Aquario Marinho

Aquarismo marinho

Archive for the ‘Corais vivos’ Category

Anêmonas e peixes-palhaço

with 3 comments

A popularidade dos peixes-palhaço é incontestável. Somado a esse fato, o desenvolvimento de técnicas de reprodução de peixes em cativeiro vêm tornando muitas espécies de peixes-palhaço mais e mais interessantes para todos os aquaristas.

Um casal de "palhacinhos" numa anemona "carpet"

Um dos relacionamentos mais interessantes da Natureza pode ser replicado em aquários com relativa facilidade.

A visão de um ou mais “palhacinhos” em simbiose com uma anêmona é intrigante e magnética.

Neste artigo, serão citadas as mais importantes necessidades desses animais, maneiras de mantê-los e algo de seu comportamento.

 

 

 

Anêmonas

 São aparentadas dos “corais duros”. Constituídas de corpo mole e geralmente pegajoso, podem se parecer com corais moles, mas têm pouco ou quase nada a ver com eles. Pertencem ao filo Cnidaria (Coelenterata) e produzem nematocistos (estruturas urticantes).

Possuem uma única cavidade corporal, que lhes serve ao mesmo tempo de boca, ânus, pulmão, estômago, intestino e sistema circulatório. Existe apenas uma única abertura nessa cavidade, comumente chamada de boca, por onde passam o alimento, os dejetos, a água e os gametas que produz.

A boca é cercada de tentáculos de formato filamentar, tipicamente carregados de nematocistos. Essas estruturas servem primordialmente para a captura de presas com que se alimenta. Sua defesa também conta principalmente com eles. Toda anêmona possui um pé que lhe permite se mover e fixar ao substrato escolhido. Sue estrutura geralmente opõe o pé à boca, de forma que esta sempre está voltada para a corrente de água a fim de possibilitar captura de alimento.

Dois espécimes de Entacmaea quadricolor

As anêmonas que farão parte deste artigo são justamente as que abrigam peixes palhaço, e curiosamente são bem pouco aparentadas entre si.

Existem três famílias que possuem anêmonas simbiontes de palhaços; Entacmea e Macrodactyla fazem parte da maior delas, a Actiniidae.

Stichodactylidae abriga Heteractis e Stichodactyla, e finalmente Thalassinthidae, que abriga Cryptodendrum. Como e porquê gêneros tão diferentes abrigam palhaços permanece um mistério.

Provavelmente, ocorreu uma adaptação entre esses animais de maneira que ambos se ajudam mutuamente na defesa contra predadores; a mesma solução biológica encontrada por todos não passa de coincidência. A razão de nem todas as espécies de anêmonas abrigarem palhaços na Natureza é um mistério.

Por outro lado, observamos que palhaços sem sua anêmona “natural” em aquários adotam muitos tipos de animais como “lar”, inclusive anêmonas Condylactus e corais duros ou moles. O palhaço parece ter uma atração natural por se abrigar entre tentáculos de invertebrados, pois mesmo peixes criados em cativeiro, sem nunca ter tido contato com anêmonas, adotam esse comportamento.

Um casal de Premnas biaculeatus em anêmona Entacmaea quadricolor

Anêmonas são animais incrivelmente simples anatomicamente. Possuem, por outro lado, todo o equipamento natural para que sejam um tremendo sucesso biológico; podem se mover por conta própria a fim de procurar um lugar favorável em seu ambiente, se defendem por intermédio de seus nematocistos (que também as ajudam a se alimentar), possuem a habilidade de se encolher rapidamente, de maneira que  “desaparecem” para se proteger, e crescem em velocidade impressionante quando as condições favorecem.

As anêmonas simbiontes de palhaços são extremamente longevas; indicíduos com idade estimada em 300 anos são menos incomuns do que se imagina (Fautin, 1990). Grandes “campos” de anêmonas nos recifes de corais de diversos locais ao redor do mundo demonstram que esses animais são capazes de se multiplicar por divisão corporal, expediente reprodutivo extremamente eficaz sob o ponto de vista energético.

Produzir gametas é, para qualquer tipo de ser, tarefa energeticamente cara, sendo a divisão uma solução rápida e eficaz para perpetuar a espécie. A reprodução sexuada, por intermédio de gametas, se dá em conjuto com a dos corais, seguindo sua sazonalidade típica; na época de reprodução dos outros invertebrados nos recifes de corais, as anêmonas liberam seus gametas.

Existem indivíduos machos e fêmeas. A definição de sexo ocorre na idade de maturação do animal e as razões que direcionam essa orientação são pouco compreendidas. Curiosamente, num agrupamento de anêmonas, há grande equilíbrio entre os gêneros sexuais. Muito interessante notar que é muito difícil observar-se anêmonas pequenas, ou em fase pós larval nos recifes. Isso leva os cientistas a crer que a reprodução sexuada é extremamente pouco eficaz. Em algumas espécies pode haver incubação interna das larvas pela fêmea, que liberaria pequenas anêmonas jovens.

Isso é típico de animais muito longevos, pois a baixa taxa de fertilidade efetiva seria compensada pela idade que cada animal é capaz de atingir. A capacidade de defender-se e capturar alimento por intermédio dos nematocistos foi determinante na história biológica desses animais. O nematocisto é uma estrutura fabricada no interior da célula da anêmona, e se concentra partilularmente nos seus tentáculos. Existem nematocistos internos, localizados junto à estrutura digestiva do animal, onde são determinantes para a efetivação da digestão. A estrutura do nematocisto é composta de uma cápsula quer contém um túbulo em forma de arpão várias vezes mais longo do que a cápsula. Quando a cápsula é estimulada a disparar, o túbulo é lançado, evertendo a cápsula e perfurando ou envolvendo o alvo. Existem mais de 30 tipos de nematocistos, e provavelmente todos contém toxinas, que são injetadas na vítima pelo túbulo.

Um belo espécima de anêmona "carpet"

A maior questão sempre foi a capacidade do palhaço de não ser ferido por essas estruturas. A anêmona tem grande capacidade de resolver se dispara ou não ou nematocistos, em uma combinação química e física que determina a presença de inimigos. Como ela faz para definir o palhaço como não-agressor é um mistério. A aproximação do peixe é típica em todas as espécies; avistada a anêmona, o peixe parece saber o que ela representa, tanto na figura de um excelente abrigo quanto de ameaça mortal.

Peixes palhaço que inadvertidamente se aninham entre os tentáculos de anêmonas com muita rapidez, assim que as vêem, normalmente são mortalmente feridos. O que se observa mais comumente, porém, é uma interessante dança de apresentação do peixe para sua futura “casa”; aproximando-se cuidadosamente da anêmona, o palhaço primeiro a toca muito rápida e gentilmente com o focinho e/ou a cauda. Sempre chegando perto da anêmona pela vizinhança de sua base (em que não há nematocistos), ele “esbarra” nela e se distancia, nadando com velocidade. Os contatos vão se tornando mais longos, e em determinado momento o palhaço pode ser visto entre os tentáculos da anêmona. O comportamento de aproximação pode durar de algumas horas a alguns dias, e o palhaço aparenta grande ansiedade durante esse período. Por esse comportamento ser típico até com palhaços criados em cativeiro, é de se especular que o peixe adquire aos poucos a imunidade aos nematocistos da anêmona. Rápidos movimentos de tremor do palhaço após o toque demonstram que a “entrada” na anêmona não é uma coisa totalmente confortável. Parece que, de vez em quando, o palhaço tem pressa em acabar logo com essa fase, mas se queima se for precipitado. A aproximação paulatina é bem segura, no entanto, e parece ter a ver com o muco dos dois animais. De alguma maneira o peixe é capaz de se imunizar em relação aos nematocistos, evitando seu disparo e se tornando parte da anêmona, até onde ela compreende isso. O fato é que, num primeiro momento, a associação parece ser muito mais benéfica para o peixe; o abrigo oferecido por um animal muito maior que ele, que apresenta defesa tão formidável, é algo a se considerar.

Por outro lado, palhaços – que são Pomacentrídeos (mesma fámília das “donzelas”) – defendem suas anêmonas ferozmente, e muitos são vistos “guardando” alimento entre seus tentáculos. Se o palhaço apenas tenta armazenar alimento na anêmona ou intencionalmente a alimenta permanece questão de debate, mas ele faz isso sempre.

As atitudes do palhaço firmemente demonstram que a simbiose entre os dois animais é benéfica a ambos. O palhaço defende seu território, que é principalmente sua anêmona, e ainda a alimenta. Observações de campo sugerem que anêmonas desprovidas de seus palhaços são rapidamente atacadas por predadores, ao mesmo tempo que palhaços cujas anêmonas são retiradas também ficam à mercê de predadores, tornando a necessidade de um pelo outro muito acentuada.

Em aquários, é possível manter um sem o outro, mas no ambiente natural isso parece impossível. É raríssimo ver-se anêmonas sem seus palhaços, assim como avistar palhaços sem suas respectivas anêmonas.

Uma vez “dentro” da anêmona, raramente o peixe se distancia dela mais do que um metro. As incursões também são feitas só quando o peixe sente segurança. De qualquer forma, os passeios são raros. Anêmonas “fechadas”, quase totalmente contraídas, podem ser vistas com seus palhaços imersos. O peixe acompanha a retração de tecido da anêmona, e praticamente desaparece junto de seus tentáculos. O relacionamento entre eles parece não ter mais retorno possível; nos mares, um não é mais capaz de viver sem o outro.

Como comprar

Nunca adquirir anêmonas que estejam com a “boca” aberta. Animais saudáveis nunca se apresentam assim. A boca deve estar fechada e o disco oral aberto e com coloração firme. Não pode estar saindo nada pela boca da anêmona; muco, alimento ou mesmo a parte interna da anêmona. O pé deve estar sempre ligado a algum substrato firme. se a anêmona estiver solta, girando e dando cambalhotas pelo aquário da loja, deve ser evitada.

Um dos sinais de que a anêmona tem boa capacidade de se manter em ordem é a condição de seu pé. Podendo grudar-se a algo, ela tem mais chance de estar com o pé intacto e sem ferimentos. Pé machucado pode levar o animal à morte, e é por aí que a anêmona sofre as maiores atrocidades; no mar, está firmemente agarrada a algo pelo pé. Se for coletada de maneira inapropriada, um ferimento pode surgir e infeccionar, levando o animal à morte quase inevitável.

Anêmonas que apresentem rasgos no disco oral devem ser imediatamente desconsideradas. Qualquer anêmona de palhaço é igual ou mais difícil do que qualquer coral em relação a manutenção e requisitos em aquários. 

Anêmonas são animais delicados e requerem muita luz e condição de água “limpíssima”. O maior crime cometido contra anêmonas é uma prática antiga e hoje mais rara do que até alguns anos atrás. A prática consiste em coletar anêmonas de coloração pouco interessante e tingí-las. Anêmonas amarelo-claras de tonalidade muito esmaecida normalmente são animais verdes que estão perdendo zooxanthellae e devem ser evitadas.

Como introduzir no aquário

Muitas anêmonas se dão muito bem em substrato de areia, portanto soltá-las gentilmente (sem rede) – junto ao fundo do aquário é o melhor a fazer. Manusear o mínimo possível mas com calma é imperativo, sendo que nesse processo pode-se observar a condição geral do pé do animal. Todas as anêmonas são capazes de andar, e muito provavelmente o farão assim que colocadas no aquário.

Não se deve insistir em que a anêmona fique no local escolhido pelo aquarista. Ela vai escolher o local para se fixar, e a nós basta apenas respeitar sua escolha. Anêmonas muito manuseadas podem ser machucadas, e possuem massa corpórea relativamente grande para tornar qualquer aquário um poço de meleca, se vierem a morrer. 

Não se deve mexer na anêmona nem cutucá-la ou empurrá-la de um lado para o outro do aquário.

As espécies que precisam de mais luz e corrente d’água – condições geralmente encontradas mais perto da superfície – galgarão as rochas até atingir o local apropriado. É importantíssimo aclimatar a anêmona lentamente, por cerca de 40 minutos a uma hora.

Composto fundamentalmente de água, é necessário dar ao animal tempo de “trocar” sua água com a do aquário.

Alimentação

 Todas as anêmonas citadas neste artigo podem ser alimentadas, apesar de possuírem algas simbiontes (Zooxanthellae). Pedaços pequenos de camarão, lula, peixe e outros ítens marinhos, assim como peixinhos inteiros são muito apreciados. A freqüência da alimentação é fundamental; anêmonas possuem metabolismo ditado pela temperatura da água.

Alimentá-las uma ou no máximo duas vezes por semana, com pequenos pedaços de comida de cada vez, é melhor do que dar um camarão inteiro uma vez por mês.

Anêmonas superalimentadas podem apodrecer e morrer, pois são incapazes de digerir muita comida de uma vez só.

Devem ser alimentadas com pequenas quantidades, de cada vez. Anêmonas recém introduzidas no aquário se adaptam devagar e não devem ser alimentadas imediatamente.

Heteractis magnifica no ambiente natural com A. ocellaris

 

Espécies

Das dez espécies mais comumente importadas – pois todas são originárias da região do Indo-Pacífico e Mar Vermelho, algumas são bem fáceis de se manter em aquários, enquanto ao menos uma é uma verdadeira charada.

Todas, sem exceção, abrigam algas simbioentes (Zooxanthellae).

Cryptodendrum adhaesivum

Descrita em 1877, é raramente importada e sempre confundida com “carpet”. Nos EUA, é chamada de “pizza anêmone” por ter as bordas de cor geralmente diferente do disco oral. É extremamente “grudenta” ao toque, possui tentáculos curtos, sendo que os mais próximos à boca são ramificados, e os mais próximos da borda são não ramificados e bem mais curtos. Os da borda são de cor diferente dos outros, tornando assim fácil identificar essa espécie. Cresce até cerca de 30 cm de diâmetro. Pode ser verde com rosa, amarela com verde, fúcsia com amarelo, branca com rosa ou verde e várias outras combinações de duas cores (uma no miolo e outra na borda). Encontrada desde o Mar Vermelho até a Melanésia e Micronésia a leste, e do sul do Japão ao norte da Austrália, passando por Maldivas, Tailândia e Polinésia. Costuma alojar-se no fundo de areia, mas pode ser encontrada ligada à rocha. Gosta de muita luz e correntes intermitentes e fortes de água. Geralmente, é encontrada em forma solitária. Dificilmente se divide. Aceita alimento do aquarista, e na Natureza aparentemente se aproveita também de fitoplâncto, além de zooplâncto. Abriga poucas espécies de peixes palhaço, talvez por ser tão carregada de nematocistos em formas extremamente urticantes; são encontradas em simbiose com A. clarkii (Sebae clown) no mar, e em aquários acabam “aceitando” A. frenatus (Tomato) e P. biaculeatus (Maroon).

Entacmaea quadricolor

Descrita em 1828, é sempre importada sob diversos nomes comuns. Talvez seja a anêmona que pode ser encontrada com a maior variedade de espécies de palhaços. Tem a característica de, sob certas condições ainda misteriosas, formar perto das pontas dos tentáculos protuberâncias em forma de bulbos. Quando recém importada raramente forma bulbos, e pode ser confundida com outras espécies. Possui tentáculos longos, que atingem entre 10 e 12 cm de comprimento. É a única espécie de anêmona que se associa a palhaços que tem a coluna sem verrugas e também a única que cria os bulbos nos tentáculos. Pode ser rosada ou esverdeada, mas normalmente é marrom. A formação dos bulbos já foi tida como sinal de boa saúde da anêmona, mas isso parece ser apenas indício, e não certeza. Muito curiosamente, ela intercala períodos de tentáculos com e sem bulbos. Às vezes, aparecem bulbos em alguns tentáculos e noutros não. É encontrada em simbiose com Amphiprion akindinos, A. allardi, A. bicinctus, A. chrysopterus, A. clarkii, A. ephippium, A. frenatus, A. mccullochi, A. melanopus, A. omanensis, A. rubrocinctus, A. tricinctus e Premnas biaculeatus. Normalmente presa a uma greta profunda na rocha, se mostra à medida em que é exposta à luz. Gosta de alimento oferecido pelo aquarista, aceitando bem artêmia salina, pedacinhos de peixe, camarão, lula, siri ou caranguejo, enfim; qualquer alimento, inclusive flocos. É talvez a anêmona de palhaço mais fácil de ser mantida em aquários.

Heteractis aurora

Raramente importada. Chega a 25 cm, com tentáculos entre 5 e 20 cm de comprimento. Normalmente marrom ou arroxeada, tem por característica principal a formação dos tentáculos; formados por aglomerações parecidas com bolinhas coladas umas às outras, de tons intercalados da mesma cor. Muito grudenta ao toque e, por conseqüência carregadíssima de nematocistos. Aparece sempre enterrada parcialmente em fundo de areia, e ocorre desde o Mar Vermelho até a Austrália, e do sul do arquipélago japonês (Is. Ryukyu) até o sul de Madagascar. Associa-se a Amphiprion akyndinos, A. allardi, A. bicinctus, A. chrysogaster, A. chrysopterus, A. clarkii e A. tricinctus. Não é muito fácil de manter em aquários.

Heteractis crispa

Possui tentáculos longos com até 12 cm de comprimento, de pontas rosas, malvas, azuis ou roxas. A coluna é provida de verrugas e quase sempre marrom em coloração. Possui muitos tentáculos, tendo sido contados até 800, e normalmente se enterra em substrato macio como areia ou lama. Raramente vive ligada a rochas ou corais. Ocorre desde o Mar Vermelho ao norte até o sul da Austrália, e até a Melanésia a leste. Abriga uma série de palhaços: Amphiprion akyndinos, A. bicinctus, A. chrysopterus, A. clarkii, A. ephippium, A. latezonatus, A. leucokranos, A. melanopus, A. omanensis, A. polymnus, A. percula, A. perideraion, A. sandaracinos e A. tricinctus. As verrugas da coluna a ajudam a grudar em pequenos pedaços de rocha enterrados no sedimento. É fácil de manter em aquários. Aceita vasta gama de alimentos, como H. aurora.

Entacmaea quadricolor em variedade "vermelha" - espécime muito procurado por aquaristas

Heteractis magnifica

 É a mais desejada e também a mais difícil anêmona de se manter em cativeiro. Sua atração maior é a coloração surpreendente, combinando cores de maneira incrível. A base pode ser rosa, roxa, azul, verde, vermelha ou laranja. Os tentáculos, geralmente de cor marrom, verde, roxa, branca, amarela ou beije, de pontas de cor ainda diferente da base ou dos tentáculos. É realmente muito difícil de manter, e demanda altos preços nas lojas. Ocorre desde o Mar Vermelho até o sul da África, passando por Is. Maldivas, Indonésia e Malásia, atingindo a Polinésia Francesa a leste. Quase sempre encontrada ligada firmemente a rochas, em locais de forte exposição à luz e correnteza de água. Os tentáculos são muito numerosos, de comprimento entre 5 e 8 cm, formando um disco oral que pode atingir um metro de diâmetro. Normalmente, porém, é vista com 30 a 50 cm de diâmetro. Associa-se a A. akallopisos, A. akindynos, A. bicinctus, A. chysogaster, A. chrysopterus, A. clarkii, A. leucocranos, A. melanopus, A. nigripes, A. ocellaris, A. percula e A. perideraion. Costuma “queimar” seres humanos quando tocada, sendo portanto uma anêmona bem fornida de nematocistos. Cresce rápido e chega facilmente a ficar desproporcional em relação ao tamanho do aquário. Indicada apenas a aquaristas muito experientes. Costuma galgar as rochas do aquário até atingir seu topo, onde se posiciona em local em que receba muita luz e correnteza de água. Se colocada em aquário com pouca iluminação, desbota até ficar beije clara, e pode vir a morrer. Apenas alimento fornecido pelo aquarista parece não bastar. Sua maneira de se posicionar na rocha, completamente exposta, é única entre as anêmonas simbiontes de palhaços. É muito comum ver esse tipo de anêmona em pináculos de rocha.

Heteractis malu

Raramente importada, pequena em dimensões se comparada a outras anêmonas que abrigam palhaços. Associa-se apenas a Amphiprion clarkii, e habita desde o Hawaii até a Austrália, e ao norte até o Japão, passando por Indonésia e Filipinas. Possui tentáculos de cerca de 4 cm, com um anel de cor escura a meio caminho da ponta. Quase sempre é vista enterrada parcialmente na areia. Chega a 20 cm de diâmetro, e é de cor beije bem claro, quase branca. A coluna pode ter verrugas amarelas. Pode se enterrar completamente na areia quando ameaçada. Não é difícil de manter em aquários, e aceita bem alimentos dados pelo aquarista.

Macrodactyla doreensis

Possui relativamente poucos tentáculos no disco oral, geralmente da mesma cor do disco; são esverdeadas ou arroxeadas, sendo que indivíduos bem roxos são muito valorizados e raros. Muito “grudenta” ao toque, pode ser encontrada com a coluna enterrada na lama; possui base laranja, amarela ou vermelha. Aceita bem alimentos dados pelo aquarista e gosta de luz média a forte. Corrente de água intermitente fraca a média é mais bem aceita do que permanente e unidirecional. Habita águas rasas, até 5 metros de profundidade. A coluna apresenta verrugas pequenas, ovaladas e dispostas em linhas longitudinais. Anêmona muito encontrada sem peixe nenhum, associando-se apenas a A. chrysogaster, A. clarkii e A. perideraion. Cresce até 50 cm de diâmetro. É fácil de manter em aquários. Stichodactyla gigantea Possui tentáculos curtos, entre 1 e 1,5 cm, que sempre estão se mexendo. Vibram e se curvam para os lados, tornando a anêmona facilmente identificável. Freqüentemente importada sob o nome de anêmona carpete. Difícil de manter em aquários, por motivos vastamente debatidos; é facilmente atacada por bactérias. Indivíduos saudáveis, no entanto, se mostram bastante resistentes. Possui disco oral bastante ondulado, e pé geralmente grudado em um objeto qualquer submerso na areia. Pode, por outro lado, ser encontrada ligada ao recife, diretamente sobre as rochas. Chega a 50 cm de diâmetro. Pode ter a coluna azul, marrom, verde, amarelada ou rosada, e o disco oral da mesma cor da base. Abriga A. akindynos, A. bicinctus, A. clarkii, A. ocellaris, A. percula, A. perideraion e A. rubrocinctus. É muito grudenta ao toque, indicando ser a anêmona mais provida de nematocistos entre as que formam simbiose com peixes. Encontrada desde o Mar Vermelho até metade da costa oriental da Austrália ao sul, e sul do arquipélago japonês. Stichodactyla haddoni Chega a 80 cm de diâmetro e, à primeira vista, é difícil de distinguir de S. gigantea. Normalmente encontrada em fundo de areia. Tem colorações menos forte que S. gigantea, sendo normalmente verde pálido ou “sujo”, existindo porém uma variedade branca listada, muito interessante. Pode se esconder completamente na areia quando necessário; seus tentáculos grudam tanto que, quando aderem à pele humana, destacam-se do corpo do animal. Habita áreas rasas e possui tentáculos que não se movem e são mais longos que os de S. gigantea. Faz simbiose com A. akindinos, A. crhysogaster, A. chrysopterus, A. clarkii, A. polymnus e A. sebae. Possui verrugas bem pequenas e não adesivas na parte superior da coluna. Difícil de manter em cativeiro pelas mesmas razões que S. gigantea; viaja mal, ou é coletada sem cuidado.

Stichodactyla mertensii

É a verdadeira anêmona carpete gigante, chegando a até 1 metro de diâmetro. O disco oral é geralmente disposto em forma oval, e possui tentáculos curtos. Pode ser verde brilhante, amarela ou de tons mais sujos dessas cores. As pontas dos tentáculos podem ser claras. O pé e o disco oral são da mesma cor. Mais encontrada na rocha, firmemente presa pelo pé relativamente pequeno, retrai-se lentamente quando incomodada. É voraz e cresce rápido sob circusntâncias favoráveis. Não é fácil de manter em aquários; de uma hora para outra, mesmo quando aparentemente saudáveis, podem everter sua mesentérie e começar a morrer. Um sinal de que algo vai mal é quando os palhaços subitamente se afastam da anêmona, preferindo ficar longe dela. O pé é curto e sensível a cortes e manuseio inadequado. Abriga nos mares A. akallopisos, A. akindynos, A. allardi, A. chrysogaster, A. chrysopterus, A. clarkii, A. fuscocaudatus, A. latifasciatus, A. leucokranos, A. ocellaris, A sandaracinos e A. tricinctus.

Stichodactyla gigantea

Possui dobras e ondulações no disco oral. Os tentáculos se movem e parecem “vibrar” quando o animal se apresenta saudável. O disco oral é achatado. Em aquários pode se fixar no fundo, prendendo-se fortemente com o pé através do substrato deixando apenas o disco oral à vista. É relativamente delicada no transporte, mas depois de adaptada ao aquário, torna-se resistente e muito atraente ao olhar. Normalmente é encontrada de forma solitária no ambiente natural. Abriga Amphiprion akindynos, A. bicinctus, A. clarkii, A. ocellaris, A percula, A perideraion e A. rubrocinctus. Pode ser alimentada com pequenos pedaços de peixe, camarão e lula.

Stichodactyla haddoni

Ocorre mais comumente em fundos de areia no raso. Chega a 80 cm de diâmetro, é muito “grudenta” quando saudável. Os tentáculos são relativamente curtos em comparação com outras anêmonas “carpet”. Disco oral forma dobras. Apresenta cores muito atraentes, como verde e azul muito intensos. Coluna lisa e disco oral uniforme, com certo acúmulo maior de tentáculos perto das bordas. Abriga Amphiprion akindynos, A. chrysogaster, A. chrysopterus. A. clarkii, A. polymnus e A. sebae. Em aquários, A. ocellaris, A percula e A. allardi não têm problema em formar relaçã simbiótica com essa anêmona.

Anúncios

Tecnologia em excesso parte IV – Iluminação

with 2 comments

Luz significa vida em aquários que contém corais e outros invertebrados que abrigam algas endosimbiontes Zooxanthellae spp. (Que na verdade não são propriamente algas, mas um determinado tipo de ptorozoário flagelado).

espectro de luz

Luz é radiação eletromagnética. Os olhos humanos não são capazes de enxergar todo o espectro luminoso, e o cérebro humano interpreta a luz recebida pelo aparelho visual ao ponto de “transfomar” a luz verdadeira naquela que se acredita estar observando.

O gráfico abaixo mostra o espectro, iniciando pela luz infravermelha, produzida pela emissão de ondas longas de eletromagnetismo e se localiza na parte inferior do espectro. No extremo oposto, encontra-se a luz ultravioleta, que emite ondas mais curtas. Entre essas duas, ocorre luz azul, verde, amarela e vermelha, chegando à infravermelha. Além da ultravioleta, ocorre emissão de raios gama.

            

Esse conceito é suficiente para comparar a luz do Sol nas regiões de recifes de corais com os tipos de iluminação disponíveis atualmente para uso em aquários.

 Recifes de corais são encontrados majoritariamente em zonas tropicais, onde a incidência de luz é muito intensa e os dias são bastante longos. 

Para classificar luz, usam-se várias formas;

Quantidade de luz é medida em lux.

 Sua cor é determinada pela comparação da emissão de um determinada lâmpada com a emissão de um corpo negro submetido a certa temperatura em Graus Kelvin.

Um corpo negro muda de cor à medida que é aquecido.

A temperatura em K é o que determina a temperatura de luz de tal corpo negro.

Essa medida não tem relação com quantidade de luz emitida do corpo negro aquecido.

O Sol emite luz a 6.000K, significando a mesma cor de um corpo negro aquecido até essa temperatura.

Existe ampla gama de possibilidades para iluminação de aquários.

Basicamente, o tipo de luz que se usa é de três tipos; fluorescentes, LEDs e de

vapor metálico (HQI).

Lâmpadas de vapor metálico são extremamente eficientes, pois produzem muita quantidade de luz em relação a seu consumo.

Como exemplo, em recifes de corais tropicais ao meio dia, a quantidade de lux pode chegar a de 130.000 por metro quadrado.

Água do mar é um meio 800 vezes mais denso do que o ar atmosférico ao nível do mar. No entanto, a água de recifes de corais não é tão opaca quanto densa.

À medida que se desce a partir da superfície do mar, a luz é gradualmente filtrada pela água.

A primeira cor de luz filtrada pela água é a vermelha, e a última, a azul.

Por causa disso, a cerca de 20 metros de profundidade, pode-se ver apenas tons de azul e cinza.

Em aquários, a luz relativamente fraca e de espectro luminoso incompleto emitida pelas lâmpadas é transformada e absorvida pela água, de maneira que os animais que preferem mais luz devem ser colocados perto da superfície.

A quantidade de luz recebida pelos corais diminui drasticamente à medida que se vai mais para o fundo do aquário, chegando a ser de apenas 10% da luz que encontra a superfície a apenas 50 cm de profundidade, no caso de uso de lâmpadas fluorescentes comuns.

A eficiência da lâmpada que se pretende usar, portanto, é determinante para se conhecer o que é possível manter no aquário.

Cada tipo de lâmpada precisa de um reator específico (salvo aquelas que não os utilizam como as “PL”) por conta da freqüência que utiliza para se manter acesa dentro dos padrões para a qual foi fabricada.

Usar reator inapropriado para o tipo de lâmpada do sistema projetado afeta a cor da luz emitida e causa problemas sérios de desgaste antecipado da lâmpada (normalmente lâmpadas usadas com reatores inadequados ficam com as extremidades escurecidas após curto espaço de utilização). Tentativas de usar reatores inadequados sempre acabam em problemas.

Conceitos e Definições

Fluxo luminoso

Fluxo luminoso é medido em lúmens.

Exemplo: fluxo luminoso de um lúmen emitido pela fonte luminosa.

Lúmen

Símbolo: lm. Um lúmen é o fluxo luminoso dentro de um cone de 01 esforradiano, emitido por um ponto luminoso com intensidade de 1 candela (em todas as direções).

Lux

Lux (símbolo: lx) é a medida de iluminância e emissão luminosa usada como medida da intensidade percebida pelo olho humano da luz que atinge ou passa através de uma superfície. Não deve ser confundida com lúmen, pois serve apenas para traçar um padrão de modelo da percepção do olho humano para sua percepção de brilho luminoso.

Candela

Candela, em termos de radiação de corpo negro, é uma unidade medida por 1/60cm² de platina em ponto de fusão. O conceito foi definido em 1979 depois de se considerar que a comprovação do experimento possui alta dificuldade de realização.

Uma candela é a intensidade luminosa emitida por uma fonte, em direção determinada, de luz monocromática de freqüência 540 x 10 elevada à décima segunda potência de Hertz, cuja intensidade de radiação na direção determinada é de 1/683 Watts por esforradiano. Essa freqüência é percebida como luz verde, para a qual o olho humano possui a melhor capacidade de absorção.

Esforradiano

Esterradiano (símbolo: sr), ou esforradiano, é uma unidade de medida suplementar e padrão no Sistema Internacional de Unidades que serve para quantificar ângulos sólidos. O esforradiano é adimensional, dado que 1 sr = m²·m−2 = 1. É útil, contudo, distinguir as quantidades adimensionais de diferentes naturezas, daí que na prática o símbolo “sr” seja usado sempre que apropriado, em vez da unidade derivada “1” ou mesmo de nenhuma unidade. Por exemplo, a intensidade de radiação pode ser medida em watts por esterradiano (W·sr−1). Trata-se do equivalente tridimensional do radiano, sendo definido como “o ângulo sólido subentendido no centro da esfera de raio r por uma porção de superfície de área r2“.

 Dado que a área da superfície da esfera é 4πr², a definição implica que a esfera meça 4π esterradianos. No Brasil é usualmente designado por esferorradiano.

Representação gráfica de um esterradiano.

Watt

watt (símbolo: W), é a unidade do Sistema Internacional de unidades a um joule por segundo (1 J/s).

 Ampère

Ampère (A) é o nome dado à unidade de medida de intensidade de corrente elétrica aceita internacionalmente, e define a quantidade da força magnética entre dois condutores paralelos retos de tamanhos e em posições específicas. O nome da unidade de medição foi dado em homenagem ao físico francês que a criou.

Corrente elétrica

Corrente elétrica é o fluxo ordenado de partículas portadoras de carga elétrica, e a unidade padrão para medir corrente elétrica é o Ampère.

Freqüência de luz

Freqüência de luz é a quantidade de ondas eletromagnéticas do espectro luminoso que passa por determinado ponto por segundo (medida de tempo), e é medida em Hertz (Hz). A cor visível para os olhos do ser humano se encontra no espaço entre 430 e 750 trilhões de Hertz.

A quantidade de energia de determinada onda de luz tem relação direta com sua freqüência. Quanto mais alta a freqüência do raio de luz, mais energia contém.

Ondas de luz se movem em diferentes velocidades de acordo com o comprimento de sua onda. As de onda curta viajam mais rápido que as de onda longa em ambientes mais densos do que o vácuo, como a atmosfera da Terra.

Esse fato permite medir a refração (curvatura) de cada onda de luz.

Hertz

Para fins de radiação eletromagnética (luz), Hertz é a expressão da freqüência – número de oscilações elétricas e magnéticas perpendiculares por segundo.

Com o que foi exposto até este ponto, vê-se com facilidade que a aplicação de luz em aquários não é algo que se deva levar em conta como algo simples, e o bom andamento dos habitantes do corpo aquático projetado depende muito da luz a ser utilizada (tanto como tipo de fonte de luz quanto como quantidade e resultante de cor).

Tipos de lâmpadas

Fluorescente

Várias lâmpadas fluorescentes

São lâmpadas de formato tubular e suas denominações foram atribuídas de acordo com as medidas de seus diâmetros.

Há lâmpadas fluorescentes PL em vários formatos. Sua mais marcante característica é ter terminal em rosca, que se encaixa em soquete comum e dispensa uso de reator, por trabalhar em corrente e tensão iguais à de qualquer lâmpada de uso doméstico.

Dentre todos, é recomendável utilizar PLs fabricadas com a finalidade específica de uso em aquários.

Lâmpadas do tipo PC compactas

Lâmpadas tubulares de dois terminais são as mais comumente usadas em aquários, e as denominações dadas a elas são definidas por seus diâmetros.

T12 possuem diâmetro maior do que T8, que por sua vez têm diâmetro maior que T5.

Existem também fluorescentes “compactas”.

Todas precisam de reator específico para funcionar dentro dos padrões estabelecidos pelos fabricantes em relação à emissão de luz, principalmente no que tange à cor de luz produzida.

Existem diversos tipos de reatores, sendo que eles se adaptam às lâmpadas baseados em vários parâmetros, de acordo com seu requerimento em Watts, corrente e freqüência.

A forma como a lâmpada funciona com o reator determina se ela é do tipo comum (NO – do inglês “normal output”), HO (high output) ou VHO (very high output).

Lâmpadas fluorescentes têm boa durabilidade, são confiáveis, fáceis de instalar e usar, dispendem pouca energia elétrica se comparadas a lâmpadas HQI (do inglês Halogen Quartz Iodide – vapor metálico) e esquentam pouco o ambiente ao seu redor.

Seu problema é apresentar espectro de luz desequilibrado e emitir pouca quantidade de luz em comparação com lâmpadas HQI, mesmo considerando fluorescentes de alto fator como as T5 HO, atualmente muito em voga.

Lâmpadas T5 e representações de curvas de luz emitidas

Esse problema pode ser relativamente compensado usando-se lâmpadas fluorescentes que produzem diferentes colorações de luz, para que a resultante final que o aquário recebe seja adequada para a vida de seus habitantes.

A cor de luz resultante melhor aproveitada pelos invertebrados “fotossintetizantes” que se mantém em aquários é a verde.

Ou seja: a somatória de emissão de cor de luz de todas as lâmpadas de um aquário encontra seu ponto “ideal” quando a resultante é a cor verde.

A relação que se deve estabelecer é a que for o mais próximo possível para atender às necessidades dos corais e outros invertebrados que se valem de luz para atender suas necessidades metabólicas.

Com o que foi exposto até este ponto, percebe-se que a aplicação de luz em aquários não é algo que se deva levar em conta como algo simples, e o bom andamento da vida dos habitantes do corpo aquático projetado depende muito da luz a ser utilizada (tanto como tipo de fonte de luz quanto como “quantidade” e resultante de cor).

Lâmpadas PL

Usar reator inapropriado para o tipo de lâmpada do sistema projetado afeta a cor da luz emitida e causa problemas sérios de desgaste antecipado da lâmpada (lâmpadas usadas com reatores inadequados ficam com as extremidades escurecidas após curto espaço de utilização).

Tentativas de usar reatores inadequados sempre acabam em problemas.

LED

Do inglês Light Emmitent Diode, foram criadas na década de ’60 como indicadores em aparelhos elétricos e eletrônicos.

LED

Evoluíram ao ponto de se maximizar sua capacidade luminosa e ser possível diminuir sua dimensão, tornando possível instalar múltiplos LEDs num único emissor.

São semicondutores que emitem luz monocromática quando recebem corrente elétrica em forma de eletroluminescência (e por isso fogem um pouco do conceito tradicional da definição de “lâmpada”).

A cor emitida pelo diodo depende do tipo de material semicondutor utilizado e da sua temperatura de trabalho.

Produzem menos calor do que lâmpadas incandescentes.

A partir de 1999, LEDs com mais de 1 Watt de capacidade foram tornados possíveis devido ao agrupamento de muitas unidades em um único semicondutor. Em 2002 foram lançados no mercado LEDs que produziam entre 18 e 22 lúmens por Watt. Desse ponto em diante, foram introduzidos no mercado aquarístico.

Funcionam apenas com reatores específicos, de corrente contínua.

Um refletor com LEDs instalados e acesos

São confiáveis e bastante duráveis, mas ao contrário do que é propagandeado, não são eficazes por 30 ou 50.000 horas de uso. Como emissores de luz “útil” para aquários marinhos, devem ser substituídos a cada 2.000 a 3.000 horas de uso.

Além disso, LEDs utilizáveis para aquários marinhos são especificamente ajustados para essa finalidade. É muito pouco recomendável adquirir-se LEDs de baixo custo e adaptar um reator qualquer (já existem no mercado “lâmpadas” de LED com terminal em rosca para uso doméstico, que não usam reator).

Instalar esse tipo de LED em um sistema de recifes de corais imaginando que a luz emitida (muitas vezes colocada no rótulo da lâmpada) será aproveitada pelos habitantes do aquário é um erro, pois LEDs mudam a cor da luz emitida de acordo com sua temperatura de funcionamento. Sem o reator apropriado e o devido resfriamento dos LEDs, a cor da luz emitida fatalmente será alterada.

Considerando que luz é algo que pode ser medido por aparelhos chamados “luxímetros”, é interessante notar que nenhuma das fontes de luz citadas até este ponto neste artigo responde ao medidor (observação pessoal).

No entanto, na prática, esse tipo de luz “funciona” em aquários marinhos de recife de corais.

HQI 

 
 
 

Lâmpadas HQI com terminal em "rosca" e desenhos técnicos de outros formatos

Esse tipo de luz também usa reatores especiais e trabalham com tensão de 220V. Existem reatores nacionais e importados de 110V, mas são pouco utilizados por seu tamanho exagerado e aquecimento excessivo. Os importados costumam enfrentar problemas sérios devido à variação de tensão que ocorre comumente em muitos locais de nosso País, e apagam-se automaticamente sempre que a variação excede sua tolerância. Recentemente, uma empresa colocou no mercado reatores 110V mais modernos para HQIs no mercado brasileiro, e parece que funcionam a contento. Deve-se, no entanto, testar a combinação desses reatores com as lâmpadas para a devida aferição dos resultados, pois o reator afeta de maneira muito importante a luz emitida pela lâmpada.

Adaptar transformadores de tensão no reator da HQI para usá-lo em fonte de energia de 110V não é recomendável, pois geralmente o transformador termina queimado por não suportar a corrente elétrica necessária para o funcionamento da HQI (o transformador deve ser dimensionado de tal maneira que seja capaz de suportar o momento em que a lâmpada é acesa). Na prática, se for considerado o consumo gerado pela somatória do sistema HQI instalado e do transformador, a partir de certo ponto é mais econômico instalar um ponto 220V no quadro de luz do imóvel). 

As HQIs foram o diferencial que permitiu a aquaristas do final da década de 70, na Alemanha, fazer crescer corais até então considerados impossíveis de manter em aquários, como as famosas Acroporas, moluscos Tridacnas e outros animais que precisam de muita luz para viver.

Lâmpadas HQI de 2000K da renomada marca Aqualine Büshcke

Essas lâmpadas são encontradas em diversas configurações, emitindo luz desde 3000K, passando por4500K,  5000K, 6000K, 6500K, 10000K, 12000K, 14000K, 20000K, 22000K , e daí para diante. Existem lâmpadas HQI de 30000K e até mesmo 50000K.

Aparentemente, os fabricantes têm planos de produzir cada vez mais variedades de lâmpadas com “Ks” variados.

Quanto mais baixa a temperatura de cor indicada pelo “K” da lâmpada, mais luz ela emite na cor vermelha, sendo que as lâmpadas de 20000K são totalmente azuis.

A maior parte das HQIs pode ser encontrada em 70, 150, 175, 250, 400, 1000 e 2000 Watts.

Naturalmente, quanto maior o consumo da lâmpada, mais quantidade de luz emite.

Um dentre vários tipos de refletor para lâmpadas HQI

Para aproveitar o desempenho e distribuição do fluxo luminoso de cada lâmpada, pode-se usar como regra geral a tabela abaixo.

Consumo (Watt) Distância entre lâmpadas (cm) Coluna d’agua (cm)
70 50 40
150 e 175 50 a 60 50 – 55
250 60 a 70 60
400 80 70
1000 100 a 130 80 a 100
2000 130 a 180 120 a 130

O número de lâmpadas de cada sistema aquático afeta a quantidade de luz emitida, mas não a profundidade que a luz atinge, de maneira que o olho humano é enganado, pois muitas vezes parece que um aquário é imensamente iluminado porque possui muitas lâmpadas, enquanto na realidade os animais sésseis colocados diretamente sobre o fundo do aquário podem estar recebendo menos luz do que necessitam.

Lâmpadas HQI devem ser montadas em refletores apropriados, com lente de vidro temperado perfeitamente limpo, sem ranhuras ou partes escovadas. O formato interno do refletor afeta muito a forma como os animais do aquário recebem a luz emitida pela lâmpada. Portanto, não é qualquer refletor que serve para que se obtenha o melhor aproveitamento possível.

O vidro temperado protege os animais contra a parte agressiva da luz ultravioleta, e precisa ser temperado para suportar a alta temperatura de trabalho da lâmpada.

Considerações finais

Quanto mais luz os corais receberem, melhor. Dificilmente se consegue replicar em aquários a intensidade da luz do ambiente natural.

O importante a considerar é que em muitos casos os animais sésseis precisam ser adaptados à luz do aquário após adquiridos. A “aclimatação” dos animais em relação à luz é de tão grande importância que pode comprometer sua sobrevivência.

Quanto mais parecida com a luz do Sol for a curva espectral da luz emitida pela lâmpada, melhor será o aproveitamento de luz pelos animais habitantes do aquário.

Muitos animais mudam de cor ao serem colocados no aquário devido à diferença entre a luz a que estavam acostumados em seu ambiente de origem e a que recebem no aquário.

As cores dos corais, por exemplo, são em muitos casos determinadas pela luz que eles recebem, principalmente do espectro ultravioleta.

Uma foto de aquário iluminado por lâmpadas HQI 250 Watt 10.000K combinadas com fluorescentes VHO T12 azuis actínicas

Invisível para o olho humano, a luz ultravioleta provoca nos invertebrados sésseis “fotossintetizantes”  a produção de pigmentos protetivos contra a agressão que sofrem da luz. Isso é claramente observável em suas pontas de crescimento. É basicamente por isso que corais de pólipo pequeno têm seus “galhos” de uma cor e as pontas dos galhos de outra, ou até mesmo mais do que uma cor observável no mesmo espécime.

Existem enormes diferenças entre marcas e tipos de lâmpada no mercado. Ao invés de citar todos, fica apenas um alerta para que se evite usar lâmpadas HQI que não tenham sido especialmente produzidas para uso em aquários.                         

Lâmpadas de qualquer tipo sofrem desgaste toda vez que são acesas. A maior parte delas dispõe no rótulo sua durabilidade em horas, mas não contam com o uso específico para aquários. O simples fato da lâmpada continuar acendendo não implica no fato da luz emitida estar sendo devidamente aproveitada pelos animais sésseis do aquário.

É recomendável substituir as lâmpadas fluorescentes após 8 a 10 meses de uso. Elas sofrem grande decréscimo na quantidade de luz emitida no curso do tempo.

As HQIs, apesar de poderem ser usadas por muito mais tempo, devem ser trocadas a cada 10/12 meses.

Via de regra, quanto mais azul for a cor emitida por qualquer tipo de lâmpada, menor será sua vida útil para os habitantes do aquário.

O período diário de luz acesa sobre o aquário (fotoperíodo) determina a sua produtividade, afeta a taxa de crescimento dos corais e por conseqüência todo o microcosmo que o aquário representa.

O regime de fotoperíodo do aquário pode variar entre 10 a 14 horas por dia. Uma das formas de “imitar” o período de alvorada e por do Sol é fazer com que as luzes azuis acendam antes e apaguem depois das HQIs, ou brancas. Pode-se programar as lâmpadas azuis para acender cerca de 30 minutos antes das brancas e apagar 30 minutos depois.

A iluminação do aquário esquenta a água, e geralmente é necessário tomar providências em relação a isso. Aquários hermeticamente tampados correm o risco de sofrer aquecimento excessivo apenas pelo sistema de iluminação (mesmo com poucas lâmpadas), atingindo níveis de temperatura inadequados para a manutenção de peixes e corais.

Usando de bom-senso, escolhe-se o tipo e quantidade de luz a ser aplicados no sistema.

Existem diversas maneiras de mitigar o problema de superaquecimento, como usar ventoinhas, ventiladores e resfriadores (chiller).

Aquários iluminados exclusivamente por luz fluorescente comum (NO T12) permitem a manutenção da maioria dos corais moles, duros e até mesmo de corais de pólipos pequenos e tridacnas. É necessário, porém, levar em conta que a quantidade de luz que os animais receberão será bem menor do que a que recebiam antes, no ambiente natural.

Independente do tipo de iluminação escolhido é recomendável limpar vidros, refletores e mesmo as lâmpadas periodicamente.

Considerações sobre animais vindos de reprodução em cativeiro

É importante notar que as alterações morfológicas que corais normalmente sofrem em aquários ou tanques de reprodução controlada não produzem alterações na construção genética dos animais (que é o que criaria diferencial nas necessidades metabólicas de cada espécie de animal reproduzida em cativeiro).

Por fim, em matéria de eficiência e produtividade, levando em conta todas as opções de iluminação disponíveis no mercado atual, o tipo de luz que mais se aproxima da luz natural é a de lâmpadas de vapor metálico (HQIs).

Clique nos links abaixo para ler esta série de artigos na ordem apropriada:

Parte I: https://ricardomiozzo.wordpress.com/2010/09/01/tecnologia-em-excesso-parte-i-desnitrificacao/

Parte II: https://ricardomiozzo.wordpress.com/2010/09/09/fosfatos/

Parte III: https://ricardomiozzo.wordpress.com/2010/09/14/tecnologia-em-excesso-parte-iii-agua-qualidade-movimento-interno-e-trocas-parciais/

Aclimatação e tratamentos para peixes marinhos

leave a comment »

Peixes marinhos recém importados podem apresentar problemas em relação à sua aclimatação e adaptação a aquários.

O intuito deste artigo é resolver alguns problemas a respeito de como aclimatar e eventualmente tratar peixes recém importados, adquiridos em lojas ou recebidos por outra via qualquer.

O mesmo procedimento aqui colocado pode ser levado a cabo pelo aquarista quando compra um peixe em qualquer loja. Basta apenas adequar os volumes de água considerados.

 Bateria” de lojas ou em casa

Normalmente, as lojas recebem peixes dos importadores.

Para manter seus animais em boa condição, deve-se ter em mente alguns pré-requisitos, considerando a natureza desses animais.

Para atingir um ponto razoável de manutenção, é necessário ter aquários de água salgada com algumas características.

São elas:

A água onde se soltarão os peixes após a aclimatação deve ter a melhor qualidade possível. Para tanto, é preferível que a água seja “nova”. Por água nova entenda-se água preparada com sal sintético e filtrada por osmose inversa ou água natural do mar previamente tratada com préfiltro micrônico e mínimo de três dias passando por filtro UV, e que tenha recebido menos do que três “cargas” de peixes. (Além disso: em que se tenha efetivado troca parcial de água mínimo de 50% a cada “carga” de peixes recebida.)

Ou seja; a cada vez que um determinado corpo de água recebe peixes, mesmo que perfeitamente aclimatados, ocorre na água liberação de diversos compostos líquidos e sólidos.

As tentativas de adaptação dos peixes ao alimento oferecido pelo lojista também concorrem para poluir a água.

Água transparente está longe de ser sinônimo de água limpa.

A água deve ter pH estável em torno de 8.0 e densidade de 1.020 a 1.025.

Os nitratos e fosfatos devem estar o mais baixos possível, e absolutamente não deve haver amônia/amônio ou nitritos detectáveis.

Deve haver excelente movimentação de água no aquário, pois isso ajuda a oxigenar a água e mantê-la estável em relação ao pH.

Devem existir compartimentos no aquário hospital ou bateria, a fim de proteger espécies de peixes que podem ser atacadas por outras( se houver mais do que um peixes sendo quarentenado ou tratado ao mesmo tempo).

O aquário deve ser meticulosamente limpo, de preferência todos os dias. Caso exista um compartimento de filtros inferior (sump), é necessário que também seja muito limpo.

A esse aquário, chamamos “bateria” (ou aquários hospital domésticos), termo que passaremos a utilizar a partir deste ponto.

Uma observação; lojas deveriam ter aquários hospital.

É muito melhor tratar peixes em aquário hospital em local reservado, com pouco movimento de pessoas para evitar ainda mais estresse a que o(s) peixe(s) já está(ão) sendo submetido(s) por conta da doença. 

As dimensões e quantidades de baterias podem afetar o resultado final, pois soltando-se peixes de uma mesma carga em mais do que uma bateria dilui o risco de apenas um peixe infectar todo os outros. O ideal é ter mais de uma bateria e, além delas, um aquário hospital.

A bateria precisa forçosamente ter um sistema de filtro “biológico” eficaz, pois recebe grande carga biológica de tempos em tempos. Passa  do estado de praticamente vazia a cheia de animais em apenas 24 horas, por isso o processamento de poluentes, sem que possa haver sobras ou picos de NH3/NH4 e NO2, tem que ser rápido e eficaz.

Deve-se usar potentes fracionadores de proteínas (skimmer) em baterias. Seu uso só traz vantagens, pois remove poluentes da água antes do processo de mineralização ocorrer, facilitando muito o trabalho do filtro biológico.

 Aclimatação

Aclimatação é o processo de tirar o peixe de sua embalagem e colocá-lo na bateria. Esse procedimento deve ser feito cuidadosamente e o sucesso com os peixes pode vir exatamente desse ponto.

Os peixes passam por longas viagens até chegarem às lojas, e isso afeta seu metabolismo e a própria água onde estão embalados. A melhor maneira de adaptá-los novamente às condições padrão da água do mar será relatada a seguir. São necessários alguns itens a fim de fazer esse serviço.

1 – Balde ou outro recipiente de plástico atóxico muito limpo

2 – Tamponador marinho pH 8.0

3 – Aquecedor de água com termostato

4 – Água doce filtrada por osmose inversa seguido ou não de deionisador

5 – Pequena bomba submersa ou compressor de ar

Antes dos peixes chegarem, uma quantidade de água deve ser preparada no balde, pois ali eles receberão um banho rápido. Por isso, antes do banho eles já estarão aclimatados à água da bateria.

Coloca-se a água no balde, liga-se o aquecedor para a mesma temperatura da  água da bateria e coloca-se a bomba ou compressor para trabalhar no recipiente. Adiciona-se tamponador até a água atingir o pH adequado.

Geralmente, pouco tamponador resolve o problema, pois a água do filtro de RO não possui dureza alguma. Deixar o balde/recipiente em local de fácil acesso, pois será usado imediatamente após a aclimatação.

A aclimatação:

Os peixes devem chegar embalados um a um, e reunidos num recipiente apropriado, preferencialmente raso.

Solta-se os peixes juntos até atingir uma densidade de não mais de um peixe para cada dois litros de água. Eles devem ser soltos no balde/recipiente com mesma água em que foram embalados. Deve-se tomar muito cuidado para não misturar água “esbranquiçada” que venha com qualquer peixe à água dos demais. Se um peixe estiver em água esbranquiçada dentro do saquinho, deve ser cuidadosamente removido da embalagem e colocado com os outros diretamente no balde/recipiente. A água esbranquiçada deve ser imediatamente descartada.

Coloca-se no recipiente uma pedra porosa ligada a um pequeno compressor de ar. Isso ajuda a misturar a água e enriquecer o teor de O2 da água.

Efetua-se teste de pH na água em que os peixes chegaram.

Uma mangueirinha de água que colete água da bateria deve ser instalada e, com um regulador de ar de plástico, a água que corre pela mangueirinha deve verter aos poucos na água em que os peixes estão soltos.

A cada 5 minutos, novo teste de pH deve ser efetuado na água em que estão os peixes. O pH deve subir bem lentamente, à  taxa de 0,1 pH a cada 5 minutos.

Se o pH estiver consistentemente baixo, deve-se aumentar um pouco o fluxo de água da mangueirinha para o recipiente dos dos peixes.

Se estiver subindo rápido demais, deve-se diminuir o fluxo para evitar choque de pH. Dependendo da diferença de pH entre a água dos peixes e a da bateria, o processo pode ser demorado. Paciência é a palavra chave, pois esse momento é crucial.

Quanto melhor for feita a aclimatação, melhor os peixes responderão, começando a aceitar alimento mais rapidamente e se adaptando melhor ao aquário.

A cada vez que se observar que o volume de água no recipiente onde os peixes estão sendo aclimatados aumentar em 40 a 50%, deve-se retirar o excesso e manter o volume de água original. Isso evita que a aclimatação demore tempo demais por causa do maior volume de água do recipiente.

Quando a água do recipiente que contém os peixes estiver em pH 8.0, os peixes podem passar por um rápido banho de água doce de até 3 minutos, com exceção dos pequenos demais e algumas espécies que não toleram esse procedimento. Peixes com menos de 4 cm devem ficar no banho por período máximo de 2 minutos.

 Tratamentos

Existem basicamente dois tipos de remédios eficazes para peixes de água salgada. Um deles é Quemicetina (Cloranfenicol). Toda vez que peixes aparecem com manchas grandes brancas pelo corpo, ou apresentam as nadadeiras recolhidas, dando a eles aspecto “murcho”, devem ser recolhidos para o aquário hospital e iniciado o tratamento.

Prestar atenção aos sinais que o peixe apresenta é muito importante, pois o antibiótico trata o peixe contra bactérias, e em condições de aquário elas se reproduzem com muita velocidade.

Num aquário de 150 litros, pode-se dosar 500 Mg de Quemicetina durante 7 dias.

Os peixes normalmente se apresentam bem melhor que inicialmente em menor período, mas é importante fazer o tratamento até o fim. Peixes palhaço se beneficiam especialmente desse tratamento, pois os problemas que esses peixes mais apresentam está relacionado a uma bactéria. O tratamento impede que o peixe seja comercializado imediatamente após chegar, mas garante sua sobrevida.

É muito comum que palhaços só apresentem sintomas de infecção por bactérias até mesmo alguns dias após chegarem, por isso é importante tratar – mas apenas se aparecer algum sintoma.

Bacteremias podem ser sinal de enfraquecimento do sistema imunológico do peixe por decorrência de infecção parasitária pré existente. Os cuidados com animais nesse estado devem ser redobrados, pois tratá-los contra parasitismo e bactérias ao mesmo tempo é complicado.

Se o animal adquirido apresentar sintomas de infecção bacteriana e já estiver no aquário, deve ser removido para o tratamento. Nunca se deve dosar qualquer remédio no aquário. 

O outro produto é à base de sulfato de cobre. Como exemplo, existe o “Cupramine”.

1 – Na bateria de peixes nacionais tudo deve estar limpíssimo e com temperatura de 28oC aproximadamente.
2 – Usar Cupramine e um teste de cobre eficiente para não superar a concentração de remédio na bateria (ou aquário hospital), nem deixar que ela caia abaixo do necessário (cerca de 0,3ppm CuSO4).
3 – Nunca usar rede para pegar o peixe doente pois ele pode se machucar ainda mais no processo.
4 – Preparar um recipiente limpo e de material inerte com água doce filtrada por osmose inversa a 28oC. Tamponar a água para que ela fique com pH 8.0 ou um ligeiramente acima. Antes de colocar o peixe na bateria assim que ele chega na loja (ou no aquário assim que ele chega da loja), deve-se dar um banho de água doce de 2 minutos no peixe, nesse recipiente. Isso fará com que a maior parte dos parasitas que estão no corpo dele se desprendam. Provavelmente ele chegará ao ponto de “deitar” no fundo do aquário e parecer que morreu.
5 – Retirar do recipiente e passá-lo para a bateria (ou aquário).
6 – Pingar lentamente 50% da dose recomendada na bula do remédio para o volume de água da bateria ou aquário hospital (Nunca dosar remédio no aquário!!!).
7 – Esperar 30 minutos e efetuar outro teste de Cobre.
8 – Se o nível de CuSO4 estiver abaixo de 0,3ppm, pingar mais 1/4 da dose recomendada.
9 – Esperar mais 30 minutos e repetir o teste.
10 – O tempo entre as dosagens é necessário para que o produto dissolva na água não se erre a mão provocando superdosagem inadvertidamente, o que provavelmente mataria o(s) peixe(s).
11 – Verificar diariamente a salinidade e temperatura da bateria (ou aquário hospital).
12 – Efetuar testes de Cobre diariamente na bateria (ou aquário hospital).
13 – Oferecer alimento da melhor qualidade possível em pequenas doses para os peixes. Se eles não comerem, retirar o alimento da bateria depois de 10 minutos.
Por fim, acompanhar o tratamento com o máximo de dedicação possível.

Uma vez por ano, é recomendável promover o que chamamos de “vazio sanitário” na bateria.

O processo é simples:
Deixa-se a bateria (ou aquário hospital) sem nenhum peixe por um mínimo de 30 dias.
Ao final desse período, troca-se 100% da água. de uma vez só, mesmo.
Depois de 3 dias, recomeçar a colocar peixes.

Aplicando a dosagem indicada, o resultado é muito bom em quase a totalidade dos casos, combatendo parasitas nos peixes.

Curiosamente, existem peixes que se dão melhor e outros que respondem mal a certo tipo de remédio. Peixes que não recebem bem tratamento à base de cobre: Mandarim, Lionfish, Wrasse, Coris, tubarões, palhaços pequenos e gobídeos.

Uma última palavra sobre o aquário hospital; ele deve ser totalmente limpo e sua água extinta a cada tratamento com cobre ou antibiótico.

Para fazer isso, o filtro biológico deve ser removido e mantido funcionando em um balde de água com água do próprio aquário.

O aquário deve passar por limpeza meticulosa; se preciso, lavando-o todo com água doce, assim como todos os equipamentos usados. Depois disso, pode ser enchido com água e colocado para funcionar novamente.

Uso de “filtro Ultravioleta”

leave a comment »

Existem aquários em que é preciso tomar alguma providência a respeito de superpopulação, agentes infecciosos especialmente resistentes, ou algum parâmetro químico-físico da água. Uma das opções disponíveis é o filtro por ultravioleta. Um aparelho desse tipo funciona fazendo a água passar em torno de uma lâmpada que emite radiação ultravioleta, fatal para agentes infecciosos, algas, e outros potenciais perigos para o aquário. O fluxo de água e a capacidade do filtro são determinantes para o sucesso no uso desse tipo de aparelho.

Naso vlamingi, peixe que pode se beneficiar com o uso de filtro UV no aquário por conta da eliminação de eventuais agentes patogênicos na água proporcionada por esse tipo de aparelho

Basicamente,existem dois tipos de filtro de UV. Um deles faz a água entrar em contato direto com a lâmpada. O outro tem um tipo de luva que envolve a lâmpada UV (que deve ser de quartzo, pois luvas de vidro comum filtram os raios UV emitidos pela lâmpada, resultando em inutilidade total da aplicação do aparelho), portanto a água não entra em contato com a lâmpada. Esse tipo de filtro UV é mais caro por causa da luva de quartzo, e, afirmam muitos especialistas, mais eficaz do que o outro. O argumento a favor dos filtros com luva é que para a lâmpada UV emitir luz no espectro desejado, precisa funcionar a uma determinada temperatura, e a luva serve exatamente para não deixar a lâmpada trabalhar fora dessa temperatura. A lâmpada funciona na temperatura exata para a qual o filtro foi construído, emitindo UV mais eficaz. É fundamental manter a luva de quartzo limpa para evitar que a emissão de luz UV da lâmpada não seja prejudicada por sujeira acumulada na sua superfície.

Filtrar um determinado corpo de água significa livrá-lo de algo indesejável, tornando-o de acordo com os parâmetros químico-físicos desejados.

Para atingir esse ponto, temos que levar em conta a velocidade com que a água passa pelo filtro, qual sua capacidade de filtragem e comparar esses dados ao volume de água a ser processado.

P. Escobal, em seu livro em inglês “Aquatic Systems Engineering” (1996), permite-nos calcular, por intermédio de uma fórmula simples, em quanto tempo se pode processar toda a água de um aquário em determinado aparelho (bomba ou filtro), bastando para isso saber:

1) O volume do aquário (V)

2) A velocidade de processamento (B) do aparelho para obtermos quanto tempo levará para filtrar 99,99% da água do aquário.

Obs: Filtrar 99,99% da água é um dado atingido de acordo com cálculos apresentados pelo autor, que não fazem parte do escopo deste artigo, que assume o pressuposto de que filtrar 99,9% da água é mais do que suficiente para os propósitos do hobby. Para filtrar essa quantidade de água, Escobal chegou a um fator de 9,2. Na fórmula abaixo, temos:

T = 9,2 x (V/B)

T dará o tempo em horas que o aparelho utilizado gastará para processar 99,9% da água do aquário, permitindo uma base sólida para calcular qual tipo de aparelho usar em relação a seu consumo (filtros UV são vendidos com “capacidade” em Watts. Watt é medida de consumo, e não de potência), à sua potência e produção de agentes esterilizadores.

Exemplo 1: Um aquário de 1000 litros é processado por uma bomba de recalque trabalhando a 3000 litros de água por hora.

Quanto tempo a bomba demora em processar 99,9% da água do aquário ?

Utilizando a fórmula acima, temos: T = 9,2 x (1000 / 3000) T = 3,06 horas, ou, na prática, 3 horas. É importante levar em conta o fluxo real do aparelho considerado, e não o dado citado na caixa da bomba pelo fabricante. A maior parte dos fabricantes apresenta no rótulo vazão da bomba a 1 pé de altura. Por isso, e como cada montagem de aquário tem suas particularidades, é possível obter dado confiável apenas se o volume correto que a bomba apresenta seja considerado.

Esquema de uso de filtro por emissão de luz no espectro ultravioleta

O diagrama acima mostra uma bomba que leva água para dentro do filtro UV por meio de uma mangueira. A outra ponta da mangueira deve ficar submersa, pois se houver falta de energia elétrica, o filtro não fica vazio. Isso impede que a lâmpada queime quando a energia elétrica voltar. A medida necessária para eliminar o organismo desejado é dada em Microwatts por segundo por centímetro quadrado.

Bactérias são eliminadas entre 3.400 e 22.000 Mw/S/cm2; vírus, entre 6.800 e 440.000 e protozoários entre 6.600 e 200.000.

Com esses números, pode-se assumir que uma dose em torno de 50.000 Mw/S/cm2 é suficiente para eliminar a maior parte dos organismos indesejáveis da água de um aquário.

Por exemplo; Para eliminar um tipo de organismo que exige dose de 60.000 Mw/S/cm2 em um aquário de 750 litros, é necessário um filtro UV de 64 watts por onde a água passe à taxa de aproximados 990 litros por hora. Usando a fórmula apresentada para cálculo de tempo de fluxo apresentada no início deste artigo, teremos: T = 9,2 x (750/990) T = 6,97 ou quase uma vez a cada sete horas.

Considerando uma taxa razoável de eliminação de organismos indesejáveis a passagem de duas vezes o volume do aquário pelo filtro de UV a cada 24 horas, pode-se ligar à unidade UV um timer que a faça funcionar por 14 horas diárias, fazendo com que a lâmpada chegue a durar cerca de 40% a mais do que duraria se ficasse ligada o dia inteiro. Pode-se considerar, também, o uso de dois aparelhos de 30 watts, e aumentar em uma hora o tempo de funcionamento por dia para compensar a pequena diferença de 4 watts entre o consumo do aparelho de 64w e dos dois de 30w.

B. conspicullum, extremamente valorizado no hobby por seu extraordinário colorido. Não é, no entanto, uma espécie de peixe aconselhada para aquários que tenham moluscos e outros tipos de invertebrados que fazem parte de sua dieta rotineira.

Os cálculos tornados possíveis com o uso dessa fórmula facilitam a escolha do filtro correto, sendo muito importantes para “baterias” de lojas e quarentenas ou aquários hospitais.

Verificar com exatidão o fluxo real de água que passa pelo filtro é muito importante. Uma das maneiras mais simples de fazer isso é colocar um saco plástico vazio na saída da bomba de recalque do aquário, medindo o tempo que ela demora para enchê-lo. Colocando a água num recipiente que marque o volume, obtém-se resultado de forma simples. Multiplica-se o volume de água pelo tempo em segundos que passou até o saco plástico ficar cheio. Após o número obtido para litros por hora, é obtido o fluxo verdadeiro que a bomba está proporcionando. Esse dado é fundamental para que se possa aplicar a fórmula acima apresentada (usando posteriormente o mesmo valor) para chegar ao filtro UV e ao fluxo de água necessários ao sistema.

O uso apropriado dos cálculos apresentados neste artigo é fundamental para atingir os resultados necessários com o uso de filtro UV.

Deve-se levar em conta, porém, que filtrar a água usando um aparelho desse tipo tem como finalidade apenas esterilizar o corpo aquático desejado, tornando-o menos propenso a problemas nos organismos habitantes do aquário.

Filtro por ultravioleta não é remédio, mas medida profilática.

Não se deve usar filtro UV nas seguintes condições:

1 – Tratamento contra parasitas com remédio à base de cobre – apenas em aquários do tipo bateria de loja ou hospital – Jamais se deve dosar qualquer remédio no aquário, de qualquer natureza ou composição química.

2 – Tratamento com antibiótico para combater bactérias. O uso de medicamentos é prejudicado pelo filtro UV porque a radiação do filtro destrói o remédio na água, neutralizando sua aplicação. O uso de filtro UV para eliminar da água agentes agressivos aos habitantes do aquário é extremamente benéfico. A aplicação do filtro correto à necessidade de cada sistema é importante para que se use o aparelho adequado.

Uso de ozonizador

leave a comment »

O ozonizador é um aparelho que pode ser usado emergencialmente para aumentar o potencial redox de um aquário.

Em tanques de grande volume (acima de 2 a 3 mil litros) seu uso torna a água do aquário mais transparente (economizando no grande volume de carvão ativado necessário para aquários desse porte).

Os melhores ozonizadores possuem uma câmara de produção de ozônio lacrada, onde o ar que passa por dentro do aparelho recebe forte corrente elétrica, transformando-o, em parte, em moléculas de ozônio (O3).

O ozônio livre se combina com partículas de poluentes oxidando-as, interrompendo o processo de mineralização do sistema.

Esquema para uso de ozonizador em aquário. É importante instalar na saída do ozonizador uma válvula de ar de não-retorno para evitar que o aparelho receba qualquer quantidade de água caso ocorra alguma falha no sistema

Em geral, a maioria dos skimmers possui um adaptador para se encaixar a mangueira que vem do ozonizador, e como os próprios fabricantes de skimmers recomendam ser possível usar o aparelho para isso.

O modo mais correto de se dosar ozônio na água, no entanto, é usar um segundo skimmer no aquário, com a função de ser um “reator de ozônio”.

Ozônio faz mal a seres humanos e também aos habitantes do aquário (mesmo em pequenas doses), portanto deve-se colocar na saída de água do reator de ozônio certa quantidade de carvão ativado de boa qualidade, para impedir que ozônio residual vá para a água do aquário.

A quantidade de ozônio dosada é fator a ser seriamente considerado. Ozônio de menos resolve apenas parcialmente o problema, enquanto demais causa problemas muito sérios.

Dois exemplares de anêmona da espécie Entacmeae quadricolor

É recomendável usar ozonizador no aquário se houver uma precisa monitoração do nível de ORP, sem o que seu uso se torna mais perigoso do que útil.

O problema em relação a ozonizadores vai ainda além; existe uma relação muito íntima entre a temperatura, o pH e o ORP da água do aquário, de maneira que ozonizadores deveriam ser utilizados apenas se o sistema for provido de um aparelho capaz de medir esses três parâmetros em conjunto.

Só assim se pode ter certeza do ORP exato da água.

Aparelhos medidores de ORP que usam baterias para funcionar tendem a ser menos confiáveis.

Ozônio é útil em circunstâncias muito especiais, principalmente em aquários muito grandes, mas deve-se ter extremo cuidado com seu uso.

Se observada medição de ORP acima de 450 mV na água do aquário, deve-se diminuir imediatamente a dosagem de ozônio no sistema.

Ozonizadores de qualquer marca precisam receber ar seco (ao contrário do entorno do ambiente em que se encontram aquários) para que funcionem plenamente.

Um aparelho que receba ar úmido chega a ter a produção de ozônio diminuída em 50%, portanto deve-se usar um secador de ar entre o compressor de ar que alimentará o ozonizador e o próprio aparelho. O secador é um tubo plástico cheio de sílica gel que muda de cor à medida que fica saturado de umidade.

Aquecer a sílica gel em forno comum faz com que ela retome suas características secantes, podendo assim ser reutilizada. 

Reator de cálcio

leave a comment »

Cada aquário “se comporta” de uma maneira própria.

A carga biológica específica e a diversidade de seus invertebrados, por exemplo, podem tornar difícil a manutenção de reserva alcalina e cálcio do aquário em concentrações adequadas para os animais. 

Acropora spp. tipo de coral que se beneficia muito com o uso de reator de cálcio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na água do aquário, é recomendável manter Cálcio em forma livre (iônica) em torno de 380/420 ppm, e reserva alcalina em torno de 2,3 Meq./L. Esses são os parâmetros médios que encontramos em recifes de corais.

Esquema de Reator de Cálcio

 

A água do aquário entra por um pequeno tubo no reator e tem seu fluxo controlado de acordo com a necessidade e volume do aquário. Passa então a recircular no sentido das setas azuis repetidas vezes através do material calcário que deve ser muito bem enxaguado antes de colocado dentro do reator.

Como se injeta gás carbônico, que tem excelente solubilidade na água e faz com que seu pH baixe muito, é necessário controlar quanto entra de gás no sistema por intermédio de um regulador de gás, com uma válvula que permita aumentar ou diminuir o ingresso de CO2 no reator. A mistura de água do aquário com gás dentro do reator atinge pH baixo suficiente para dissolver o material calcário. Para quantificar o gás, usa-se um contador de bolhas; quanto mais bolhas injetadas no sistema, mais gás, e, portanto, maior a dissolução do composto calcário colocado dentro do reator. A água que sai do reator deve ter fluxo controlado, pois efetuando-se testes nessa água que se obtém subsídios para conhecer se a quantidade de gás injetada atende às necessidades do aquário.

Catalaphyllia jardinei, "Elegant Coral", coral duro de pólipo grande, que também se beneficia do uso de reator de cálcio no aquário

A vantagem do uso do reator de cálcio é que, usando-se o material calcário apropriado (de boa procedência e qualidade), além de cálcio, que deu nome ao aparelho, dissolve-se também uma série de outros elementos químicos que favorecem o desenvolvimento dos invertebrados do aquário. Mais importante do que quantificar bolhas por minuto é a taxa de cálcio e reserva alcalina do efluente do reator. 

Para que isso possa ocorrer, o aquarista tem que, antes, comprar o reator de acordo com o tamanho do aquário que possui. O volume do reator, a taxa de fluxo de água e a quantidade de gás são as variáveis que determinarão se o reator será capaz de atender à demanda do aquário

Também é importante saber a capacidade de água e material calcário do reator. Subdimensionar o reator causa deficiência nos resultados.

O desenho acima mostra apenas um tipo de reator, sendo que a grande maioria funciona dentro desse conceito.

Como fazer o reator funcionar de forma adequada

Seguir as instruções do fabricante em relação à instalação do aparelho, sabendo de antemão que, quanto melhor qualidade tiver o regulador de pressão, mais facilmente se manterá o fluxo de gás para o reator e de água que entra e sai do aparelho. O mais importante componente do sistema todo é, sem dúvida, o regulador de pressão, pois todos têm uma mola que dá a taxa de saída de CO2 da garrafa para o aquário. Se o regulador for de má qualidade, a mola  fica “frouxa” com o tempo, e se torna a regulagem do aparelho praticamente impossível. À medida que o tempo passa, o reator com regulador de baixa qualidade fica errático em relação à quantidade de CO2 liberado, e de vez em quando deixa passar gás demais ou de menos. O aquarista passa a ter de regular o CO2 repetidamente, inutilizando a razão de ter colocado o reator de cálcio para funcionar.

Mesmo reguladores de ótima qualidade, no entanto, sofrem ação da temperatura e pressão ambientes; se for instalado em local em que ocorram tempetaturas elevadas, o regulador liberará mais bolhas do que em temperatura mais baixa. Deve-se, portanto, verificar o contador de bolhas de vez em quando.

Quanto ao efluente do reator, que é o que enriquece a água do aquário nos elementos necessários:

Usar testes de boa qualidade para medir os teores de cálcio e reserva alcalina que saem da mangueirinha que vai para o aquário é essencial.

Se essas concentrações não forem satisfatórias, deve-se aumentar um pouco a quantidade de gás, e, ao mesmo tempo, o fluxo de água que vai para o aquário.

Depois do ajuste, aguardar cerca de dois dias, e testar o efluente novamente para Ca++ e Alcalinidade.

Fragmento de Pocillopora colocada em um aquário no mês de maio de 2000

O mesmo fragmento de Pocillopora no mês de novembro de 2000

O aumento de cálcio e reserva alcalina se dão lentamente. Não é boa prática colocar o reator para funcionar e esperar que os teores cheguem aos níveis desejados em uma semana.

Se após regular novamente, os teores obtidos nos testes forem baixos, deve-se aumentar a dosagem de CO2, mantendo o mesmo fluxo de água do reator para o aquário.

O processo deve ser repetido até que seja encontrada a quantidade de gás e de fluxo de água compatíveis para manter o aquário com os níveis desejados de Ca++ e Reserva Alcalina.

É de se chamar a atenção par o seguinte; os níveis de cálcio e reserva alcalina do efluente têm, obrigatoriamente, que ser muito mais altos do que os teores do aquário, para que possa ocorrer o acréscimo desejado nesses parâmetros.

Por observação pessoal (sem conhecer exatamente a razão) o potencial de oxirredução do aquário apresenta  elevação após a instalação de reator de cálcio. 

A água que sai do reator é bastante ácida, apesar de conter alto Ca++ e alta reserva alcalina, portanto é recomendável usar uma válvula solenóide com um timer ligados ao regulador de pressão de CO2, de forma que o gás só seja dosado no sistema durante o fotoperíodo do aquário. Isso impede que o pH da água do aquário sofra declínio excessivo durante a noite (a fim de evitar excesso de CO2 na água e eventualmente comprometer a concentração de oxigênio dissolvido na água, que pode prejudicar a respiração dos peixes e o metabolismo dos invertebrados).

Reator de cálcio deveria se chamar “reator de reserva alcalina” (parafraseando meu amigo Alexandre Talarico, um dos melhores aquaristas que conheço em todo o mundo, com quem tive a oportunidade de travar longas conversas a respeito deste fascinante hobby ao longo dos últimos vinte e tantos anos).

É um aparelho útil quando se tem grande consumo de cálcio e carbonatos e bicarbonatos por conta do crescimento rápido dos corais, ou em aquários de volume superior a 450/500 litros, mas deve-se tomar cuidado com sua regulagem.

A longo prazo, o reator custa mais barato do que manter o aquário à base de suplementos tamponadores.

Além disso, o reator pode ser regulado de tal maneira que não permita que o pH da água passe de 8,2 a 8,4 durante o dia, ponto a partir do qual pode ocorrer precipitação de Ca++ da água do aquário e consequente queda da alcalinidade.

Cuidado especial deve ser tomado em relação à quantidade de CO2 injetada no sistema, pois se o sistema apresentar alto teor de poluentes, pode ocorrer explosão de algas indesejáveis.

Se isso ocorrer, deve-se recomeçar o processo de dosagem, ou mesmo considerar a remoção do reator do sistema em caráter definitivo.

Dosar CO2 no reator durante o dia e kalkwasser à noite, não se perde os benefícios de dosar kalkwasser.

Potencial de Oxirredução – REDOX (ORP)

leave a comment »

O termo potencial redox ou valor redox é um acrônimo para potencial de redução-oxidação, em que a voltagem (medida em mili-Volts, mV) observada é produzida pela transferência de elétrons entre vários átomos e moléculas na água.

Átomos consistem de núcleos positivamente carregados (compostos de prótons e nêutrons), e uma região negativamente carregada (elétrons). Dados os mesmos números de prótons e elétrons, os átomos são eletricamente neutros. Se o número de prótons é maior do que o de elétrons, o átomo (ou a molécula), é positivamente carregado (cátion). No caso inverso, se há mais elétrons, o átomo (ou a molécula) tem carga total negativa (ânion).

Átomos e moléculas “se esforçam” para atingir uma condição que seja a mais estável possível (i.e.: de baixa energia). Se um átomo não atingie essa condição, a tendência é de que isso aconteça por ele doar ou receber elétrons. Como cargas elétricas não podem ser destruídas ou criadas, uma reação em cadeia deve estar sempre presente. Se uma molécula aceita elétrons, outra os estará doando. Por essa razão, redução e oxidação estarão sempre presentes em conjunto. A partícula que doa elétrons é oxidada no processo, enquanto a que os recebe é reduzida.

Portanto, oxidação é a liberação ou doação de elétrons, e é isso o que buscamos no meio aquático que mantemos.

Para medir ORP, vários tipos de eletrodos podem ser usados, mas em análise química só se leva em conta (usualmente) medições tomadas por sensores de contatos em prata (Ag/AgCl) ou platina (Pt/S.C.E.). O fenômeno ao qual chamamos de redox até agora não é correto do ponto de vista científico.

O termo potencial redox “original” foi medido numa solução de íon metal unimolar a 18 Graus Célsius por um eletrodo de platina cercado de hidrogênio, o chamado “eletrodo padrão de hidrogênio”. Arbitrariamente, a ciência alocou o valor de 0.0 mV. Todos os eletrodos (especialmente platina/calomel ou prata/cloreto de prata) também têm potencial relativo ao desse eletrodo, que deve ser adicionado ao valor medido de fato. O problema é que na literatura aquarística alguns valores são dados levando essa adição em conta enquanto outros não, então seria necessário esclarecer essa diferença antes de divulgar o dado. Apenas muito recentemente os potenciais “puros”, sem adição, foram tornados possíveis para o aquarismo. Por isso é importante sempre mencionar que tipo de eletrodo (sensor) se usa, a fim de salvaguardar a comparabilidade dos valores medidos.

Até certo ponto, o redox depende da temperatura, mas esse fator pode ser desprezado para fins de aquário (entre 24° C e 28° C).

Em relação ao pH, no entanto, a situação muda bastante. Quanto mais alto o pH, mais baixo o redox, e vice-versa. Teoricamente, a diferença por unidade de pH é de 57.7 mV, mas há exceções. Por exemplo, quando se mede o azul de metileno, muito usado em experiências em escolas; de pH 5 a pH 6, o valor de redox deveria cair 57.7 mV, mas o fato é que só se observa queda de 54 mV. De pH 6 para pH 7, a queda é de apenas 36 mV. Levando em conta a dependência do potencial redox sobre o valor de pH, um valor combinado, chamado de valor rH, é freqüentemente usado, e pode ser calculado da seguinte maneira (Baumeister 1990):

rH = mV/29 + (2xpH) + 6,67

Como o resultado da medição depende do valor do pH, devemos mencionar sempre que a informação do valor redox foi cotada a determinado pH e temperatura (por exemplo: 340 mV, eletrodo de platina, T=25° C, pH = 8.2).

Aquários marinhos com valor rH superiores a 26 estão em condição oxidativa considerada excelente.

De maneira geral, a condição do redox tem influência considerável na química e bioquímica da água, pois várias funções (como respiração) dependem dela. Em condição de alto teor de oxigênio dissolvido na água, os valores redox são altos, enquanto em caso de concentração baixa de O2, ou na sua ausência, processos redutivos são dominantes, como a respiração anaeróbica de bactérias. Contaminação (proteína de alimentos, excrementos) usualmente age de maneira redutiva, e água poluída sempre tem medidas de potencial redox bem inferiores à de água não poluída.

Medindo redox em aquários, a soma é tomada pelo eletrodo entre os processos redutivos e oxidativos, portanto o resultado é um saldo entre essas reações.

Em aquários marinhos, as medições mais usuais são entre 250 mV e 400 mV. Aquários com alto teor de nutrientes, com grande crescimento de algas daninhas geralmente apresentam leituras de ORP entre 200 mV e 300 mV. De acordo com artigos publicados (Wienandt 1992, entre outros), aumento do redox levou à eliminação de alga filamentosa e marrom em aquários de corais.

Dada essa observação, podemos intuir que se o aparelho medidor de potencial redox apresenta um “número” alto e o aquário está com algum problema de algas daninhas, a possibilidade do aparelho estar mostrando leitura incorreta é muito grande.

O valor redox pode ser aumentado pela adição de ozônio, controlado por um aparelho medidor de redox que permita o ajuste do ponto desejado pelo aquarista. Aquários operados com o uso de ozônio atingem redox de 450 mV ou até mais. Vale observar que ORP acima desse nível em condição de pH e temperatura consideradas normais para aquários marinhos pode causar problemas para os invertebrados e até mesmo para peixes.

Debaixo do filtro desnitrificador, o valor redox da água atinge entre –50 mV e –200 mV. Nessas condições há perfeita dissociação de NO3. Diminuindo-se ainda mais o valor redox, apenas Sulfatos são metabolisados ao invés de Nitratos, e se forma hidrogênio sulfídrico (venenoso e com cheiro de ovo podre).

H2S não representa problema nenhum até certo ponto, pois processos bioquímicos no aquário permitem que esse gás seja liberado de forma lenta na água, seguindo em direção da superfície, onde é liberado na atmosfera.

O uso de desnatador de proteínas e boa movimentação de água no aquário, aliados a alimentação criteriosa de seus habitantes, propiciam boas condições para se atingir níveis aceitáveis de redox.

Aparelhos medidores de redox deveriam sempre possuir medidores de pH e temperatura, pois dessa maneira o resultado obtido tem levado em conta todos os fatores que o afetam. A qualidade dos eletrodos disponíveis no mercado é muito variável, sendo aconselhado adquirir os de mais alta qualidade possível. Eletrodos devem ser limpos a cada 30 dias e recalibrados a cada seis meses, aproximadamente. Por trabalharem com condução de corrente elétrica, eletrodos sofrem desgaste. após serem calibrados várias vezes, eletrodos podem não apresentar medições estáveis. Nesse ponto, devem ser sustituídos por novos. Além disso, aparelhos medidores de redox devem preferencialmente ser alimentados por corrente elétrica estável. Medidores que funcionam com baterias são menos confiáveis do que os que funcionam ligados a tomadas elétricas com voltagem estabilizada, porque à medida que a(s) bateria(s) do aparelho se desgasta(m), existe a possibilidade da leitura apresentada não respresentar a “verdadeira” condição de ORP do aquário (por conta da menor corrente recebida pelos eletrodos).

Ao usar medidores de ORP, especial atenção deve ser dada a fugas de corrente de aparelhos elétricos na água do aquário. A energia “em fuga” afeta o medidor e pode levar o aquário a um desastre, se, por exemplo, estiver controlando um ozonizador.

Praticando-se o cálculo de valor rH da maneira descrita acima, chegamos a um resultado bastante estável a longo prazo. A observação de tendência de queda do valor rH indica que algo não está de acordo com o planejado, pois existe saldo favorável a reações redutivas em andamento. Procure pela causa da queda consistente de ORP.

Quando se efetua troca parcial de água no aquário, normalmente se observa repentina queda de ORP. Isso é normal, pois a água “nova” tem condições diferentes das do aquário, principalmente no que toca a sólidos dissolvidos. Água que sai de filtros de osmose reversa tem ORP muito baixa, e sal sintético demora até 3 dias para dissolver completamente na água. Quanto antes se usar água recém-preparada na troca, maior poderá ser essa queda de ORP. Para misturar a água ao sal, deve-se usar potente bomba de água e forte aeração. Dessa maneira, a água que entrará no aquário terá potencial redox alto o suficiente para não afetar muito o ORP.

ORP, portanto, é um número com o qual o aquarista mais preocupado vai lidar sempre. Por intermédio do uso de um bom aparelho medidor, pode-se observar frequentemente a condição de potencial redox do aquário e calculando o valor rH se obtém uma maneira de avaliar a “saúde” desse corpo aquático.

Apenas lembre-se que mais importante que os números é a condição que seus animais apresentam.

Não se iluda com aparelhos que lhe dizem que seu aquário vai mal, se seus bichos mostram diariamente estarem “felizes”, crescendo e se alimentando.

O inverso disso é perfeitamente válido; aquários com ORP alto no medidor e problemas com algas daninhas, por exemplo, indicam que quem está “errado” é o medidor, e não o aquário.

Bom-senso e manutenção adequada do aquário, além de skimmer de qualidade são os fatores mais importantes. Utilizando-se dessa prática, o uso de ozonizador é desnecessário. Qualquer que seja o aquário, se estiver bem equilibrado e for bem mantido, não precisa de ozonizador.

O ozonizador deveria ser considerado remédio, e não solução (para aquários com volume normalmente encontrados em residências, até 2.000 ou 3.000 litros). Aquários de volume maior podem utilizar ozonizador em um skimmer separado do “principal” do sistema, de maneira a funcionar como um reator de ozônio (boa alternativa ao uso de carvão ativado para tornar a água do aquário mais transparente).

%d blogueiros gostam disto: