Aquario Marinho

Aquarismo marinho

Reator de cálcio

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Cada aquário “se comporta” de uma maneira própria.

A carga biológica específica e a diversidade de seus invertebrados, por exemplo, podem tornar difícil a manutenção de reserva alcalina e cálcio do aquário em concentrações adequadas para os animais. 

Acropora spp. tipo de coral que se beneficia muito com o uso de reator de cálcio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na água do aquário, é recomendável manter Cálcio em forma livre (iônica) em torno de 380/420 ppm, e reserva alcalina em torno de 2,3 Meq./L. Esses são os parâmetros médios que encontramos em recifes de corais.

Esquema de Reator de Cálcio

 

A água do aquário entra por um pequeno tubo no reator e tem seu fluxo controlado de acordo com a necessidade e volume do aquário. Passa então a recircular no sentido das setas azuis repetidas vezes através do material calcário que deve ser muito bem enxaguado antes de colocado dentro do reator.

Como se injeta gás carbônico, que tem excelente solubilidade na água e faz com que seu pH baixe muito, é necessário controlar quanto entra de gás no sistema por intermédio de um regulador de gás, com uma válvula que permita aumentar ou diminuir o ingresso de CO2 no reator. A mistura de água do aquário com gás dentro do reator atinge pH baixo suficiente para dissolver o material calcário. Para quantificar o gás, usa-se um contador de bolhas; quanto mais bolhas injetadas no sistema, mais gás, e, portanto, maior a dissolução do composto calcário colocado dentro do reator. A água que sai do reator deve ter fluxo controlado, pois efetuando-se testes nessa água que se obtém subsídios para conhecer se a quantidade de gás injetada atende às necessidades do aquário.

Catalaphyllia jardinei, "Elegant Coral", coral duro de pólipo grande, que também se beneficia do uso de reator de cálcio no aquário

A vantagem do uso do reator de cálcio é que, usando-se o material calcário apropriado (de boa procedência e qualidade), além de cálcio, que deu nome ao aparelho, dissolve-se também uma série de outros elementos químicos que favorecem o desenvolvimento dos invertebrados do aquário. Mais importante do que quantificar bolhas por minuto é a taxa de cálcio e reserva alcalina do efluente do reator. 

Para que isso possa ocorrer, o aquarista tem que, antes, comprar o reator de acordo com o tamanho do aquário que possui. O volume do reator, a taxa de fluxo de água e a quantidade de gás são as variáveis que determinarão se o reator será capaz de atender à demanda do aquário

Também é importante saber a capacidade de água e material calcário do reator. Subdimensionar o reator causa deficiência nos resultados.

O desenho acima mostra apenas um tipo de reator, sendo que a grande maioria funciona dentro desse conceito.

Como fazer o reator funcionar de forma adequada

Seguir as instruções do fabricante em relação à instalação do aparelho, sabendo de antemão que, quanto melhor qualidade tiver o regulador de pressão, mais facilmente se manterá o fluxo de gás para o reator e de água que entra e sai do aparelho. O mais importante componente do sistema todo é, sem dúvida, o regulador de pressão, pois todos têm uma mola que dá a taxa de saída de CO2 da garrafa para o aquário. Se o regulador for de má qualidade, a mola  fica “frouxa” com o tempo, e se torna a regulagem do aparelho praticamente impossível. À medida que o tempo passa, o reator com regulador de baixa qualidade fica errático em relação à quantidade de CO2 liberado, e de vez em quando deixa passar gás demais ou de menos. O aquarista passa a ter de regular o CO2 repetidamente, inutilizando a razão de ter colocado o reator de cálcio para funcionar.

Mesmo reguladores de ótima qualidade, no entanto, sofrem ação da temperatura e pressão ambientes; se for instalado em local em que ocorram tempetaturas elevadas, o regulador liberará mais bolhas do que em temperatura mais baixa. Deve-se, portanto, verificar o contador de bolhas de vez em quando.

Quanto ao efluente do reator, que é o que enriquece a água do aquário nos elementos necessários:

Usar testes de boa qualidade para medir os teores de cálcio e reserva alcalina que saem da mangueirinha que vai para o aquário é essencial.

Se essas concentrações não forem satisfatórias, deve-se aumentar um pouco a quantidade de gás, e, ao mesmo tempo, o fluxo de água que vai para o aquário.

Depois do ajuste, aguardar cerca de dois dias, e testar o efluente novamente para Ca++ e Alcalinidade.

Fragmento de Pocillopora colocada em um aquário no mês de maio de 2000

O mesmo fragmento de Pocillopora no mês de novembro de 2000

O aumento de cálcio e reserva alcalina se dão lentamente. Não é boa prática colocar o reator para funcionar e esperar que os teores cheguem aos níveis desejados em uma semana.

Se após regular novamente, os teores obtidos nos testes forem baixos, deve-se aumentar a dosagem de CO2, mantendo o mesmo fluxo de água do reator para o aquário.

O processo deve ser repetido até que seja encontrada a quantidade de gás e de fluxo de água compatíveis para manter o aquário com os níveis desejados de Ca++ e Reserva Alcalina.

É de se chamar a atenção par o seguinte; os níveis de cálcio e reserva alcalina do efluente têm, obrigatoriamente, que ser muito mais altos do que os teores do aquário, para que possa ocorrer o acréscimo desejado nesses parâmetros.

Por observação pessoal (sem conhecer exatamente a razão) o potencial de oxirredução do aquário apresenta  elevação após a instalação de reator de cálcio. 

A água que sai do reator é bastante ácida, apesar de conter alto Ca++ e alta reserva alcalina, portanto é recomendável usar uma válvula solenóide com um timer ligados ao regulador de pressão de CO2, de forma que o gás só seja dosado no sistema durante o fotoperíodo do aquário. Isso impede que o pH da água do aquário sofra declínio excessivo durante a noite (a fim de evitar excesso de CO2 na água e eventualmente comprometer a concentração de oxigênio dissolvido na água, que pode prejudicar a respiração dos peixes e o metabolismo dos invertebrados).

Reator de cálcio deveria se chamar “reator de reserva alcalina” (parafraseando meu amigo Alexandre Talarico, um dos melhores aquaristas que conheço em todo o mundo, com quem tive a oportunidade de travar longas conversas a respeito deste fascinante hobby ao longo dos últimos vinte e tantos anos).

É um aparelho útil quando se tem grande consumo de cálcio e carbonatos e bicarbonatos por conta do crescimento rápido dos corais, ou em aquários de volume superior a 450/500 litros, mas deve-se tomar cuidado com sua regulagem.

A longo prazo, o reator custa mais barato do que manter o aquário à base de suplementos tamponadores.

Além disso, o reator pode ser regulado de tal maneira que não permita que o pH da água passe de 8,2 a 8,4 durante o dia, ponto a partir do qual pode ocorrer precipitação de Ca++ da água do aquário e consequente queda da alcalinidade.

Cuidado especial deve ser tomado em relação à quantidade de CO2 injetada no sistema, pois se o sistema apresentar alto teor de poluentes, pode ocorrer explosão de algas indesejáveis.

Se isso ocorrer, deve-se recomeçar o processo de dosagem, ou mesmo considerar a remoção do reator do sistema em caráter definitivo.

Dosar CO2 no reator durante o dia e kalkwasser à noite, não se perde os benefícios de dosar kalkwasser.

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