. Cresce rápido e chega facilmente a ficar desproporcional em relação ao tamanho do aquário. Indicada apenas a aquaristas muito experientes. Costuma galgar as rochas do aquário até atingir seu topo, onde se posiciona em local em que receba muita luz e correnteza de água. Se colocada em aquário com pouca iluminação, desbota até ficar beije clara, e pode vir a morrer. Apenas alimento fornecido pelo aquarista parece não bastar. Sua maneira de se posicionar na rocha, completamente exposta, é única entre as anêmonas simbiontes de palhaços. É muito comum ver esse tipo de anêmona em pináculos de rocha.

Heteractis malu

Raramente importada, pequena em dimensões se comparada a outras anêmonas que abrigam palhaços. Associa-se apenas a Amphiprion clarkii, e habita desde o Hawaii até a Austrália, e ao norte até o Japão, passando por Indonésia e Filipinas. Possui tentáculos de cerca de 4 cm, com um anel de cor escura a meio caminho da ponta. Quase sempre é vista enterrada parcialmente na areia. Chega a 20 cm de diâmetro, e é de cor beije bem claro, quase branca. A coluna pode ter verrugas amarelas. Pode se enterrar completamente na areia quando ameaçada. Não é difícil de manter em aquários, e aceita bem alimentos dados pelo aquarista.

Macrodactyla doreensis

Possui relativamente poucos tentáculos no disco oral, geralmente da mesma cor do disco; são esverdeadas ou arroxeadas, sendo que indivíduos bem roxos são muito valorizados e raros. Muito “grudenta” ao toque, pode ser encontrada com a coluna enterrada na lama; possui base laranja, amarela ou vermelha. Aceita bem alimentos dados pelo aquarista e gosta de luz média a forte. Corrente de água intermitente fraca a média é mais bem aceita do que permanente e unidirecional. Habita águas rasas, até 5 metros de profundidade. A coluna apresenta verrugas pequenas, ovaladas e dispostas em linhas longitudinais. Anêmona muito encontrada sem peixe nenhum, associando-se apenas a A. chrysogaster, A. clarkii e A. perideraion. Cresce até 50 cm de diâmetro. É fácil de manter em aquários. Stichodactyla gigantea Possui tentáculos curtos, entre 1 e 1,5 cm, que sempre estão se mexendo. Vibram e se curvam para os lados, tornando a anêmona facilmente identificável. Freqüentemente importada sob o nome de anêmona carpete. Difícil de manter em aquários, por motivos vastamente debatidos; é facilmente atacada por bactérias. Indivíduos saudáveis, no entanto, se mostram bastante resistentes. Possui disco oral bastante ondulado, e pé geralmente grudado em um objeto qualquer submerso na areia. Pode, por outro lado, ser encontrada ligada ao recife, diretamente sobre as rochas. Chega a 50 cm de diâmetro. Pode ter a coluna azul, marrom, verde, amarelada ou rosada, e o disco oral da mesma cor da base. Abriga A. akindynos, A. bicinctus, A. clarkii, A. ocellaris, A. percula, A. perideraion e A. rubrocinctus. É muito grudenta ao toque, indicando ser a anêmona mais provida de nematocistos entre as que formam simbiose com peixes. Encontrada desde o Mar Vermelho até metade da costa oriental da Austrália ao sul, e sul do arquipélago japonês. Stichodactyla haddoni Chega a 80 cm de diâmetro e, à primeira vista, é difícil de distinguir de S. gigantea. Normalmente encontrada em fundo de areia. Tem colorações menos forte que S. gigantea, sendo normalmente verde pálido ou “sujo”, existindo porém uma variedade branca listada, muito interessante. Pode se esconder completamente na areia quando necessário; seus tentáculos grudam tanto que, quando aderem à pele humana, destacam-se do corpo do animal. Habita áreas rasas e possui tentáculos que não se movem e são mais longos que os de S. gigantea. Faz simbiose com A. akindinos, A. crhysogaster, A. chrysopterus, A. clarkii, A. polymnus e A. sebae. Possui verrugas bem pequenas e não adesivas na parte superior da coluna. Difícil de manter em cativeiro pelas mesmas razões que S. gigantea; viaja mal, ou é coletada sem cuidado.

Stichodactyla mertensii

É a verdadeira anêmona carpete gigante, chegando a até 1 metro de diâmetro. O disco oral é geralmente disposto em forma oval, e possui tentáculos curtos. Pode ser verde brilhante, amarela ou de tons mais sujos dessas cores. As pontas dos tentáculos podem ser claras. O pé e o disco oral são da mesma cor. Mais encontrada na rocha, firmemente presa pelo pé relativamente pequeno, retrai-se lentamente quando incomodada. É voraz e cresce rápido sob circusntâncias favoráveis. Não é fácil de manter em aquários; de uma hora para outra, mesmo quando aparentemente saudáveis, podem everter sua mesentérie e começar a morrer. Um sinal de que algo vai mal é quando os palhaços subitamente se afastam da anêmona, preferindo ficar longe dela. O pé é curto e sensível a cortes e manuseio inadequado. Abriga nos mares A. akallopisos, A. akindynos, A. allardi, A. chrysogaster, A. chrysopterus, A. clarkii, A. fuscocaudatus, A. latifasciatus, A. leucokranos, A. ocellaris, A sandaracinos e A. tricinctus.

Stichodactyla gigantea

Possui dobras e ondulações no disco oral. Os tentáculos se movem e parecem “vibrar” quando o animal se apresenta saudável. O disco oral é achatado. Em aquários pode se fixar no fundo, prendendo-se fortemente com o pé através do substrato deixando apenas o disco oral à vista. É relativamente delicada no transporte, mas depois de adaptada ao aquário, torna-se resistente e muito atraente ao olhar. Normalmente é encontrada de forma solitária no ambiente natural. Abriga Amphiprion akindynos, A. bicinctus, A. clarkii, A. ocellaris, A percula, A perideraion e A. rubrocinctus. Pode ser alimentada com pequenos pedaços de peixe, camarão e lula.

Stichodactyla haddoni

Ocorre mais comumente em fundos de areia no raso. Chega a 80 cm de diâmetro, é muito “grudenta” quando saudável. Os tentáculos são relativamente curtos em comparação com outras anêmonas “carpet”. Disco oral forma dobras. Apresenta cores muito atraentes, como verde e azul muito intensos. Coluna lisa e disco oral uniforme, com certo acúmulo maior de tentáculos perto das bordas. Abriga Amphiprion akindynos, A. chrysogaster, A. chrysopterus. A. clarkii, A. polymnus e A. sebae. Em aquários, A. ocellaris, A percula e A. allardi não têm problema em formar relaçã simbiótica com essa anêmona.

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