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Tecnologia em Excesso Parte II – Fosfatos

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Fosfatos

Excesso de fosfatos na água do aquário talvez seja o maior problema enfrentado por aquaristas. Muitos produtos e técnicas foram desenvolvidos para enfrentá-lo.

Para definir fosfato é necessário conhecer o elemento químico Fósforo, representado na tabela periódica dos elementos como “P”.

ATP (adenosina tri-fosfato) e DNA (ácido desoxirribonucleico) contém Fósforo, portanto a vida no planeta Terra não existiria sem esse elemento químico.

Esse elemento químico não ocorre na atmosfera e, portanto, não existe possibilidade de equilíbrio de Fósforo com o gás atmosférico por meio de trocas.

Definição

PO4-3 É um ânion (íon com carga negativa) formado por Fósforo e oxigênio. Um átomo de fosfato tem três terminações, para se unir a cátions (íons de carga positiva) e constituir um átomo estável (sem carga).

Em azul, o átomo de Nitrato. em Vermelho, de Oxigênio.

Molécula de fosfato iônico (PI)

 Por causa dessa característica, fosfatos têm muita facilidade de se ligar a outros elementos na água.

No ambiente natural, fosfatos ocorrem em níveis inferiores a 0,03 ppm (Ilhas Marshall e Grande Barreira de Corais da Austrália, por exemplo), sendo um íon de baixo teor no ambiente de origem dos animais que colocamos em aquários.

Problemas causados por excesso de fosfatos em aquários:

– Retardamento ou mesmo estagnação no crescimento dos corais duros

– Ocorrência ou “explosão” de espécies de algas indesejáveis

– Queda na reserva alcalina da água

Detecção de fosfatos na água de aquários
Os “testes” mais comuns no mercado aquarístico para medição do teor de fosfato da água do aquário detectam apenas a forma iônica livre. As ligações orgânicas de PO4-3 com qualquer molécula que contenha Carbono não são detectadas.

Como o excesso de matéria orgânica dissolvida no aquário causa problemas semelhantes ao do acúmulo de fosfatos, a ocorrência de fosfatos orgânicos é uma questão a ser considerada.

Meios de combate ao acúmulo de PO4-3 em aquários

1)      Emprego do mais eficiente fracionador de proteínas (skimmer) possível. Esse aparelho retira da água uma quantidade razoável de matéria orgânica, sendo que certa proporção é em forma de fosfatos.

2)      Uso de hidróxido de cálcio (kalkwasser), por facilitar o trabalho do skimmer para remover fosfatos da água.

3)      Uso de carvão ativado de alta qualidade. Carvão ativado tem a propriedade de “adsorção”, e retém fosfatos.

4)      Trocas parciais de água.

5)      Montagem de um refúgio com macro algas.

As cinco medidas levadas em conjunto possibilitam a manutenção da  água do aquário com baixo teor de fosfatos, sendo que o refúgio é uma possibilidade, e não obrigatoriedade para a solução do problema.

 Constatações

O objetivo não é combater os teores de fosfatos para que atinjam “zero” na leitura do teste – mesmo porque isso é virtualmente impossível. Sempre que alimentamos os peixes, introduzimos fosfatos na água. Isso não é ruim em hipótese alguma, pois os peixes não podem passar fome. Corais e outros animais do aquário também se beneficiam da alimentação fornecida aos peixes e da resultante matéria orgânica dissolvida na água.

A ideia  central, portanto, é manter o aquário de forma tal que os fosfatos não tenham como  acumular na água. Para isso, o emprego dos ítens relacionados acima é uma combinação para atingir esse objetivo.

Comumente, inicia-se o combate ao problema quando ele se torna visível – quando aparecem algas indesejáveis no aquário (uma das características mais comuns de que há fosfatos em excesso na água).

Na verdade, o aparecimento de algas se dá quando a situação já passou do limite de tolerância do sistema. Nesse ponto, a água do aquário tem teores tão altos de fosfatos que o sistema não é mais capaz de comportá-los, e o processo de explosão de algas tem início.

Meios comuns empregados por aquaristas
Existem basicamente dois tipos de produtos que têm por finalidade remover fosfatos da água no mercado; um deles contém alumina, composto que causa problemas de várias modalidades em corais. O outro, à base de óxido de ferro, é menos problemático e rápido para remover os fosfatos da água. Em condições emergenciais, é válido usar um desses produtos, pois o aquário pode ficar seriamente comprometido se a situação perdurar.

O ideal, no entanto, é não permitir que fosfato acumule na água ao ponto de ser obrigatório o uso de qualquer produto que seja.

A prática de manutenção do aquário citada nos cinco pontos acima torna simples a tarefa de manter PO4-3 abaixo de 0,5 ppm – nível considerado aceitável em aquários (apesar de bastante superior aos níveis encontrados no ambiente natural).

Dentre todos, talvez a prática mais eficaz e de menor custo seja a de trocas parciais de água freqüentes e constantes.

Trocas parciais de até 75% da água do aquário, em que a água a ser usada tenha a mesma densidade e temperatura da água do aquário podem ser feitas quando se encontra nível de fosfatos acima de 2 ppm na água.

A primeira troca para combater fosfatos nessa quantidade pode ser dessa proporção, seguida de trocas semanais de menor volume, até que os resultados encontrados em testes efetuados no dia seguinte ao da troca parcial apresentem tendência acentuada de queda. Um relato no livro “The Modern Coral Reef Aquarium” Svein A. Fossa & Alf J. Nilsen, Vol I, 1996, Birgit Schettkamp Verlag, mostra claramente o resultado desse tipo de troca parcial e suas conseqüências em relação à concentração dos teores de elementos-traço na água de um aquário velho e bem estabelecido. Um dos fatos mais interessantes no relato e na tabela apresentada nessa publicação à pág. 238 foi o relato do “drástico aumento no crescimento dos corais duros” (citação).

Essa medida é aparentemente mais radical do que simplesmente adicionar um produto qualquer ao aquário, como os removedores de fosfato, mas na verdade é bem menos agressiva por ser mais “natural”.

Hidróxido de Cálcio ("Kalkwasser")

 Em suma; diluição continua sendo uma solução simples e eficaz para manter fosfatos sob controle na água de aquários.

Depois que se tornou popular e simples manter aquários com corais e peixes, a maioria dos aquaristas passou a considerar os aquários modernos “à prova de bala”.

Seria possível fazer qualquer coisa – ou pior – deixar de efetuar práticas de manutenção recomendáveis, que o aquário continuaria “indo bem”.

Mas isso não ocorre.

Com o passar dos anos, há acúmulo de matéria orgânica e fosfatos na água, e os problemas aparecem como que repentinamente.

Mais uma vez, a questão de manutenção do aquário é fundamental; se desde o início do aquário seu dono for cuidadoso, os problemas gerados serão muito menores.

Opções para manter o Cálcio e a Alcalinidade

A presença de fosfatos na água do aquário faz com que a reserva alcalina da água se deteriore por conta de processos químicos que a acidificam, ocorrendo variações indesejáveis do pH no curso de 24 horas.

A opção mais elegante e natural para neutralizar esse problema é adicionar kalkwasser (hidróxido de cálcio) para repor a água evaporada do sistema. Hidróxido de cálcio é apenas água e íons Ca++, de forma que, mesmo sendo uma base fraca de pH muito alto (por isso deve-se tomar cuidado ao dosar a solução no período em que as luzes do aquário estejam acesas, pois o pH da água do aquário pode se elevar acima do ponto desejado e causar precipitação do soluto), sua adição não afeta nenhum componente da água. Ao contrário, dosado de forma lenta e cuidadosa, ajuda a manter o pH e a reserva alcalina da água em níveis apropriados.

Outros produtos como tamponadores e/ou compostos de vários elementos químicos são de pouca valia, e alguns, por terem em sua formulação compostos  que provocam a liberação de CO2 na água podem até piorar o problema da presença de algas no sistema.

Leito de substrato profundo composto de material calcário granulado

 A utilização de filtro de fundo de camada profunda com plenum ajuda ainda mais o sistema a eliminar fosfatos da água do aquário, desde que seja utilizado material correto como substrato de fundo (de origem calcária e que não contenha PO4-3).

Essa combinação da montagem adequada do sistema e sua manutenção correta é comprovada pelo tempo – desde 1992/4 e trazem ao sistema estabilidade e benefícios “naturais”.

Se contarmos tudo que foi considerado necessário para o bom funcionamento do sistema e a manutenção de fosfatos em níveis suficientemente baixos para que o aquário e seus habitantes se mantenham saudáveis e afastados de problemas relativos a PO4-3 por longo espaço de tempo, constatamos que além do “approach” natural, o custo de manutenção é baixíssimo, comparado a qualquer outro.
Clique no link abaixo para ler a Parte I:
https://ricardomiozzo.wordpress.com/2010/09/01/
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