Aquario Marinho

Aquarismo marinho

Peixes palhaço e anêmonas

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No artigo anterior ( https://ricardomiozzo.wordpress.com/2010/10/31/anemonas-e-peixes-palhaco/ ) conhecemos as anêmonas que se relacionam com peixes palhaço.

Neste, os peixes palhaço que se relacionam simbioticamente com elas no ambiente natural e no aquário.

Curiosamente, em aquários alguns peixes palhaço adotam mais anêmonas como lar do que no ambiente natural.

Isso demonstra a excepcional capacidade adaptativa desses animais.

Espécies e comportamento

Existem 28 espécies de palhaços reconhecidas pela Taxonomia, e a autora Joyce Wilkerson (1990) as coloca em grupos ou complexos.

"Long tentacle" abrigando casal de A. ocellaris em aquário

 

Esse agrupamento de espécies por tipos é interessante e útil, pois realmente existem claros níveis de parentesco muito próximo entre as espécies. Peixes palhaço são aparentados às donzelas, e todos pertencem aos Pomacentrídeos.

Uma das suas características das “donzelas” é  a agressividade e forte senso de território. As donzelas propriamente ditas costumam ser bem mais agressivas do que peixes palhaço. Para elas, o tamanho de um ser humano parece não afetar em nada a decisão de atacar o invasor ferrenhamente. 

Palhaços não são tão agressivos quanto as donzelas, pois seu senso de território parece engloba apenas o espaço imediatamente em torno da anêmona (cerca de um metro ao redor da anêmona); quando nos aproximamos deles, tendem a se refugiar profundamente entre os tentáculos da anêmona, comportando-se de forma bem diferente das donzelas.

Palhaços, assim como donzelas e Chromis spp., formam ninhos onde colocam seus ovos. O par fértil do grupo cuida muito atentamente dos ovos, e defende-os ferozmente. Os palhaços têm uma organização muito prática de grupo; numa anêmona, geralmente encontra-se um palhaço maior que os outros todos; é a fêmea fértil, responsável pela postura dos ovos.

A. percula em anêmona "Long tentacle" de coloração roxa em aquário

Normalmente, junto dela existe um palhaço bem menor, que é o macho fértil, reprodutor que fertiliza os ovos. A fêmea parece apenas suportar a presença desse macho por conhecer sua utilidade reprodutiva; ele, inclusive, é mantido pequeno e submisso por conta de safanões, bicadas e afastamentos aplicados pela fêmea toda vez que o considera exagerando em qualquer atitude.

Sem que seja danoso para sua saúde a longo prazo, o macho é mantido assim por questão de conveniência. Crescendo demais, a chance de que se transforme em fêmea é razoável. A existência de duas fêmeas numa mesma anêmona não é suportada pela dominante.

Na falta desta, o macho maior se transformará em fêmea fértil em apenas alguns dias. O maior palhacinho do grupo secundário da anêmona passará a ser aceito por essa nova fêmea, e assim se restabelece o grupo, assegurando a perpetuação da espécie.

Todos os palhaços, portanto, nascem machos. São mantidos assim por se alimentar de restos do par principal, e principalmente por serem apenas raramente aceitos pelo casal entre os tentáculos da anêmona; na maior parte do tempo, têm que se contentar em ficar em torno da base do invertebrado.

Esse local é bem menos seguro do que o espaço em que fica o casal, de forma que a vida de um palhacinho do grupo infértil é dura. Devido a esse interessante sinal de adaptação, não se pode assegurar que um palhaço capturado seja jovem; naturalmente um exemplar grande será uma fêmea. Palhaços pequenos, no entanto, podem ser adultos férteis ou não, bastando observar sua coloração. Em algumas espécies o juvenil apresenta coloração diferente do adulto.

Mas, baseando-nos apenas nisso, é impossível determinar se um espécime tem um, dois ou mais anos de vida. Por causa disso, é recomendável palhaços sejam comprados apenas em fase juvenil. Pequenos palhaços são ofertados aos milhares em todos os importadores. Criadores desse peixes também costumam ofertá-los em quantidade e qualidade muto boa atualmente.

Entacmaea quadricolor abrigando em aquário uma variedade "panda" de A. ocellaris criada em cativeiro

Os palhacinhos são, talvez, o maior sucesso do aquarismo marinho, e razão da montagem de muitos aquários. A disponibilidade de animais criados em cativeiro nos dias atuais dispensa a aquisição de casais formados de peixes palhaço selvagens. A possibilidade de comprar um casal fértil selvagem apresenta certa pressão sobre a espécie no ambiente natural.

Devido a essa preocupação, várias empresas ao redor do mundo e no Brasil desenvolveram técnicas apropriadas de reprodução em cativeiro, e hoje oferecem peixes de excelente qualidade. As últimas novidades do mercado são espécimes raros e/ou desenvolvidos por cruzamento em criatórios, o que torna o hobby ainda mais rico e interessante.

Há mais de 30 anos se cria palhaços em cativeiro. No início, o tipo do animal era geralmente bastante desvirtuado. Palhaços completamente fora do padrão da espécie eram comuns, talvez pela excessiva consangüinidade. Hoje, no entanto, isso é passado; atualmente pode-se comprar palhaços absolutamente perfeitos em tipagem e coloração.

Os complexos de espécies Palhaços compõem 28 espécies. A. leucockranos foi reclassificado como um híbrido e não espécie propriamente dita. Normalmente há mudanças como essa na classificação, e neste artifgo foi adotada a que consta em Joyce Wilkerson, publicada em 1990.

Complexos e grupos

 Existem agrupamentos na classificação pois as espécies são interrelacionadas. Os complexos são; Percula, com duas espécies, Tomate, com cinco, Skunk, com seis, Clarkii, com onze, Saddleback, com três e Maroon, com uma.

O complexo Percula contém Amphiprion percula e A. ocellaris.

A. ocellaris selvagem

Ocorrem em colorações que vão do laranja forte ao amarelo alaranjado. Adultos crescem até 8 centímetros de comprimento, sem contar a cauda. A. percula e A. ocellaris são freqüentemente confundidos, mas há certas diferenças visíveis; percula tem geralmente listras negras mais grossas, de contornos menos definidos, e ocellaris possui na cauda um ocelo claramente observável. A cauda de A. percula não forma o ocelo, mas uma estrutura ovalada que interrrompe a cor da última listra negra. Associam-se a anêmonas com certa dificuldade, sendo que as mais prováveis são anêmonas importadas carpete e H. magnífica – por coincidência as mesmas a que se ligam no mar. São animais fáceis de manter e muito vorazes; aceitam bem artêmia salina, que ajuda a manter sua coloração bem vívida, e também alimentos preparados, flocos e peletizados. A. percula costuma ser mais delicado; às vezes ocorrem mortes súbitas mesmo em indivíduos antigos em aquários. A razão parece ser uma maior propensão a doenças de fundo bacteriológico.

Os “tomates” compõem 5 espécies; A. frenatus, A. melanopus, A. rubrocinctus, A. ephippium e A. mccullochi, este último muito raro em lojas. São peixes que chegam a 11 centímetros de comprimento, e costumam ser bastante agressivos.

Amphiprion frenatus

 

Variam de coloração laranja avermelhada forte até o preto total (A. mccullochi), com aspecto corporal arredondado e apenas uma lista vertical branca após o olho, antes do opérculo. Muito popular entre aquaristas, o tomatinho é muito resistente. Aceita rapidamente flocos e outros alimentos. Atacam-se mutuamente mesmo quando jovens, demonstrando sua natureza belicosa desde cedo. Após a colocação de um tomate no aquário, é raro poder-se colocar outro palhaço, mesmo que seja um outro tomate. Crescem rápido e atingem maturidade em menos de um ano. Postura de ovos em cativeiro é fato comum.

O complexo Skunk é composto de muitas espécies; A. akallopisos, A. perideraion, A. sandaracinos, A. nigripes, A. leucokranos (provável híbrido, e não espécie) e A. thiellei.

Na ausência de anêmona no aquário, é muito comum a associação de um peixe palhaço a outro invertebrado, como neste caso um espécime de A. ocellaris junto a uma T. derasa

A característica mais marcante dos componentes deste complexo é uma lista branca que corre por todo o dorso do peixe; vai geralmente desde o focinho até a base da cauda. Chegam a 11 cm de comprimento. São animais ativos e resistentes, mas demonstram desde cedo boa dose de agressividade. O mais delicado é o pink skunk.

Amphiprion nigripes

Todos aceitam rapidamente alimento do aquarista. A coloração geral do corpo varia de laranja pálido até rosa pálido alaranjado. Possuem corpo relativamente alongado em relação aos anteriores, e não crescem tão rápido quanto tomates.

O complexo mais numeroso em espécies é o dos Clarkii. Composto por A. clarkii, A. akindynos, A. allardi, A. bicinctus, A. chagosensis, A. chrysopterus, A. omanensis, A. latifasciatus, A. chrysogaster, A. fuscocaudatus e A. tricinctus. Muitos são raros em lojas, como o interessantíssimo A. omanensis, que só ocorre em Oman. De todas as espécies de palhaços, este complexo apresenta a mais interessante diferença; tanto o macho quanto a fêmea atingem o mesmo tamanho. São peixes de coloração vívida que varia desde o amarelo com branco e preto até cor de laranja, preto total e amarelos de tons variados. Chegam a 11 cm de comprimento. São bastante agressivos; se nas outras espécies normalmente se encontra apenas um exemplar grande por aquário – a fêmea – neste complexo serão ao menos dois. Isso dobra a força bruta do par. Introduzir um peixe, esperar que cresça e colocar outro da mesma espécie é um erro comum e às vezes fatal com essas espécies. Talvez por confiar na capacidade da dupla, são palhaços que nadam muito para os parâmetros da família; costumam patrulhar o aquário todo, afastando-se bastante de sua anêmona. Todo cuidado é pouco com aquários pequenos e mais do que uma espécie de palhaço, quando se tem um exemplar destas espécies.

O complexo saddleback é composto de A. polymnus, A. latezonatus e A. sebae. A. sebae, apesar de sua aparente semelhança com o complexo anterior, tem muito mais a ver com este. São peixes que chegam a 12 cm de comprimento. São extremamente agressivos e ativos. Um par de A. polymnus não raramente ataca todo e qualquer peixe, independente de tamanho, que chegar a menos de 20 ou 30 cm de sua anêmona. Sua forte mordida, decorrente de sua dimensão avantajada, tira pedaços de barbatanas e nadadeiras de outros peixes.

Ampriprion polymnus

Difícil de formar pares, é muito comum observar-se a morte de um pelo outro quando se tenta parear dois espécimes. São peixes de corpo acentuadamente alongado, que varia de fundo branco ou amarelo forte até apenas branco com preto. Importante notar que, talvez por sua agressividade, são também muito desconfiados, mais que qualquer outras espécies de palhaços. 

Amphiprion clarkii

O último complexo é o dos maroons. Existe apenas uma espécie, Premnas biaculeatus, em duas formas diferentes; uma tem as litras do corpo amarelas, meio douradas. A outra apresenta riscas brancas. marrons são tão diferentes dos outros palhaços que não foram classificados como Amphiprion, mas Premnas. A diferença fundamental é o espinho que apresentam na base de cada opérculo.

Este palhaço é o mais belicoso dentre todos; atinge grandes proporções, chegando a 13 centímetros. Em muitos casos, adota corais como hospedeiros e esfrega-se tão violentamente no invertebrado que acaba por romper seus tecidos moles e matá-lo. Sua personalidade forte, no entanto, aliada a sua coloração e formato atraentes, faz deste peixe um grande sucesso entre aquaristas.

Premnas biaculeatus "golden"

Peixes palhaço possuem ainda a facilidade de possuir territórios relativamente pequenos, chegando geralmente apenas ao entorno de sua anêmona, tornando praticamente qualquer aquário um lar em potencial.

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