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Aclimatação e tratamentos para peixes marinhos

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Peixes marinhos recém importados podem apresentar problemas em relação à sua aclimatação e adaptação a aquários.

O intuito deste artigo é resolver alguns problemas a respeito de como aclimatar e eventualmente tratar peixes recém importados, adquiridos em lojas ou recebidos por outra via qualquer.

O mesmo procedimento aqui colocado pode ser levado a cabo pelo aquarista quando compra um peixe em qualquer loja. Basta apenas adequar os volumes de água considerados.

 Bateria” de lojas ou em casa

Normalmente, as lojas recebem peixes dos importadores.

Para manter seus animais em boa condição, deve-se ter em mente alguns pré-requisitos, considerando a natureza desses animais.

Para atingir um ponto razoável de manutenção, é necessário ter aquários de água salgada com algumas características.

São elas:

A água onde se soltarão os peixes após a aclimatação deve ter a melhor qualidade possível. Para tanto, é preferível que a água seja “nova”. Por água nova entenda-se água preparada com sal sintético e filtrada por osmose inversa ou água natural do mar previamente tratada com préfiltro micrônico e mínimo de três dias passando por filtro UV, e que tenha recebido menos do que três “cargas” de peixes. (Além disso: em que se tenha efetivado troca parcial de água mínimo de 50% a cada “carga” de peixes recebida.)

Ou seja; a cada vez que um determinado corpo de água recebe peixes, mesmo que perfeitamente aclimatados, ocorre na água liberação de diversos compostos líquidos e sólidos.

As tentativas de adaptação dos peixes ao alimento oferecido pelo lojista também concorrem para poluir a água.

Água transparente está longe de ser sinônimo de água limpa.

A água deve ter pH estável em torno de 8.0 e densidade de 1.020 a 1.025.

Os nitratos e fosfatos devem estar o mais baixos possível, e absolutamente não deve haver amônia/amônio ou nitritos detectáveis.

Deve haver excelente movimentação de água no aquário, pois isso ajuda a oxigenar a água e mantê-la estável em relação ao pH.

Devem existir compartimentos no aquário hospital ou bateria, a fim de proteger espécies de peixes que podem ser atacadas por outras( se houver mais do que um peixes sendo quarentenado ou tratado ao mesmo tempo).

O aquário deve ser meticulosamente limpo, de preferência todos os dias. Caso exista um compartimento de filtros inferior (sump), é necessário que também seja muito limpo.

A esse aquário, chamamos “bateria” (ou aquários hospital domésticos), termo que passaremos a utilizar a partir deste ponto.

Uma observação; lojas deveriam ter aquários hospital.

É muito melhor tratar peixes em aquário hospital em local reservado, com pouco movimento de pessoas para evitar ainda mais estresse a que o(s) peixe(s) já está(ão) sendo submetido(s) por conta da doença. 

As dimensões e quantidades de baterias podem afetar o resultado final, pois soltando-se peixes de uma mesma carga em mais do que uma bateria dilui o risco de apenas um peixe infectar todo os outros. O ideal é ter mais de uma bateria e, além delas, um aquário hospital.

A bateria precisa forçosamente ter um sistema de filtro “biológico” eficaz, pois recebe grande carga biológica de tempos em tempos. Passa  do estado de praticamente vazia a cheia de animais em apenas 24 horas, por isso o processamento de poluentes, sem que possa haver sobras ou picos de NH3/NH4 e NO2, tem que ser rápido e eficaz.

Deve-se usar potentes fracionadores de proteínas (skimmer) em baterias. Seu uso só traz vantagens, pois remove poluentes da água antes do processo de mineralização ocorrer, facilitando muito o trabalho do filtro biológico.

 Aclimatação

Aclimatação é o processo de tirar o peixe de sua embalagem e colocá-lo na bateria. Esse procedimento deve ser feito cuidadosamente e o sucesso com os peixes pode vir exatamente desse ponto.

Os peixes passam por longas viagens até chegarem às lojas, e isso afeta seu metabolismo e a própria água onde estão embalados. A melhor maneira de adaptá-los novamente às condições padrão da água do mar será relatada a seguir. São necessários alguns itens a fim de fazer esse serviço.

1 – Balde ou outro recipiente de plástico atóxico muito limpo

2 – Tamponador marinho pH 8.0

3 – Aquecedor de água com termostato

4 – Água doce filtrada por osmose inversa seguido ou não de deionisador

5 – Pequena bomba submersa ou compressor de ar

Antes dos peixes chegarem, uma quantidade de água deve ser preparada no balde, pois ali eles receberão um banho rápido. Por isso, antes do banho eles já estarão aclimatados à água da bateria.

Coloca-se a água no balde, liga-se o aquecedor para a mesma temperatura da  água da bateria e coloca-se a bomba ou compressor para trabalhar no recipiente. Adiciona-se tamponador até a água atingir o pH adequado.

Geralmente, pouco tamponador resolve o problema, pois a água do filtro de RO não possui dureza alguma. Deixar o balde/recipiente em local de fácil acesso, pois será usado imediatamente após a aclimatação.

A aclimatação:

Os peixes devem chegar embalados um a um, e reunidos num recipiente apropriado, preferencialmente raso.

Solta-se os peixes juntos até atingir uma densidade de não mais de um peixe para cada dois litros de água. Eles devem ser soltos no balde/recipiente com mesma água em que foram embalados. Deve-se tomar muito cuidado para não misturar água “esbranquiçada” que venha com qualquer peixe à água dos demais. Se um peixe estiver em água esbranquiçada dentro do saquinho, deve ser cuidadosamente removido da embalagem e colocado com os outros diretamente no balde/recipiente. A água esbranquiçada deve ser imediatamente descartada.

Coloca-se no recipiente uma pedra porosa ligada a um pequeno compressor de ar. Isso ajuda a misturar a água e enriquecer o teor de O2 da água.

Efetua-se teste de pH na água em que os peixes chegaram.

Uma mangueirinha de água que colete água da bateria deve ser instalada e, com um regulador de ar de plástico, a água que corre pela mangueirinha deve verter aos poucos na água em que os peixes estão soltos.

A cada 5 minutos, novo teste de pH deve ser efetuado na água em que estão os peixes. O pH deve subir bem lentamente, à  taxa de 0,1 pH a cada 5 minutos.

Se o pH estiver consistentemente baixo, deve-se aumentar um pouco o fluxo de água da mangueirinha para o recipiente dos dos peixes.

Se estiver subindo rápido demais, deve-se diminuir o fluxo para evitar choque de pH. Dependendo da diferença de pH entre a água dos peixes e a da bateria, o processo pode ser demorado. Paciência é a palavra chave, pois esse momento é crucial.

Quanto melhor for feita a aclimatação, melhor os peixes responderão, começando a aceitar alimento mais rapidamente e se adaptando melhor ao aquário.

A cada vez que se observar que o volume de água no recipiente onde os peixes estão sendo aclimatados aumentar em 40 a 50%, deve-se retirar o excesso e manter o volume de água original. Isso evita que a aclimatação demore tempo demais por causa do maior volume de água do recipiente.

Quando a água do recipiente que contém os peixes estiver em pH 8.0, os peixes podem passar por um rápido banho de água doce de até 3 minutos, com exceção dos pequenos demais e algumas espécies que não toleram esse procedimento. Peixes com menos de 4 cm devem ficar no banho por período máximo de 2 minutos.

 Tratamentos

Existem basicamente dois tipos de remédios eficazes para peixes de água salgada. Um deles é Quemicetina (Cloranfenicol). Toda vez que peixes aparecem com manchas grandes brancas pelo corpo, ou apresentam as nadadeiras recolhidas, dando a eles aspecto “murcho”, devem ser recolhidos para o aquário hospital e iniciado o tratamento.

Prestar atenção aos sinais que o peixe apresenta é muito importante, pois o antibiótico trata o peixe contra bactérias, e em condições de aquário elas se reproduzem com muita velocidade.

Num aquário de 150 litros, pode-se dosar 500 Mg de Quemicetina durante 7 dias.

Os peixes normalmente se apresentam bem melhor que inicialmente em menor período, mas é importante fazer o tratamento até o fim. Peixes palhaço se beneficiam especialmente desse tratamento, pois os problemas que esses peixes mais apresentam está relacionado a uma bactéria. O tratamento impede que o peixe seja comercializado imediatamente após chegar, mas garante sua sobrevida.

É muito comum que palhaços só apresentem sintomas de infecção por bactérias até mesmo alguns dias após chegarem, por isso é importante tratar – mas apenas se aparecer algum sintoma.

Bacteremias podem ser sinal de enfraquecimento do sistema imunológico do peixe por decorrência de infecção parasitária pré existente. Os cuidados com animais nesse estado devem ser redobrados, pois tratá-los contra parasitismo e bactérias ao mesmo tempo é complicado.

Se o animal adquirido apresentar sintomas de infecção bacteriana e já estiver no aquário, deve ser removido para o tratamento. Nunca se deve dosar qualquer remédio no aquário. 

O outro produto é à base de sulfato de cobre. Como exemplo, existe o “Cupramine”.

1 – Na bateria de peixes nacionais tudo deve estar limpíssimo e com temperatura de 28oC aproximadamente.
2 – Usar Cupramine e um teste de cobre eficiente para não superar a concentração de remédio na bateria (ou aquário hospital), nem deixar que ela caia abaixo do necessário (cerca de 0,3ppm CuSO4).
3 – Nunca usar rede para pegar o peixe doente pois ele pode se machucar ainda mais no processo.
4 – Preparar um recipiente limpo e de material inerte com água doce filtrada por osmose inversa a 28oC. Tamponar a água para que ela fique com pH 8.0 ou um ligeiramente acima. Antes de colocar o peixe na bateria assim que ele chega na loja (ou no aquário assim que ele chega da loja), deve-se dar um banho de água doce de 2 minutos no peixe, nesse recipiente. Isso fará com que a maior parte dos parasitas que estão no corpo dele se desprendam. Provavelmente ele chegará ao ponto de “deitar” no fundo do aquário e parecer que morreu.
5 – Retirar do recipiente e passá-lo para a bateria (ou aquário).
6 – Pingar lentamente 50% da dose recomendada na bula do remédio para o volume de água da bateria ou aquário hospital (Nunca dosar remédio no aquário!!!).
7 – Esperar 30 minutos e efetuar outro teste de Cobre.
8 – Se o nível de CuSO4 estiver abaixo de 0,3ppm, pingar mais 1/4 da dose recomendada.
9 – Esperar mais 30 minutos e repetir o teste.
10 – O tempo entre as dosagens é necessário para que o produto dissolva na água não se erre a mão provocando superdosagem inadvertidamente, o que provavelmente mataria o(s) peixe(s).
11 – Verificar diariamente a salinidade e temperatura da bateria (ou aquário hospital).
12 – Efetuar testes de Cobre diariamente na bateria (ou aquário hospital).
13 – Oferecer alimento da melhor qualidade possível em pequenas doses para os peixes. Se eles não comerem, retirar o alimento da bateria depois de 10 minutos.
Por fim, acompanhar o tratamento com o máximo de dedicação possível.

Uma vez por ano, é recomendável promover o que chamamos de “vazio sanitário” na bateria.

O processo é simples:
Deixa-se a bateria (ou aquário hospital) sem nenhum peixe por um mínimo de 30 dias.
Ao final desse período, troca-se 100% da água. de uma vez só, mesmo.
Depois de 3 dias, recomeçar a colocar peixes.

Aplicando a dosagem indicada, o resultado é muito bom em quase a totalidade dos casos, combatendo parasitas nos peixes.

Curiosamente, existem peixes que se dão melhor e outros que respondem mal a certo tipo de remédio. Peixes que não recebem bem tratamento à base de cobre: Mandarim, Lionfish, Wrasse, Coris, tubarões, palhaços pequenos e gobídeos.

Uma última palavra sobre o aquário hospital; ele deve ser totalmente limpo e sua água extinta a cada tratamento com cobre ou antibiótico.

Para fazer isso, o filtro biológico deve ser removido e mantido funcionando em um balde de água com água do próprio aquário.

O aquário deve passar por limpeza meticulosa; se preciso, lavando-o todo com água doce, assim como todos os equipamentos usados. Depois disso, pode ser enchido com água e colocado para funcionar novamente.

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