Aquario Marinho

Aquarismo marinho

Cianobactérias – causas e soluções

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A ocorrência de cianobactérias em aquários marinhos é um dos problemas mais comuns e ao mesmo tempo mais trabalhosos para se resolver.

Este artigo apresentará algumas causas prováveis do surgimento desse problema e proporá algumas soluções.

Definição

Cianobactérias não são algas.

São bactérias aquáticas unicelulares procariontes capazes de efetuar fotossíntese.

A maior parte das espécies é de água doce.

A Taxonomia as coloca entre bactérias de um tipo muito especial que abrigam algas simbiontes azuis – daí sua nomenclatura (Cyano = azul em latim).

No entanto, não são forçosamente azuis, podendo apresentar coloração esverdeada, verde azulada ou avermelhada, dependendo do pigmento que contém. Muitas espécies apresentam ficocioanina, que lhes confere a tonalidade que dá origem a sua nomenclatura e lhes possibilita realizar fotossíntese. Curiosamente, podem também conter Clorofila “A”, o mesmo pigmento de cor verde das plantas terrestres.

Cianobactérias e algas filamentosas se desenvolvendo sobre rochas em um aquário recém montado

Fósseis de cianobactérias datados de mais de 3,5 Bilhões de anos as colocam entre os primeiros habitantes “vivos” da Terra, e a elas é atribuída a produção de grande parte do oxigênio contido na atmosfera deste planeta.

São organismos extremamente adaptáveis e formam colônias pioneiras em sistemas marinhos.

Geralmente, o primeiro sinal visível de desenvolvimento de “vida” num aquário são Cianobactérias.

Podem apresentar formato arredondado, de bastonete, filamentos ou de pseudofilamentos.

Spirulina sp, por exemplo, é um tipo de cianobactéria extremamente valorizado como fonte de alimento por seu alto teor protéico.

Muitas outras espécies, no entanto, são tóxicas.

Estudos indicam a presença de várias toxinas em cianobactérias com potencial letal ao ser humano, como microcistinas, nodularinas, anatoxinas, saxitixinas, cilindrospermnosinas, lingbiatoxinas e aplisiatoxinas.

Sua reprodução se dá sempre por bipartição e é bastante rápida.

Apresentam construção celular com parede constituída por uma camada fina de citoplasma por fora da membrana celular, uma rígida composta por mureína, duas de polissacarídeos e algumas vezes uma espessa e gelatinosa. São

sempre gram-negativas.

Não possuem flagelos mas são capazes de se locomoverem por meio de fibras espiraladas na parede celular.

Algumas espécies são capazes de realizar quimiossíntese a partir de matéria orgânica usando sulfeto de hidrogênio quando em ambientes desprovidos de luz solar, geralmente em ambientes abissais marinhos.

Desenvolvimento de cianobactérias sobre as rochas de um aquário montado há mais de um ano

São responsáveis pela precipitação de carbonatos (principalmente de cálcio) em ambientes marinhos, onde geralmente não encontram predadores. À medida que a primeira colônia de cianobactérias sucumbe por não receber mais luz, uma vez que fica recoberta de carbonato precipitado, outra colônia se estabelece sobre a camada de carbonato. Isso dá origem a camadas bacterianas de coloração mais e menos escuras, mostrando a intercalação entre cada camada de carbonatos e de colônias de cianobactérias em decomposição. No curso de muitos anos, as estruturas assim formadas formam estromatólitos (de que existem registros de mais de 600 milhões de idade).

A taxonomia das cianobactérias está em revisão, sendo que sua classificação responde mais a critérios didáticos do que sistemáticos.

Evolucionariamente, são consideradas a ligação entre bactérias e algas.

Assumimos neste artigo a proposta de Cavalier-Smith de 2002:

Reino Bacteria

Subreino Negibacteria

Infrareino Glycobacteria

Divisão Cyanobacteria

Subdivisão Gloeobacteria

Classe Gloeobacteria

Ordem Gloeobacterales

Subdivisão Phycobacteria

Classe: Choobacteria

Ordem Choococcales

Ordem Pleurocapsales

Ordem Oscillatoriales

Classe Hormogoneae

Ordem Nostocales

Ordem Stigomematales

Ocorrência em aquários

Como no caso de muitas algas indesejáveis, cianobactérias precisam de dois fatores para proliferar de maneira descontrolada em aquários, a saber:

1 – Luz

2 – Nutrientes

Na ausência de luz cianobactérias são incapazes de reproduzir.

Início de desenvovimento de cianobactérias sobre o substrato de fundo num aquário recém montado

Mesmo na presença de “pouca” luz, comparada à necessidade dos corais e outros organismos capazes de realizar fotossíntese, ou até mesmo sob luz inadequada para corais e outros animais que realizam fotossíntese no aquário, elas são capazes de reproduzir – e o fazem rapidamente. Sua enorme adaptabilidade permite isso, e elas se aproveitem de qualquer oportunidade para se instalar no aquário.

Sem suficiente quantidade de nutrientes, no entanto, cianobactérias não conseguem se estabelecer (mesmo com a existência de fonte de luz inadequada).

Podemos concluir, portanto, que a ocorrência de cianobactérias num aquário recém montado é algo esperado, mas em aquários com mais de 60 a 90 dias de “idade”, em que tenha sido conduzida boa prática de manutenção com os equipamentos necessários (por exemplo: trocas parciais de água, skimmer potente, “maturação” das rochas e outros substratos de fixação de bactérias e sem inoculação de produtos químicos para “acelerar” o processo), sua ocorrência é indicação de má qualidade de água.

Soluções

Maturação do aquário

Durante a maturação do aquário, o tempo é quesito fundamental.

Se o aquário foi montado com rochas “vivas”, toda e qualquer superfície disponível será devidamente colonizada por micro ou macro organismos.

É, portanto, questão de paciência e disciplina do aquarista.

Um aquário recém montado é um ambiente “novo”, instável em relação a muitos parâmetros químicos da água, de forma que variações bastante drásticas no pH, dureza e teor de cálcio, amônia/amônio, nitritos, nitratos e outros nutrientes e poluentes são verificáveis.

O surgimento de cianobactérias em todo aquário recém montado deve ser encarado como fase natural e passageira.

Uma das maneiras possíveis de se evitar sua ocorrência é efetuar trocas parciais de água de proporções relativamente altas e freqüentes nos primeiros 60 ou 90 dias contados a partir da montagem do aquário. Esse procedimento ajuda a retirar poluentes da água e equilibrar o sistema, usando método pouco invasivo.

É recomendável deixar as luzes do aquário apagadas durante o período de maturação do aquário.

Além de evitar cianobactérias, o prazo de dois a três meses citado acima permite o desenvolvimento de populações de muitas formas de vida benéficas para o aquário, como anfípodas, copépodes, vermes e outros animais de diversas espécies. Muitas dessas formas de vida ajudam o sistema a se equilibrar, por consumirem matéria orgânica.

Já quando o aquário é montado usando substratos adequados (de composição calcária e isentos de fosfatos ou outro poluente) mas “não-vivos”, pode-se inocular o sistema efetuando-se trocas de água com uma parte proveniente de um aquário já equilibrado e estável, um pouco de substrato de fundo ou uma rocha “viva”.

Focos estabelecidos de cianobactérias em um aquário já montado a mais de um ano

Nesse caso, o processo de maturação do sistema pode demorar mais, mas fatalmente acontecerá. O procedimento de trocas parciais de água deve ser feito de maneira idêntica, sendo que o volume de cada troca pode ser diminuído quando se efetuarem testes na água e os resultados não apresentarem qualquer teor de amônia/amônio e nitritos. O pH da água, assim como sua reserva alcalina serão notadamente mais estáveis a partir desse ponto.

Nutrientes e poluentes

Na presença de luz e nutrientes como nitratos e fosfatos, a ocorrência de cianobactérias é muito provável.

Por poluentes, podemos entender qualquer tipo de composto não desejável, pelo seu potencial de prejuízo causado aos habitantes do aquário.

Matéria orgânica dissolvida

Todo composto orgânico, por definição, contém o elemento químico Carbono.

Partindo disso, depreende-se que é muito fácil encontrar matéria orgânica dissolvida em qualquer estágio de qualquer aquário, uma vez que sem compostos orgânicos a vida não é possível que se desenvolva qualquer tipo de vida.

O problema está na concentração de compostos orgânicos encontradas na água do sistema, do desempenho dos equipamentos utilizados e das práticas de manutenção adotadas pelo aquarista.

No início da “vida” do aquário, existirá fatalmente alto teor de compostos orgânicos. Já num aquário mais “velho”, cabe ao aquarista evitar o acúmulo de matéria orgânica, pela utilização de skimmer, prática de trocas parciais de água e uso de carvão ativado (para citar algumas formas de se reduzir a quantidade de compostos orgânicos dissolvidos).

Fosfatos, nitratos e outros compostos que sabidamente servem como elementos-base para a proliferação de algas são facilmente encontrados em aquários que sofrem falta de manutenção  adequada ou que, desde o início, não tenham recebido o conjunto apropriado de equipamentos.

O uso de água doce não filtrada até o ponto em que não contenha nitratos ou fosfatos representa perigo em médio e longo prazo. Como uma das formas de se resolver problema de acúmulo de fosfatos (principalmente) em aquários é por efetuar-se trocas de água (diluição), usar água que contenha fosfatos elimina essa possibilidade. O conseqüente acúmulo permanente de fosfatos na água acaba chegando a um ponto tal que não apenas cianobactérias se apresentam como um problema potencialmente grande, mas o comprometimento de todo o sistema de reserva alcalina,  tamponamento da água do aquário, do teor de cálcio e outros elementos importantes em sistemas de recifes de corais.

A partir de certo ponto, pode ocorrer uma reação em cadeia inevitável e extremamente danosa para os habitantes do aquário por conta do acúmulo de poluentes na água.

O surgimento de cianobactérias pode ser o primeiro sinal desse processo.

Nitratos não representam problema de grande porte, pois existem muitas formas de se montar sistemas em que nitratos se tornam indetectáveis. O aquário, nesses casos, “dá conta” de todo o nitrato produzido, e ocorre um benéfico estado de equilíbrio entre produção e consumo.

Iluminação inadequada e/ou deficiente

O emprego de lâmpadas inapropriadas para aquários marinhos pode ser uma das causas da persistência de cianobactérias no sistema, pois esses organismos são muito menos exigentes do que corais e outros animais “fotossintetizantes” quanto a esse quesito. A(s) fonte(s) de luz do aquário deve(m) ser de qualidade apropriada e as lâmpadas que constituem o sistema de iluminação utilizado devem ser trocadas por novas dentro do prazo estipulado de sua durabilidade. Lâmpadas acendem durante muito tempo, mas em aquários, possuem “vida útil” que deve ser respeitada.

Deficiência de iluminação causa problemas porque o aquário funciona tanto melhor quanto mais produtivo for o sistema. O ponto ideal é encontrado quando o aquário se torna autotrófico, e isso se dá apenas sob condição de luz potente.

Skimmer subdimensionado ou inexistente

Apesar de ser possível manter aquários sem skimmer, esse produto é verdadeiramente formidável para a saúde do aquário, uma vez que retira da água poluentes e compostos nitrogenados antes que estes últimos iniciem o processo natural de mineralização pelo qual passariam. O skimmer ajuda numa série de outros problemas, como por exemplo na melhora do potencial redox da água do aquário.

Algo importante a se considerar quando cianobactérias aparecem num aquário é que, não coincidentemente, a água apresenta ORP muito baixa, indicando ambiente redutivo em que há déficit de oxigênio dissolvido na água) ao invés de oxidativo, que é o ideal para aquários de recifes de corais.

Mesmo sendo melhor do que não ter skimmer nenhum, muitas vezes o skimmer do aquário não é suficiente para a carga orgânica com a qual o tanque tem que lidar. Skimmer adequadamente dimensionado para o volume do aquário é algo a ser seriamente considerado.

O local onde o skimmer é instalado interfere muito no seu funcionamento. Se colocado em local onde existe muita turbulência de água, como no mesmo compartimento em que a água verte para o aquário, seu trabalho será prejudicado (principalmente se houver variação da quantidade de bolhas que vêm junto da água ao cair pelo vertedouro – ocorrência muito comum).

Skimmers devem ser colocados em um compartimento em que o nível da água seja estável a qualquer momento, isento de bolhas de ar e turbulência na água.

Movimentação interna de água

A água do aquário deve ter movimentação suficiente para que atinja todos os locais e não possibilite “pontos mortos”. Ao mesmo tempo, não deve haver movimentação de água em excesso, que chegue, por exemplo, a fazer com que o substrato de fundo fique sempre em suspensão na água, ou que “cave” buracos no substrato de fundo.

A circulação interna adequada da água, portanto, ainda ajuda a manter o potencial redox do aquário elevado e não permite o acúmulo de detritos em locais de difícil acesso (que impossibilite sua retirada por sifonamento).

Sempre se fala que o posicionamento das bombas internas e sua capacidade de circular a água do aquário é uma arte. Realmente, até se chegar ao bom posicionamento e dimensionamento (quantidade e vazão) das bombas que promovem a circulação interna da água pode-se levar um bom tempo. Mas os resultados compensam muito a dedicação do aquarista.

Deve-se levar em conta também que com o crescimento dos invertebrados sésseis no aquário, novos obstáculos são gerados para a circulação do aquário e a circulação inicial do sistema é diminuída ou alterada. No curso de um ano ou menos, pode ser necessário reavaliar a condição da circulação apresentada no sistema.

Todos os equipamentos do aquário devem passar por limpeza periódica para que mantenham seu desempenho original. Skimmer “sujo” não trabalha bem. Bombas sujas ou com seus compartimentos de entrada de água semi obstruídos por algas ou detritos apresentam vazão muito prejudicada.

Por fim, se forem tomados os cuidados adequados em relação à própria montagem do sistema e, depois disso, levadas como prática permanente os itens de manutenção do aquário citados neste artigo, dificilmente haverá a ocorrência ou “aparecimento” de cianobactérias.

Peixes palhaço e anêmonas

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No artigo anterior ( http://ricardomiozzo.wordpress.com/2010/10/31/anemonas-e-peixes-palhaco/ ) conhecemos as anêmonas que se relacionam com peixes palhaço.

Neste, os peixes palhaço que se relacionam simbioticamente com elas no ambiente natural e no aquário.

Curiosamente, em aquários alguns peixes palhaço adotam mais anêmonas como lar do que no ambiente natural.

Isso demonstra a excepcional capacidade adaptativa desses animais.

Espécies e comportamento

Existem 28 espécies de palhaços reconhecidas pela Taxonomia, e a autora Joyce Wilkerson (1990) as coloca em grupos ou complexos.

"Long tentacle" abrigando casal de A. ocellaris em aquário

 

Esse agrupamento de espécies por tipos é interessante e útil, pois realmente existem claros níveis de parentesco muito próximo entre as espécies. Peixes palhaço são aparentados às donzelas, e todos pertencem aos Pomacentrídeos.

Uma das suas características das “donzelas” é  a agressividade e forte senso de território. As donzelas propriamente ditas costumam ser bem mais agressivas do que peixes palhaço. Para elas, o tamanho de um ser humano parece não afetar em nada a decisão de atacar o invasor ferrenhamente. 

Palhaços não são tão agressivos quanto as donzelas, pois seu senso de território parece engloba apenas o espaço imediatamente em torno da anêmona (cerca de um metro ao redor da anêmona); quando nos aproximamos deles, tendem a se refugiar profundamente entre os tentáculos da anêmona, comportando-se de forma bem diferente das donzelas.

Palhaços, assim como donzelas e Chromis spp., formam ninhos onde colocam seus ovos. O par fértil do grupo cuida muito atentamente dos ovos, e defende-os ferozmente. Os palhaços têm uma organização muito prática de grupo; numa anêmona, geralmente encontra-se um palhaço maior que os outros todos; é a fêmea fértil, responsável pela postura dos ovos.

A. percula em anêmona "Long tentacle" de coloração roxa em aquário

Normalmente, junto dela existe um palhaço bem menor, que é o macho fértil, reprodutor que fertiliza os ovos. A fêmea parece apenas suportar a presença desse macho por conhecer sua utilidade reprodutiva; ele, inclusive, é mantido pequeno e submisso por conta de safanões, bicadas e afastamentos aplicados pela fêmea toda vez que o considera exagerando em qualquer atitude.

Sem que seja danoso para sua saúde a longo prazo, o macho é mantido assim por questão de conveniência. Crescendo demais, a chance de que se transforme em fêmea é razoável. A existência de duas fêmeas numa mesma anêmona não é suportada pela dominante.

Na falta desta, o macho maior se transformará em fêmea fértil em apenas alguns dias. O maior palhacinho do grupo secundário da anêmona passará a ser aceito por essa nova fêmea, e assim se restabelece o grupo, assegurando a perpetuação da espécie.

Todos os palhaços, portanto, nascem machos. São mantidos assim por se alimentar de restos do par principal, e principalmente por serem apenas raramente aceitos pelo casal entre os tentáculos da anêmona; na maior parte do tempo, têm que se contentar em ficar em torno da base do invertebrado.

Esse local é bem menos seguro do que o espaço em que fica o casal, de forma que a vida de um palhacinho do grupo infértil é dura. Devido a esse interessante sinal de adaptação, não se pode assegurar que um palhaço capturado seja jovem; naturalmente um exemplar grande será uma fêmea. Palhaços pequenos, no entanto, podem ser adultos férteis ou não, bastando observar sua coloração. Em algumas espécies o juvenil apresenta coloração diferente do adulto.

Mas, baseando-nos apenas nisso, é impossível determinar se um espécime tem um, dois ou mais anos de vida. Por causa disso, é recomendável palhaços sejam comprados apenas em fase juvenil. Pequenos palhaços são ofertados aos milhares em todos os importadores. Criadores desse peixes também costumam ofertá-los em quantidade e qualidade muto boa atualmente.

Entacmaea quadricolor abrigando em aquário uma variedade "panda" de A. ocellaris criada em cativeiro

Os palhacinhos são, talvez, o maior sucesso do aquarismo marinho, e razão da montagem de muitos aquários. A disponibilidade de animais criados em cativeiro nos dias atuais dispensa a aquisição de casais formados de peixes palhaço selvagens. A possibilidade de comprar um casal fértil selvagem apresenta certa pressão sobre a espécie no ambiente natural.

Devido a essa preocupação, várias empresas ao redor do mundo e no Brasil desenvolveram técnicas apropriadas de reprodução em cativeiro, e hoje oferecem peixes de excelente qualidade. As últimas novidades do mercado são espécimes raros e/ou desenvolvidos por cruzamento em criatórios, o que torna o hobby ainda mais rico e interessante.

Há mais de 30 anos se cria palhaços em cativeiro. No início, o tipo do animal era geralmente bastante desvirtuado. Palhaços completamente fora do padrão da espécie eram comuns, talvez pela excessiva consangüinidade. Hoje, no entanto, isso é passado; atualmente pode-se comprar palhaços absolutamente perfeitos em tipagem e coloração.

Os complexos de espécies Palhaços compõem 28 espécies. A. leucockranos foi reclassificado como um híbrido e não espécie propriamente dita. Normalmente há mudanças como essa na classificação, e neste artifgo foi adotada a que consta em Joyce Wilkerson, publicada em 1990.

Complexos e grupos

 Existem agrupamentos na classificação pois as espécies são interrelacionadas. Os complexos são; Percula, com duas espécies, Tomate, com cinco, Skunk, com seis, Clarkii, com onze, Saddleback, com três e Maroon, com uma.

O complexo Percula contém Amphiprion percula e A. ocellaris.

A. ocellaris selvagem

Ocorrem em colorações que vão do laranja forte ao amarelo alaranjado. Adultos crescem até 8 centímetros de comprimento, sem contar a cauda. A. percula e A. ocellaris são freqüentemente confundidos, mas há certas diferenças visíveis; percula tem geralmente listras negras mais grossas, de contornos menos definidos, e ocellaris possui na cauda um ocelo claramente observável. A cauda de A. percula não forma o ocelo, mas uma estrutura ovalada que interrrompe a cor da última listra negra. Associam-se a anêmonas com certa dificuldade, sendo que as mais prováveis são anêmonas importadas carpete e H. magnífica - por coincidência as mesmas a que se ligam no mar. São animais fáceis de manter e muito vorazes; aceitam bem artêmia salina, que ajuda a manter sua coloração bem vívida, e também alimentos preparados, flocos e peletizados. A. percula costuma ser mais delicado; às vezes ocorrem mortes súbitas mesmo em indivíduos antigos em aquários. A razão parece ser uma maior propensão a doenças de fundo bacteriológico.

Os “tomates” compõem 5 espécies; A. frenatus, A. melanopus, A. rubrocinctus, A. ephippium e A. mccullochi, este último muito raro em lojas. São peixes que chegam a 11 centímetros de comprimento, e costumam ser bastante agressivos.

Amphiprion frenatus

 

Variam de coloração laranja avermelhada forte até o preto total (A. mccullochi), com aspecto corporal arredondado e apenas uma lista vertical branca após o olho, antes do opérculo. Muito popular entre aquaristas, o tomatinho é muito resistente. Aceita rapidamente flocos e outros alimentos. Atacam-se mutuamente mesmo quando jovens, demonstrando sua natureza belicosa desde cedo. Após a colocação de um tomate no aquário, é raro poder-se colocar outro palhaço, mesmo que seja um outro tomate. Crescem rápido e atingem maturidade em menos de um ano. Postura de ovos em cativeiro é fato comum.

O complexo Skunk é composto de muitas espécies; A. akallopisos, A. perideraion, A. sandaracinos, A. nigripes, A. leucokranos (provável híbrido, e não espécie) e A. thiellei.

Na ausência de anêmona no aquário, é muito comum a associação de um peixe palhaço a outro invertebrado, como neste caso um espécime de A. ocellaris junto a uma T. derasa

A característica mais marcante dos componentes deste complexo é uma lista branca que corre por todo o dorso do peixe; vai geralmente desde o focinho até a base da cauda. Chegam a 11 cm de comprimento. São animais ativos e resistentes, mas demonstram desde cedo boa dose de agressividade. O mais delicado é o pink skunk.

Amphiprion nigripes

Todos aceitam rapidamente alimento do aquarista. A coloração geral do corpo varia de laranja pálido até rosa pálido alaranjado. Possuem corpo relativamente alongado em relação aos anteriores, e não crescem tão rápido quanto tomates.

O complexo mais numeroso em espécies é o dos Clarkii. Composto por A. clarkii, A. akindynos, A. allardi, A. bicinctus, A. chagosensis, A. chrysopterus, A. omanensis, A. latifasciatus, A. chrysogaster, A. fuscocaudatus e A. tricinctus. Muitos são raros em lojas, como o interessantíssimo A. omanensis, que só ocorre em Oman. De todas as espécies de palhaços, este complexo apresenta a mais interessante diferença; tanto o macho quanto a fêmea atingem o mesmo tamanho. São peixes de coloração vívida que varia desde o amarelo com branco e preto até cor de laranja, preto total e amarelos de tons variados. Chegam a 11 cm de comprimento. São bastante agressivos; se nas outras espécies normalmente se encontra apenas um exemplar grande por aquário – a fêmea – neste complexo serão ao menos dois. Isso dobra a força bruta do par. Introduzir um peixe, esperar que cresça e colocar outro da mesma espécie é um erro comum e às vezes fatal com essas espécies. Talvez por confiar na capacidade da dupla, são palhaços que nadam muito para os parâmetros da família; costumam patrulhar o aquário todo, afastando-se bastante de sua anêmona. Todo cuidado é pouco com aquários pequenos e mais do que uma espécie de palhaço, quando se tem um exemplar destas espécies.

O complexo saddleback é composto de A. polymnus, A. latezonatus e A. sebae. A. sebae, apesar de sua aparente semelhança com o complexo anterior, tem muito mais a ver com este. São peixes que chegam a 12 cm de comprimento. São extremamente agressivos e ativos. Um par de A. polymnus não raramente ataca todo e qualquer peixe, independente de tamanho, que chegar a menos de 20 ou 30 cm de sua anêmona. Sua forte mordida, decorrente de sua dimensão avantajada, tira pedaços de barbatanas e nadadeiras de outros peixes.

Ampriprion polymnus

Difícil de formar pares, é muito comum observar-se a morte de um pelo outro quando se tenta parear dois espécimes. São peixes de corpo acentuadamente alongado, que varia de fundo branco ou amarelo forte até apenas branco com preto. Importante notar que, talvez por sua agressividade, são também muito desconfiados, mais que qualquer outras espécies de palhaços. 

Amphiprion clarkii

O último complexo é o dos maroons. Existe apenas uma espécie, Premnas biaculeatus, em duas formas diferentes; uma tem as litras do corpo amarelas, meio douradas. A outra apresenta riscas brancas. marrons são tão diferentes dos outros palhaços que não foram classificados como Amphiprion, mas Premnas. A diferença fundamental é o espinho que apresentam na base de cada opérculo.

Este palhaço é o mais belicoso dentre todos; atinge grandes proporções, chegando a 13 centímetros. Em muitos casos, adota corais como hospedeiros e esfrega-se tão violentamente no invertebrado que acaba por romper seus tecidos moles e matá-lo. Sua personalidade forte, no entanto, aliada a sua coloração e formato atraentes, faz deste peixe um grande sucesso entre aquaristas.

Premnas biaculeatus "golden"

Peixes palhaço possuem ainda a facilidade de possuir territórios relativamente pequenos, chegando geralmente apenas ao entorno de sua anêmona, tornando praticamente qualquer aquário um lar em potencial.

Anêmonas e peixes-palhaço

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A popularidade dos peixes-palhaço é incontestável. Somado a esse fato, o desenvolvimento de técnicas de reprodução de peixes em cativeiro vêm tornando muitas espécies de peixes-palhaço mais e mais interessantes para todos os aquaristas.

Um casal de "palhacinhos" numa anemona "carpet"

Um dos relacionamentos mais interessantes da Natureza pode ser replicado em aquários com relativa facilidade.

A visão de um ou mais “palhacinhos” em simbiose com uma anêmona é intrigante e magnética.

Neste artigo, serão citadas as mais importantes necessidades desses animais, maneiras de mantê-los e algo de seu comportamento.

 

 

 

Anêmonas

 São aparentadas dos “corais duros”. Constituídas de corpo mole e geralmente pegajoso, podem se parecer com corais moles, mas têm pouco ou quase nada a ver com eles. Pertencem ao filo Cnidaria (Coelenterata) e produzem nematocistos (estruturas urticantes).

Possuem uma única cavidade corporal, que lhes serve ao mesmo tempo de boca, ânus, pulmão, estômago, intestino e sistema circulatório. Existe apenas uma única abertura nessa cavidade, comumente chamada de boca, por onde passam o alimento, os dejetos, a água e os gametas que produz.

A boca é cercada de tentáculos de formato filamentar, tipicamente carregados de nematocistos. Essas estruturas servem primordialmente para a captura de presas com que se alimenta. Sua defesa também conta principalmente com eles. Toda anêmona possui um pé que lhe permite se mover e fixar ao substrato escolhido. Sue estrutura geralmente opõe o pé à boca, de forma que esta sempre está voltada para a corrente de água a fim de possibilitar captura de alimento.

Dois espécimes de Entacmaea quadricolor

As anêmonas que farão parte deste artigo são justamente as que abrigam peixes palhaço, e curiosamente são bem pouco aparentadas entre si.

Existem três famílias que possuem anêmonas simbiontes de palhaços; Entacmea e Macrodactyla fazem parte da maior delas, a Actiniidae.

Stichodactylidae abriga Heteractis e Stichodactyla, e finalmente Thalassinthidae, que abriga Cryptodendrum. Como e porquê gêneros tão diferentes abrigam palhaços permanece um mistério.

Provavelmente, ocorreu uma adaptação entre esses animais de maneira que ambos se ajudam mutuamente na defesa contra predadores; a mesma solução biológica encontrada por todos não passa de coincidência. A razão de nem todas as espécies de anêmonas abrigarem palhaços na Natureza é um mistério.

Por outro lado, observamos que palhaços sem sua anêmona “natural” em aquários adotam muitos tipos de animais como “lar”, inclusive anêmonas Condylactus e corais duros ou moles. O palhaço parece ter uma atração natural por se abrigar entre tentáculos de invertebrados, pois mesmo peixes criados em cativeiro, sem nunca ter tido contato com anêmonas, adotam esse comportamento.

Um casal de Premnas biaculeatus em anêmona Entacmaea quadricolor

Anêmonas são animais incrivelmente simples anatomicamente. Possuem, por outro lado, todo o equipamento natural para que sejam um tremendo sucesso biológico; podem se mover por conta própria a fim de procurar um lugar favorável em seu ambiente, se defendem por intermédio de seus nematocistos (que também as ajudam a se alimentar), possuem a habilidade de se encolher rapidamente, de maneira que  “desaparecem” para se proteger, e crescem em velocidade impressionante quando as condições favorecem.

As anêmonas simbiontes de palhaços são extremamente longevas; indicíduos com idade estimada em 300 anos são menos incomuns do que se imagina (Fautin, 1990). Grandes “campos” de anêmonas nos recifes de corais de diversos locais ao redor do mundo demonstram que esses animais são capazes de se multiplicar por divisão corporal, expediente reprodutivo extremamente eficaz sob o ponto de vista energético.

Produzir gametas é, para qualquer tipo de ser, tarefa energeticamente cara, sendo a divisão uma solução rápida e eficaz para perpetuar a espécie. A reprodução sexuada, por intermédio de gametas, se dá em conjuto com a dos corais, seguindo sua sazonalidade típica; na época de reprodução dos outros invertebrados nos recifes de corais, as anêmonas liberam seus gametas.

Existem indivíduos machos e fêmeas. A definição de sexo ocorre na idade de maturação do animal e as razões que direcionam essa orientação são pouco compreendidas. Curiosamente, num agrupamento de anêmonas, há grande equilíbrio entre os gêneros sexuais. Muito interessante notar que é muito difícil observar-se anêmonas pequenas, ou em fase pós larval nos recifes. Isso leva os cientistas a crer que a reprodução sexuada é extremamente pouco eficaz. Em algumas espécies pode haver incubação interna das larvas pela fêmea, que liberaria pequenas anêmonas jovens.

Isso é típico de animais muito longevos, pois a baixa taxa de fertilidade efetiva seria compensada pela idade que cada animal é capaz de atingir. A capacidade de defender-se e capturar alimento por intermédio dos nematocistos foi determinante na história biológica desses animais. O nematocisto é uma estrutura fabricada no interior da célula da anêmona, e se concentra partilularmente nos seus tentáculos. Existem nematocistos internos, localizados junto à estrutura digestiva do animal, onde são determinantes para a efetivação da digestão. A estrutura do nematocisto é composta de uma cápsula quer contém um túbulo em forma de arpão várias vezes mais longo do que a cápsula. Quando a cápsula é estimulada a disparar, o túbulo é lançado, evertendo a cápsula e perfurando ou envolvendo o alvo. Existem mais de 30 tipos de nematocistos, e provavelmente todos contém toxinas, que são injetadas na vítima pelo túbulo.

Um belo espécima de anêmona "carpet"

A maior questão sempre foi a capacidade do palhaço de não ser ferido por essas estruturas. A anêmona tem grande capacidade de resolver se dispara ou não ou nematocistos, em uma combinação química e física que determina a presença de inimigos. Como ela faz para definir o palhaço como não-agressor é um mistério. A aproximação do peixe é típica em todas as espécies; avistada a anêmona, o peixe parece saber o que ela representa, tanto na figura de um excelente abrigo quanto de ameaça mortal.

Peixes palhaço que inadvertidamente se aninham entre os tentáculos de anêmonas com muita rapidez, assim que as vêem, normalmente são mortalmente feridos. O que se observa mais comumente, porém, é uma interessante dança de apresentação do peixe para sua futura “casa”; aproximando-se cuidadosamente da anêmona, o palhaço primeiro a toca muito rápida e gentilmente com o focinho e/ou a cauda. Sempre chegando perto da anêmona pela vizinhança de sua base (em que não há nematocistos), ele “esbarra” nela e se distancia, nadando com velocidade. Os contatos vão se tornando mais longos, e em determinado momento o palhaço pode ser visto entre os tentáculos da anêmona. O comportamento de aproximação pode durar de algumas horas a alguns dias, e o palhaço aparenta grande ansiedade durante esse período. Por esse comportamento ser típico até com palhaços criados em cativeiro, é de se especular que o peixe adquire aos poucos a imunidade aos nematocistos da anêmona. Rápidos movimentos de tremor do palhaço após o toque demonstram que a “entrada” na anêmona não é uma coisa totalmente confortável. Parece que, de vez em quando, o palhaço tem pressa em acabar logo com essa fase, mas se queima se for precipitado. A aproximação paulatina é bem segura, no entanto, e parece ter a ver com o muco dos dois animais. De alguma maneira o peixe é capaz de se imunizar em relação aos nematocistos, evitando seu disparo e se tornando parte da anêmona, até onde ela compreende isso. O fato é que, num primeiro momento, a associação parece ser muito mais benéfica para o peixe; o abrigo oferecido por um animal muito maior que ele, que apresenta defesa tão formidável, é algo a se considerar.

Por outro lado, palhaços – que são Pomacentrídeos (mesma fámília das “donzelas”) – defendem suas anêmonas ferozmente, e muitos são vistos “guardando” alimento entre seus tentáculos. Se o palhaço apenas tenta armazenar alimento na anêmona ou intencionalmente a alimenta permanece questão de debate, mas ele faz isso sempre.

As atitudes do palhaço firmemente demonstram que a simbiose entre os dois animais é benéfica a ambos. O palhaço defende seu território, que é principalmente sua anêmona, e ainda a alimenta. Observações de campo sugerem que anêmonas desprovidas de seus palhaços são rapidamente atacadas por predadores, ao mesmo tempo que palhaços cujas anêmonas são retiradas também ficam à mercê de predadores, tornando a necessidade de um pelo outro muito acentuada.

Em aquários, é possível manter um sem o outro, mas no ambiente natural isso parece impossível. É raríssimo ver-se anêmonas sem seus palhaços, assim como avistar palhaços sem suas respectivas anêmonas.

Uma vez “dentro” da anêmona, raramente o peixe se distancia dela mais do que um metro. As incursões também são feitas só quando o peixe sente segurança. De qualquer forma, os passeios são raros. Anêmonas “fechadas”, quase totalmente contraídas, podem ser vistas com seus palhaços imersos. O peixe acompanha a retração de tecido da anêmona, e praticamente desaparece junto de seus tentáculos. O relacionamento entre eles parece não ter mais retorno possível; nos mares, um não é mais capaz de viver sem o outro.

Como comprar

Nunca adquirir anêmonas que estejam com a “boca” aberta. Animais saudáveis nunca se apresentam assim. A boca deve estar fechada e o disco oral aberto e com coloração firme. Não pode estar saindo nada pela boca da anêmona; muco, alimento ou mesmo a parte interna da anêmona. O pé deve estar sempre ligado a algum substrato firme. se a anêmona estiver solta, girando e dando cambalhotas pelo aquário da loja, deve ser evitada.

Um dos sinais de que a anêmona tem boa capacidade de se manter em ordem é a condição de seu pé. Podendo grudar-se a algo, ela tem mais chance de estar com o pé intacto e sem ferimentos. Pé machucado pode levar o animal à morte, e é por aí que a anêmona sofre as maiores atrocidades; no mar, está firmemente agarrada a algo pelo pé. Se for coletada de maneira inapropriada, um ferimento pode surgir e infeccionar, levando o animal à morte quase inevitável.

Anêmonas que apresentem rasgos no disco oral devem ser imediatamente desconsideradas. Qualquer anêmona de palhaço é igual ou mais difícil do que qualquer coral em relação a manutenção e requisitos em aquários. 

Anêmonas são animais delicados e requerem muita luz e condição de água “limpíssima”. O maior crime cometido contra anêmonas é uma prática antiga e hoje mais rara do que até alguns anos atrás. A prática consiste em coletar anêmonas de coloração pouco interessante e tingí-las. Anêmonas amarelo-claras de tonalidade muito esmaecida normalmente são animais verdes que estão perdendo zooxanthellae e devem ser evitadas.

Como introduzir no aquário

Muitas anêmonas se dão muito bem em substrato de areia, portanto soltá-las gentilmente (sem rede) – junto ao fundo do aquário é o melhor a fazer. Manusear o mínimo possível mas com calma é imperativo, sendo que nesse processo pode-se observar a condição geral do pé do animal. Todas as anêmonas são capazes de andar, e muito provavelmente o farão assim que colocadas no aquário.

Não se deve insistir em que a anêmona fique no local escolhido pelo aquarista. Ela vai escolher o local para se fixar, e a nós basta apenas respeitar sua escolha. Anêmonas muito manuseadas podem ser machucadas, e possuem massa corpórea relativamente grande para tornar qualquer aquário um poço de meleca, se vierem a morrer. 

Não se deve mexer na anêmona nem cutucá-la ou empurrá-la de um lado para o outro do aquário.

As espécies que precisam de mais luz e corrente d’água - condições geralmente encontradas mais perto da superfície – galgarão as rochas até atingir o local apropriado. É importantíssimo aclimatar a anêmona lentamente, por cerca de 40 minutos a uma hora.

Composto fundamentalmente de água, é necessário dar ao animal tempo de “trocar” sua água com a do aquário.

Alimentação

 Todas as anêmonas citadas neste artigo podem ser alimentadas, apesar de possuírem algas simbiontes (Zooxanthellae). Pedaços pequenos de camarão, lula, peixe e outros ítens marinhos, assim como peixinhos inteiros são muito apreciados. A freqüência da alimentação é fundamental; anêmonas possuem metabolismo ditado pela temperatura da água.

Alimentá-las uma ou no máximo duas vezes por semana, com pequenos pedaços de comida de cada vez, é melhor do que dar um camarão inteiro uma vez por mês.

Anêmonas superalimentadas podem apodrecer e morrer, pois são incapazes de digerir muita comida de uma vez só.

Devem ser alimentadas com pequenas quantidades, de cada vez. Anêmonas recém introduzidas no aquário se adaptam devagar e não devem ser alimentadas imediatamente.

Heteractis magnifica no ambiente natural com A. ocellaris

 

Espécies

Das dez espécies mais comumente importadas – pois todas são originárias da região do Indo-Pacífico e Mar Vermelho, algumas são bem fáceis de se manter em aquários, enquanto ao menos uma é uma verdadeira charada.

Todas, sem exceção, abrigam algas simbioentes (Zooxanthellae).

Cryptodendrum adhaesivum

Descrita em 1877, é raramente importada e sempre confundida com “carpet”. Nos EUA, é chamada de “pizza anêmone” por ter as bordas de cor geralmente diferente do disco oral. É extremamente “grudenta” ao toque, possui tentáculos curtos, sendo que os mais próximos à boca são ramificados, e os mais próximos da borda são não ramificados e bem mais curtos. Os da borda são de cor diferente dos outros, tornando assim fácil identificar essa espécie. Cresce até cerca de 30 cm de diâmetro. Pode ser verde com rosa, amarela com verde, fúcsia com amarelo, branca com rosa ou verde e várias outras combinações de duas cores (uma no miolo e outra na borda). Encontrada desde o Mar Vermelho até a Melanésia e Micronésia a leste, e do sul do Japão ao norte da Austrália, passando por Maldivas, Tailândia e Polinésia. Costuma alojar-se no fundo de areia, mas pode ser encontrada ligada à rocha. Gosta de muita luz e correntes intermitentes e fortes de água. Geralmente, é encontrada em forma solitária. Dificilmente se divide. Aceita alimento do aquarista, e na Natureza aparentemente se aproveita também de fitoplâncto, além de zooplâncto. Abriga poucas espécies de peixes palhaço, talvez por ser tão carregada de nematocistos em formas extremamente urticantes; são encontradas em simbiose com A. clarkii (Sebae clown) no mar, e em aquários acabam “aceitando” A. frenatus (Tomato) e P. biaculeatus (Maroon).

Entacmaea quadricolor

Descrita em 1828, é sempre importada sob diversos nomes comuns. Talvez seja a anêmona que pode ser encontrada com a maior variedade de espécies de palhaços. Tem a característica de, sob certas condições ainda misteriosas, formar perto das pontas dos tentáculos protuberâncias em forma de bulbos. Quando recém importada raramente forma bulbos, e pode ser confundida com outras espécies. Possui tentáculos longos, que atingem entre 10 e 12 cm de comprimento. É a única espécie de anêmona que se associa a palhaços que tem a coluna sem verrugas e também a única que cria os bulbos nos tentáculos. Pode ser rosada ou esverdeada, mas normalmente é marrom. A formação dos bulbos já foi tida como sinal de boa saúde da anêmona, mas isso parece ser apenas indício, e não certeza. Muito curiosamente, ela intercala períodos de tentáculos com e sem bulbos. Às vezes, aparecem bulbos em alguns tentáculos e noutros não. É encontrada em simbiose com Amphiprion akindinos, A. allardi, A. bicinctus, A. chrysopterus, A. clarkii, A. ephippium, A. frenatus, A. mccullochi, A. melanopus, A. omanensis, A. rubrocinctus, A. tricinctus e Premnas biaculeatus. Normalmente presa a uma greta profunda na rocha, se mostra à medida em que é exposta à luz. Gosta de alimento oferecido pelo aquarista, aceitando bem artêmia salina, pedacinhos de peixe, camarão, lula, siri ou caranguejo, enfim; qualquer alimento, inclusive flocos. É talvez a anêmona de palhaço mais fácil de ser mantida em aquários.

Heteractis aurora

Raramente importada. Chega a 25 cm, com tentáculos entre 5 e 20 cm de comprimento. Normalmente marrom ou arroxeada, tem por característica principal a formação dos tentáculos; formados por aglomerações parecidas com bolinhas coladas umas às outras, de tons intercalados da mesma cor. Muito grudenta ao toque e, por conseqüência carregadíssima de nematocistos. Aparece sempre enterrada parcialmente em fundo de areia, e ocorre desde o Mar Vermelho até a Austrália, e do sul do arquipélago japonês (Is. Ryukyu) até o sul de Madagascar. Associa-se a Amphiprion akyndinos, A. allardi, A. bicinctus, A. chrysogaster, A. chrysopterus, A. clarkii e A. tricinctus. Não é muito fácil de manter em aquários.

Heteractis crispa

Possui tentáculos longos com até 12 cm de comprimento, de pontas rosas, malvas, azuis ou roxas. A coluna é provida de verrugas e quase sempre marrom em coloração. Possui muitos tentáculos, tendo sido contados até 800, e normalmente se enterra em substrato macio como areia ou lama. Raramente vive ligada a rochas ou corais. Ocorre desde o Mar Vermelho ao norte até o sul da Austrália, e até a Melanésia a leste. Abriga uma série de palhaços: Amphiprion akyndinos, A. bicinctus, A. chrysopterus, A. clarkii, A. ephippium, A. latezonatus, A. leucokranos, A. melanopus, A. omanensis, A. polymnus, A. percula, A. perideraion, A. sandaracinos e A. tricinctus. As verrugas da coluna a ajudam a grudar em pequenos pedaços de rocha enterrados no sedimento. É fácil de manter em aquários. Aceita vasta gama de alimentos, como H. aurora.

Entacmaea quadricolor em variedade "vermelha" - espécime muito procurado por aquaristas

Heteractis magnifica

 É a mais desejada e também a mais difícil anêmona de se manter em cativeiro. Sua atração maior é a coloração surpreendente, combinando cores de maneira incrível. A base pode ser rosa, roxa, azul, verde, vermelha ou laranja. Os tentáculos, geralmente de cor marrom, verde, roxa, branca, amarela ou beije, de pontas de cor ainda diferente da base ou dos tentáculos. É realmente muito difícil de manter, e demanda altos preços nas lojas. Ocorre desde o Mar Vermelho até o sul da África, passando por Is. Maldivas, Indonésia e Malásia, atingindo a Polinésia Francesa a leste. Quase sempre encontrada ligada firmemente a rochas, em locais de forte exposição à luz e correnteza de água. Os tentáculos são muito numerosos, de comprimento entre 5 e 8 cm, formando um disco oral que pode atingir um metro de diâmetro. Normalmente, porém, é vista com 30 a 50 cm de diâmetro. Associa-se a A. akallopisos, A. akindynos, A. bicinctus, A. chysogaster, A. chrysopterus, A. clarkii, A. leucocranos, A. melanopus, A. nigripes, A. ocellaris, A. percula e A. perideraion. Costuma “queimar” seres humanos quando tocada, sendo portanto uma anêmona bem fornida de nematocistos. Cresce rápido e chega facilmente a ficar desproporcional em relação ao tamanho do aquário. Indicada apenas a aquaristas muito experientes. Costuma galgar as rochas do aquário até atingir seu topo, onde se posiciona em local em que receba muita luz e correnteza de água. Se colocada em aquário com pouca iluminação, desbota até ficar beije clara, e pode vir a morrer. Apenas alimento fornecido pelo aquarista parece não bastar. Sua maneira de se posicionar na rocha, completamente exposta, é única entre as anêmonas simbiontes de palhaços. É muito comum ver esse tipo de anêmona em pináculos de rocha.

Heteractis malu

Raramente importada, pequena em dimensões se comparada a outras anêmonas que abrigam palhaços. Associa-se apenas a Amphiprion clarkii, e habita desde o Hawaii até a Austrália, e ao norte até o Japão, passando por Indonésia e Filipinas. Possui tentáculos de cerca de 4 cm, com um anel de cor escura a meio caminho da ponta. Quase sempre é vista enterrada parcialmente na areia. Chega a 20 cm de diâmetro, e é de cor beije bem claro, quase branca. A coluna pode ter verrugas amarelas. Pode se enterrar completamente na areia quando ameaçada. Não é difícil de manter em aquários, e aceita bem alimentos dados pelo aquarista.

Macrodactyla doreensis

Possui relativamente poucos tentáculos no disco oral, geralmente da mesma cor do disco; são esverdeadas ou arroxeadas, sendo que indivíduos bem roxos são muito valorizados e raros. Muito “grudenta” ao toque, pode ser encontrada com a coluna enterrada na lama; possui base laranja, amarela ou vermelha. Aceita bem alimentos dados pelo aquarista e gosta de luz média a forte. Corrente de água intermitente fraca a média é mais bem aceita do que permanente e unidirecional. Habita águas rasas, até 5 metros de profundidade. A coluna apresenta verrugas pequenas, ovaladas e dispostas em linhas longitudinais. Anêmona muito encontrada sem peixe nenhum, associando-se apenas a A. chrysogaster, A. clarkii e A. perideraion. Cresce até 50 cm de diâmetro. É fácil de manter em aquários. Stichodactyla gigantea Possui tentáculos curtos, entre 1 e 1,5 cm, que sempre estão se mexendo. Vibram e se curvam para os lados, tornando a anêmona facilmente identificável. Freqüentemente importada sob o nome de anêmona carpete. Difícil de manter em aquários, por motivos vastamente debatidos; é facilmente atacada por bactérias. Indivíduos saudáveis, no entanto, se mostram bastante resistentes. Possui disco oral bastante ondulado, e pé geralmente grudado em um objeto qualquer submerso na areia. Pode, por outro lado, ser encontrada ligada ao recife, diretamente sobre as rochas. Chega a 50 cm de diâmetro. Pode ter a coluna azul, marrom, verde, amarelada ou rosada, e o disco oral da mesma cor da base. Abriga A. akindynos, A. bicinctus, A. clarkii, A. ocellaris, A. percula, A. perideraion e A. rubrocinctus. É muito grudenta ao toque, indicando ser a anêmona mais provida de nematocistos entre as que formam simbiose com peixes. Encontrada desde o Mar Vermelho até metade da costa oriental da Austrália ao sul, e sul do arquipélago japonês. Stichodactyla haddoni Chega a 80 cm de diâmetro e, à primeira vista, é difícil de distinguir de S. gigantea. Normalmente encontrada em fundo de areia. Tem colorações menos forte que S. gigantea, sendo normalmente verde pálido ou “sujo”, existindo porém uma variedade branca listada, muito interessante. Pode se esconder completamente na areia quando necessário; seus tentáculos grudam tanto que, quando aderem à pele humana, destacam-se do corpo do animal. Habita áreas rasas e possui tentáculos que não se movem e são mais longos que os de S. gigantea. Faz simbiose com A. akindinos, A. crhysogaster, A. chrysopterus, A. clarkii, A. polymnus e A. sebae. Possui verrugas bem pequenas e não adesivas na parte superior da coluna. Difícil de manter em cativeiro pelas mesmas razões que S. gigantea; viaja mal, ou é coletada sem cuidado.

Stichodactyla mertensii

É a verdadeira anêmona carpete gigante, chegando a até 1 metro de diâmetro. O disco oral é geralmente disposto em forma oval, e possui tentáculos curtos. Pode ser verde brilhante, amarela ou de tons mais sujos dessas cores. As pontas dos tentáculos podem ser claras. O pé e o disco oral são da mesma cor. Mais encontrada na rocha, firmemente presa pelo pé relativamente pequeno, retrai-se lentamente quando incomodada. É voraz e cresce rápido sob circusntâncias favoráveis. Não é fácil de manter em aquários; de uma hora para outra, mesmo quando aparentemente saudáveis, podem everter sua mesentérie e começar a morrer. Um sinal de que algo vai mal é quando os palhaços subitamente se afastam da anêmona, preferindo ficar longe dela. O pé é curto e sensível a cortes e manuseio inadequado. Abriga nos mares A. akallopisos, A. akindynos, A. allardi, A. chrysogaster, A. chrysopterus, A. clarkii, A. fuscocaudatus, A. latifasciatus, A. leucokranos, A. ocellaris, A sandaracinos e A. tricinctus.

Stichodactyla gigantea

Possui dobras e ondulações no disco oral. Os tentáculos se movem e parecem “vibrar” quando o animal se apresenta saudável. O disco oral é achatado. Em aquários pode se fixar no fundo, prendendo-se fortemente com o pé através do substrato deixando apenas o disco oral à vista. É relativamente delicada no transporte, mas depois de adaptada ao aquário, torna-se resistente e muito atraente ao olhar. Normalmente é encontrada de forma solitária no ambiente natural. Abriga Amphiprion akindynos, A. bicinctus, A. clarkii, A. ocellaris, A percula, A perideraion e A. rubrocinctus. Pode ser alimentada com pequenos pedaços de peixe, camarão e lula.

Stichodactyla haddoni

Ocorre mais comumente em fundos de areia no raso. Chega a 80 cm de diâmetro, é muito “grudenta” quando saudável. Os tentáculos são relativamente curtos em comparação com outras anêmonas “carpet”. Disco oral forma dobras. Apresenta cores muito atraentes, como verde e azul muito intensos. Coluna lisa e disco oral uniforme, com certo acúmulo maior de tentáculos perto das bordas. Abriga Amphiprion akindynos, A. chrysogaster, A. chrysopterus. A. clarkii, A. polymnus e A. sebae. Em aquários, A. ocellaris, A percula e A. allardi não têm problema em formar relaçã simbiótica com essa anêmona.

Tecnologia em excesso parte IV – Iluminação

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Luz significa vida em aquários que contém corais e outros invertebrados que abrigam algas endosimbiontes Zooxanthellae spp. (Que na verdade não são propriamente algas, mas um determinado tipo de ptorozoário flagelado).

espectro de luz

Luz é radiação eletromagnética. Os olhos humanos não são capazes de enxergar todo o espectro luminoso, e o cérebro humano interpreta a luz recebida pelo aparelho visual ao ponto de “transfomar” a luz verdadeira naquela que se acredita estar observando.

O gráfico abaixo mostra o espectro, iniciando pela luz infravermelha, produzida pela emissão de ondas longas de eletromagnetismo e se localiza na parte inferior do espectro. No extremo oposto, encontra-se a luz ultravioleta, que emite ondas mais curtas. Entre essas duas, ocorre luz azul, verde, amarela e vermelha, chegando à infravermelha. Além da ultravioleta, ocorre emissão de raios gama.

            

Esse conceito é suficiente para comparar a luz do Sol nas regiões de recifes de corais com os tipos de iluminação disponíveis atualmente para uso em aquários.

 Recifes de corais são encontrados majoritariamente em zonas tropicais, onde a incidência de luz é muito intensa e os dias são bastante longos. 

Para classificar luz, usam-se várias formas;

Quantidade de luz é medida em lux.

 Sua cor é determinada pela comparação da emissão de um determinada lâmpada com a emissão de um corpo negro submetido a certa temperatura em Graus Kelvin.

Um corpo negro muda de cor à medida que é aquecido.

A temperatura em K é o que determina a temperatura de luz de tal corpo negro.

Essa medida não tem relação com quantidade de luz emitida do corpo negro aquecido.

O Sol emite luz a 6.000K, significando a mesma cor de um corpo negro aquecido até essa temperatura.

Existe ampla gama de possibilidades para iluminação de aquários.

Basicamente, o tipo de luz que se usa é de três tipos; fluorescentes, LEDs e de

vapor metálico (HQI).

Lâmpadas de vapor metálico são extremamente eficientes, pois produzem muita quantidade de luz em relação a seu consumo.

Como exemplo, em recifes de corais tropicais ao meio dia, a quantidade de lux pode chegar a de 130.000 por metro quadrado.

Água do mar é um meio 800 vezes mais denso do que o ar atmosférico ao nível do mar. No entanto, a água de recifes de corais não é tão opaca quanto densa.

À medida que se desce a partir da superfície do mar, a luz é gradualmente filtrada pela água.

A primeira cor de luz filtrada pela água é a vermelha, e a última, a azul.

Por causa disso, a cerca de 20 metros de profundidade, pode-se ver apenas tons de azul e cinza.

Em aquários, a luz relativamente fraca e de espectro luminoso incompleto emitida pelas lâmpadas é transformada e absorvida pela água, de maneira que os animais que preferem mais luz devem ser colocados perto da superfície.

A quantidade de luz recebida pelos corais diminui drasticamente à medida que se vai mais para o fundo do aquário, chegando a ser de apenas 10% da luz que encontra a superfície a apenas 50 cm de profundidade, no caso de uso de lâmpadas fluorescentes comuns.

A eficiência da lâmpada que se pretende usar, portanto, é determinante para se conhecer o que é possível manter no aquário.

Cada tipo de lâmpada precisa de um reator específico (salvo aquelas que não os utilizam como as “PL”) por conta da freqüência que utiliza para se manter acesa dentro dos padrões para a qual foi fabricada.

Usar reator inapropriado para o tipo de lâmpada do sistema projetado afeta a cor da luz emitida e causa problemas sérios de desgaste antecipado da lâmpada (normalmente lâmpadas usadas com reatores inadequados ficam com as extremidades escurecidas após curto espaço de utilização). Tentativas de usar reatores inadequados sempre acabam em problemas.

Conceitos e Definições

Fluxo luminoso

Fluxo luminoso é medido em lúmens.

Exemplo: fluxo luminoso de um lúmen emitido pela fonte luminosa.

Lúmen

Símbolo: lm. Um lúmen é o fluxo luminoso dentro de um cone de 01 esforradiano, emitido por um ponto luminoso com intensidade de 1 candela (em todas as direções).

Lux

Lux (símbolo: lx) é a medida de iluminância e emissão luminosa usada como medida da intensidade percebida pelo olho humano da luz que atinge ou passa através de uma superfície. Não deve ser confundida com lúmen, pois serve apenas para traçar um padrão de modelo da percepção do olho humano para sua percepção de brilho luminoso.

Candela

Candela, em termos de radiação de corpo negro, é uma unidade medida por 1/60cm² de platina em ponto de fusão. O conceito foi definido em 1979 depois de se considerar que a comprovação do experimento possui alta dificuldade de realização.

Uma candela é a intensidade luminosa emitida por uma fonte, em direção determinada, de luz monocromática de freqüência 540 x 10 elevada à décima segunda potência de Hertz, cuja intensidade de radiação na direção determinada é de 1/683 Watts por esforradiano. Essa freqüência é percebida como luz verde, para a qual o olho humano possui a melhor capacidade de absorção.

Esforradiano

Esterradiano (símbolo: sr), ou esforradiano, é uma unidade de medida suplementar e padrão no Sistema Internacional de Unidades que serve para quantificar ângulos sólidos. O esforradiano é adimensional, dado que 1 sr = m²·m−2 = 1. É útil, contudo, distinguir as quantidades adimensionais de diferentes naturezas, daí que na prática o símbolo “sr” seja usado sempre que apropriado, em vez da unidade derivada “1″ ou mesmo de nenhuma unidade. Por exemplo, a intensidade de radiação pode ser medida em watts por esterradiano (W·sr−1). Trata-se do equivalente tridimensional do radiano, sendo definido como “o ângulo sólido subentendido no centro da esfera de raio r por uma porção de superfície de área r2“.

 Dado que a área da superfície da esfera é 4πr², a definição implica que a esfera meça 4π esterradianos. No Brasil é usualmente designado por esferorradiano.

Representação gráfica de um esterradiano.

Watt

watt (símbolo: W), é a unidade do Sistema Internacional de unidades a um joule por segundo (1 J/s).

 Ampère

Ampère (A) é o nome dado à unidade de medida de intensidade de corrente elétrica aceita internacionalmente, e define a quantidade da força magnética entre dois condutores paralelos retos de tamanhos e em posições específicas. O nome da unidade de medição foi dado em homenagem ao físico francês que a criou.

Corrente elétrica

Corrente elétrica é o fluxo ordenado de partículas portadoras de carga elétrica, e a unidade padrão para medir corrente elétrica é o Ampère.

Freqüência de luz

Freqüência de luz é a quantidade de ondas eletromagnéticas do espectro luminoso que passa por determinado ponto por segundo (medida de tempo), e é medida em Hertz (Hz). A cor visível para os olhos do ser humano se encontra no espaço entre 430 e 750 trilhões de Hertz.

A quantidade de energia de determinada onda de luz tem relação direta com sua freqüência. Quanto mais alta a freqüência do raio de luz, mais energia contém.

Ondas de luz se movem em diferentes velocidades de acordo com o comprimento de sua onda. As de onda curta viajam mais rápido que as de onda longa em ambientes mais densos do que o vácuo, como a atmosfera da Terra.

Esse fato permite medir a refração (curvatura) de cada onda de luz.

Hertz

Para fins de radiação eletromagnética (luz), Hertz é a expressão da freqüência – número de oscilações elétricas e magnéticas perpendiculares por segundo.

Com o que foi exposto até este ponto, vê-se com facilidade que a aplicação de luz em aquários não é algo que se deva levar em conta como algo simples, e o bom andamento dos habitantes do corpo aquático projetado depende muito da luz a ser utilizada (tanto como tipo de fonte de luz quanto como quantidade e resultante de cor).

Tipos de lâmpadas

Fluorescente

Várias lâmpadas fluorescentes

São lâmpadas de formato tubular e suas denominações foram atribuídas de acordo com as medidas de seus diâmetros.

Há lâmpadas fluorescentes PL em vários formatos. Sua mais marcante característica é ter terminal em rosca, que se encaixa em soquete comum e dispensa uso de reator, por trabalhar em corrente e tensão iguais à de qualquer lâmpada de uso doméstico.

Dentre todos, é recomendável utilizar PLs fabricadas com a finalidade específica de uso em aquários.

Lâmpadas do tipo PC compactas

Lâmpadas tubulares de dois terminais são as mais comumente usadas em aquários, e as denominações dadas a elas são definidas por seus diâmetros.

T12 possuem diâmetro maior do que T8, que por sua vez têm diâmetro maior que T5.

Existem também fluorescentes “compactas”.

Todas precisam de reator específico para funcionar dentro dos padrões estabelecidos pelos fabricantes em relação à emissão de luz, principalmente no que tange à cor de luz produzida.

Existem diversos tipos de reatores, sendo que eles se adaptam às lâmpadas baseados em vários parâmetros, de acordo com seu requerimento em Watts, corrente e freqüência.

A forma como a lâmpada funciona com o reator determina se ela é do tipo comum (NO – do inglês “normal output”), HO (high output) ou VHO (very high output).

Lâmpadas fluorescentes têm boa durabilidade, são confiáveis, fáceis de instalar e usar, dispendem pouca energia elétrica se comparadas a lâmpadas HQI (do inglês Halogen Quartz Iodide – vapor metálico) e esquentam pouco o ambiente ao seu redor.

Seu problema é apresentar espectro de luz desequilibrado e emitir pouca quantidade de luz em comparação com lâmpadas HQI, mesmo considerando fluorescentes de alto fator como as T5 HO, atualmente muito em voga.

Lâmpadas T5 e representações de curvas de luz emitidas

Esse problema pode ser relativamente compensado usando-se lâmpadas fluorescentes que produzem diferentes colorações de luz, para que a resultante final que o aquário recebe seja adequada para a vida de seus habitantes.

A cor de luz resultante melhor aproveitada pelos invertebrados “fotossintetizantes” que se mantém em aquários é a verde.

Ou seja: a somatória de emissão de cor de luz de todas as lâmpadas de um aquário encontra seu ponto “ideal” quando a resultante é a cor verde.

A relação que se deve estabelecer é a que for o mais próximo possível para atender às necessidades dos corais e outros invertebrados que se valem de luz para atender suas necessidades metabólicas.

Com o que foi exposto até este ponto, percebe-se que a aplicação de luz em aquários não é algo que se deva levar em conta como algo simples, e o bom andamento da vida dos habitantes do corpo aquático projetado depende muito da luz a ser utilizada (tanto como tipo de fonte de luz quanto como “quantidade” e resultante de cor).

Lâmpadas PL

Usar reator inapropriado para o tipo de lâmpada do sistema projetado afeta a cor da luz emitida e causa problemas sérios de desgaste antecipado da lâmpada (lâmpadas usadas com reatores inadequados ficam com as extremidades escurecidas após curto espaço de utilização).

Tentativas de usar reatores inadequados sempre acabam em problemas.

LED

Do inglês Light Emmitent Diode, foram criadas na década de ’60 como indicadores em aparelhos elétricos e eletrônicos.

LED

Evoluíram ao ponto de se maximizar sua capacidade luminosa e ser possível diminuir sua dimensão, tornando possível instalar múltiplos LEDs num único emissor.

São semicondutores que emitem luz monocromática quando recebem corrente elétrica em forma de eletroluminescência (e por isso fogem um pouco do conceito tradicional da definição de “lâmpada”).

A cor emitida pelo diodo depende do tipo de material semicondutor utilizado e da sua temperatura de trabalho.

Produzem menos calor do que lâmpadas incandescentes.

A partir de 1999, LEDs com mais de 1 Watt de capacidade foram tornados possíveis devido ao agrupamento de muitas unidades em um único semicondutor. Em 2002 foram lançados no mercado LEDs que produziam entre 18 e 22 lúmens por Watt. Desse ponto em diante, foram introduzidos no mercado aquarístico.

Funcionam apenas com reatores específicos, de corrente contínua.

Um refletor com LEDs instalados e acesos

São confiáveis e bastante duráveis, mas ao contrário do que é propagandeado, não são eficazes por 30 ou 50.000 horas de uso. Como emissores de luz “útil” para aquários marinhos, devem ser substituídos a cada 2.000 a 3.000 horas de uso.

Além disso, LEDs utilizáveis para aquários marinhos são especificamente ajustados para essa finalidade. É muito pouco recomendável adquirir-se LEDs de baixo custo e adaptar um reator qualquer (já existem no mercado “lâmpadas” de LED com terminal em rosca para uso doméstico, que não usam reator).

Instalar esse tipo de LED em um sistema de recifes de corais imaginando que a luz emitida (muitas vezes colocada no rótulo da lâmpada) será aproveitada pelos habitantes do aquário é um erro, pois LEDs mudam a cor da luz emitida de acordo com sua temperatura de funcionamento. Sem o reator apropriado e o devido resfriamento dos LEDs, a cor da luz emitida fatalmente será alterada.

Considerando que luz é algo que pode ser medido por aparelhos chamados “luxímetros”, é interessante notar que nenhuma das fontes de luz citadas até este ponto neste artigo responde ao medidor (observação pessoal).

No entanto, na prática, esse tipo de luz “funciona” em aquários marinhos de recife de corais.

HQI 

 
 
 

Lâmpadas HQI com terminal em "rosca" e desenhos técnicos de outros formatos

Esse tipo de luz também usa reatores especiais e trabalham com tensão de 220V. Existem reatores nacionais e importados de 110V, mas são pouco utilizados por seu tamanho exagerado e aquecimento excessivo. Os importados costumam enfrentar problemas sérios devido à variação de tensão que ocorre comumente em muitos locais de nosso País, e apagam-se automaticamente sempre que a variação excede sua tolerância. Recentemente, uma empresa colocou no mercado reatores 110V mais modernos para HQIs no mercado brasileiro, e parece que funcionam a contento. Deve-se, no entanto, testar a combinação desses reatores com as lâmpadas para a devida aferição dos resultados, pois o reator afeta de maneira muito importante a luz emitida pela lâmpada.

Adaptar transformadores de tensão no reator da HQI para usá-lo em fonte de energia de 110V não é recomendável, pois geralmente o transformador termina queimado por não suportar a corrente elétrica necessária para o funcionamento da HQI (o transformador deve ser dimensionado de tal maneira que seja capaz de suportar o momento em que a lâmpada é acesa). Na prática, se for considerado o consumo gerado pela somatória do sistema HQI instalado e do transformador, a partir de certo ponto é mais econômico instalar um ponto 220V no quadro de luz do imóvel). 

As HQIs foram o diferencial que permitiu a aquaristas do final da década de 70, na Alemanha, fazer crescer corais até então considerados impossíveis de manter em aquários, como as famosas Acroporas, moluscos Tridacnas e outros animais que precisam de muita luz para viver.

Lâmpadas HQI de 2000K da renomada marca Aqualine Büshcke

Essas lâmpadas são encontradas em diversas configurações, emitindo luz desde 3000K, passando por4500K,  5000K, 6000K, 6500K, 10000K, 12000K, 14000K, 20000K, 22000K , e daí para diante. Existem lâmpadas HQI de 30000K e até mesmo 50000K.

Aparentemente, os fabricantes têm planos de produzir cada vez mais variedades de lâmpadas com “Ks” variados.

Quanto mais baixa a temperatura de cor indicada pelo “K” da lâmpada, mais luz ela emite na cor vermelha, sendo que as lâmpadas de 20000K são totalmente azuis.

A maior parte das HQIs pode ser encontrada em 70, 150, 175, 250, 400, 1000 e 2000 Watts.

Naturalmente, quanto maior o consumo da lâmpada, mais quantidade de luz emite.

Um dentre vários tipos de refletor para lâmpadas HQI

Para aproveitar o desempenho e distribuição do fluxo luminoso de cada lâmpada, pode-se usar como regra geral a tabela abaixo.

Consumo (Watt) Distância entre lâmpadas (cm) Coluna d’agua (cm)
70 50 40
150 e 175 50 a 60 50 – 55
250 60 a 70 60
400 80 70
1000 100 a 130 80 a 100
2000 130 a 180 120 a 130

O número de lâmpadas de cada sistema aquático afeta a quantidade de luz emitida, mas não a profundidade que a luz atinge, de maneira que o olho humano é enganado, pois muitas vezes parece que um aquário é imensamente iluminado porque possui muitas lâmpadas, enquanto na realidade os animais sésseis colocados diretamente sobre o fundo do aquário podem estar recebendo menos luz do que necessitam.

Lâmpadas HQI devem ser montadas em refletores apropriados, com lente de vidro temperado perfeitamente limpo, sem ranhuras ou partes escovadas. O formato interno do refletor afeta muito a forma como os animais do aquário recebem a luz emitida pela lâmpada. Portanto, não é qualquer refletor que serve para que se obtenha o melhor aproveitamento possível.

O vidro temperado protege os animais contra a parte agressiva da luz ultravioleta, e precisa ser temperado para suportar a alta temperatura de trabalho da lâmpada.

Considerações finais

Quanto mais luz os corais receberem, melhor. Dificilmente se consegue replicar em aquários a intensidade da luz do ambiente natural.

O importante a considerar é que em muitos casos os animais sésseis precisam ser adaptados à luz do aquário após adquiridos. A “aclimatação” dos animais em relação à luz é de tão grande importância que pode comprometer sua sobrevivência.

Quanto mais parecida com a luz do Sol for a curva espectral da luz emitida pela lâmpada, melhor será o aproveitamento de luz pelos animais habitantes do aquário.

Muitos animais mudam de cor ao serem colocados no aquário devido à diferença entre a luz a que estavam acostumados em seu ambiente de origem e a que recebem no aquário.

As cores dos corais, por exemplo, são em muitos casos determinadas pela luz que eles recebem, principalmente do espectro ultravioleta.

Uma foto de aquário iluminado por lâmpadas HQI 250 Watt 10.000K combinadas com fluorescentes VHO T12 azuis actínicas

Invisível para o olho humano, a luz ultravioleta provoca nos invertebrados sésseis “fotossintetizantes”  a produção de pigmentos protetivos contra a agressão que sofrem da luz. Isso é claramente observável em suas pontas de crescimento. É basicamente por isso que corais de pólipo pequeno têm seus “galhos” de uma cor e as pontas dos galhos de outra, ou até mesmo mais do que uma cor observável no mesmo espécime.

Existem enormes diferenças entre marcas e tipos de lâmpada no mercado. Ao invés de citar todos, fica apenas um alerta para que se evite usar lâmpadas HQI que não tenham sido especialmente produzidas para uso em aquários.                         

Lâmpadas de qualquer tipo sofrem desgaste toda vez que são acesas. A maior parte delas dispõe no rótulo sua durabilidade em horas, mas não contam com o uso específico para aquários. O simples fato da lâmpada continuar acendendo não implica no fato da luz emitida estar sendo devidamente aproveitada pelos animais sésseis do aquário.

É recomendável substituir as lâmpadas fluorescentes após 8 a 10 meses de uso. Elas sofrem grande decréscimo na quantidade de luz emitida no curso do tempo.

As HQIs, apesar de poderem ser usadas por muito mais tempo, devem ser trocadas a cada 10/12 meses.

Via de regra, quanto mais azul for a cor emitida por qualquer tipo de lâmpada, menor será sua vida útil para os habitantes do aquário.

O período diário de luz acesa sobre o aquário (fotoperíodo) determina a sua produtividade, afeta a taxa de crescimento dos corais e por conseqüência todo o microcosmo que o aquário representa.

O regime de fotoperíodo do aquário pode variar entre 10 a 14 horas por dia. Uma das formas de “imitar” o período de alvorada e por do Sol é fazer com que as luzes azuis acendam antes e apaguem depois das HQIs, ou brancas. Pode-se programar as lâmpadas azuis para acender cerca de 30 minutos antes das brancas e apagar 30 minutos depois.

A iluminação do aquário esquenta a água, e geralmente é necessário tomar providências em relação a isso. Aquários hermeticamente tampados correm o risco de sofrer aquecimento excessivo apenas pelo sistema de iluminação (mesmo com poucas lâmpadas), atingindo níveis de temperatura inadequados para a manutenção de peixes e corais.

Usando de bom-senso, escolhe-se o tipo e quantidade de luz a ser aplicados no sistema.

Existem diversas maneiras de mitigar o problema de superaquecimento, como usar ventoinhas, ventiladores e resfriadores (chiller).

Aquários iluminados exclusivamente por luz fluorescente comum (NO T12) permitem a manutenção da maioria dos corais moles, duros e até mesmo de corais de pólipos pequenos e tridacnas. É necessário, porém, levar em conta que a quantidade de luz que os animais receberão será bem menor do que a que recebiam antes, no ambiente natural.

Independente do tipo de iluminação escolhido é recomendável limpar vidros, refletores e mesmo as lâmpadas periodicamente.

Considerações sobre animais vindos de reprodução em cativeiro

É importante notar que as alterações morfológicas que corais normalmente sofrem em aquários ou tanques de reprodução controlada não produzem alterações na construção genética dos animais (que é o que criaria diferencial nas necessidades metabólicas de cada espécie de animal reproduzida em cativeiro).

Por fim, em matéria de eficiência e produtividade, levando em conta todas as opções de iluminação disponíveis no mercado atual, o tipo de luz que mais se aproxima da luz natural é a de lâmpadas de vapor metálico (HQIs).

Clique nos links abaixo para ler esta série de artigos na ordem apropriada:

Parte I: http://ricardomiozzo.wordpress.com/2010/09/01/tecnologia-em-excesso-parte-i-desnitrificacao/

Parte II: http://ricardomiozzo.wordpress.com/2010/09/09/fosfatos/

Parte III: http://ricardomiozzo.wordpress.com/2010/09/14/tecnologia-em-excesso-parte-iii-agua-qualidade-movimento-interno-e-trocas-parciais/

Propagação de corais no aquário

with one comment

Há muitos anos, chegamos no ponto em que o aquarismo de corais não é mais mistério, e muitos aquaristas aproveitam o sucesso de seus aquários para procedimentos que já foram exclusividade de hobistas avançados.

 A propagação de praticamente qualquer tipo de coral em cativeiro é uma realidade.

Muda de Acropora recém introduzida no aquário

 Propagar corais no aquário muitas vezes surpreende outros aquaristas, pois há poucos anos, ainda persistia o mito de que corais apresentam crescimento extremamente lento.

Na verdade, como sabemos, corais crescem muito rápido em aquários se o método de manutenção do corpo aquático for adequado.

Crescem tanto e tão rápido, que hoje em dia tem-se que levar em conta a quatidade de corais que se coloca no aquário, pois em curto espaço de tempo a competição por espaço entre os animais faz com que o aquarista tenha que fazer a difícil escolha de qual coral retirar do  aquário a fim de manter o sistema livre de problemas.

Corais da família Acroporidae, por exemplo, apresentam em aquários crescimento igual ou mais rápido que no ambiente natural.

São animais que se desenvolvem muito rápido, e na natureza colonizam de forma pioneira recifes danificados.

Corais duros podem ser propagados e atingir dimensões consideráveis em pouco tempo, em relação ao coral que os geraram. Dependendo da dimensão da colônia-mãe, a muda pode chegar a seu tamanho após apenas um ano do “corte”.

Deve-se, no entanto, observar os seguintes pré-requisitos nas condições físico-químicas da água do aquário para iniciar o processo de propagação controlada:

A temperatura da água deve ser mantida estável.

A gravidade específica da água deve preferencialmente estar o mais próximo possível do da água natural do mar em ambientes de recifes de corais.

A reserva alcalina deve se situar em torno de 2.3 meq/L.

Outra espécie de Acropora', já se desenvolvendo no aquário

Não podem estar ocorrendo casos de infecção bacteriana ou outras doenças que afetem invertebrados.

O animal a ser propagado deve estar na plenitude de sua saúde, já que o trauma imposto pelos métodos utilizados geralmente não são suportados por animais fragilizados.

Após a adequação a estes pré-requisitos, aquarista e animais encontram-se em condições de proceder à propagação.

Métodos

Existem várias maneiras de se obter mudas a partir de corais duros, e entre os métodos praticados por empresas, estudiosos e aquaristas, os mais seguros são;

· Colonização de um novo substrato;

Semelhante ao que acontece na coleta de alguns corais, onde mergulhadores conscientes, diante de colônias muito grandes, colocam pequenas peças que servem de substrato ao seu lado, de maneira a fazer com que alguns indivíduos colonizem-no, tornando mais simples a coleta em mergulhos posteriores.

Muda de acroporídeo já fixada, crescendo sobre a rocha em que foi colocada

O aquarista pode replicar isso colocando um fragmento de rocha viva do próprio aquário (que não contenha algas filamentosas ou marrons, ou, melhor ainda; que esteja coberto por algas calcárias), e colocá-lo ao lado de uma colônia que deseja propagar.

Geralmente essa técnica dá bons resultados com corais duros de crescimento rápido como Acropora spp, Montipora spp, Porites spp, e outros corais que produzem galhos, além de ser possível obter-se excelentes resultados com actinodiscos e zoantídeos.

O momento que o aquarista deve considerar propício para a retirada da muda é quando o coral ou colônia-mãe já cobriu parte da pequena rocha.

O aquarista então deve provocar uma fratura no esqueleto do animal, ou cisão do tecido conectivo, para separá-las.

Animais de maior porte também podem se  beneficiar desse método, mas nesses casos o processo é bem mais lento.

 No caso de corais duros, o corte deve sempre ser efetuado de maneira rápida e decidida, usando uma tesoura forte, bem afiada, alicate de corte ou boticão de dentista.

Um coral do tipo "cérebro" antes de ser fragmentado

O instrumento de corte deve ser esterilizado em forno comum a 120oC por 20 minutos, e não conter traços de ferrugem ou áreas oleosas.

· Estrangulamento de um apêndice

O estrangulamento pode ser utilizado em corais galhados. Estrangula-se um galho ou apêndice do animal com um elástico bem apertado, formando um anel.

Os pólipos se retrairão, e isso não é problema.

Assim que acostumar com a presença do elástico, o animal expandirá seus pólipos novamente.

Esse método é pouco agressivo para o coral, pois muitas vezes ele se expande seus pólipos no mesmo dia em que o elástico foi colocado.

Rapidamente, o elástico penetra no tecido do animal, estrangulando-o e provocando um corte que cicatriza em pouco tempo.

Em alguns dias ou semanas, no local onde o elástico estiver atado, dependendo do coral, pode surgir uma protuberância. Caso isso não ocorra, o tecido rescindirá e tornará a tarefa do corte posterior mais fácil.

· Fragmentação de parte do coral-mãe

O aquarista deve utilizar um instrumento de corte afiado e previamente desinfetada, e cortar o apêndice ou galho rapidamente, num só golpe.

Entretanto, apesar de aparentar fragilidade, alguns corais são mais densos do que parecem (como Pavona cactus, por exemplo).

Pode ser necessário aplicar muita força para tirar uma muda de um coral tão duro (são muitas as espécies de coral que são muito mais duros do que parecem ser) esses corais, e o risco de se dilacerar a colônia toda é considerável.

O aquarista deve estudar atentamente o ponto de corte de maneira que a fratura seja facilitada, escolhendo um local do coral onde hajam dobras ou estreitamentos naturais do esqueleto.

Uma muda de coral já estabelecida, pronta para ser colocada em seu local definitivo no aquário

Isso torna o procedimento mais seguro. O aquarista nunca deve cortar corais galhados no seu sentido longitudinal, pois assim provoca uma área muito grande de cicatrização e o risco de infecções é elevado.

Deve-se procurar não tirar mais de uma muda por vez de cada indivíduo, e que ela nunca seja menor que 3 a 4 cm de comprimento.

A maioria dos corais libera uma grande quantidade de muco quando manuseado, por isso nunca se deve cortar ou manusear longamente um coral dentro do próprio aquário.

O muco pode conter filamentos de “acontia”, que prejudicam muito os outros habitantes do aquário.

O galho deve ser enxaguado em água do próprio aquário para que perca o excesso de muco, e só depois ser fixado a um substrato. O excesso de manuseio pode, inclusive, matar vários pólipos por esmagamento pelos dedos do aquarista.

É importante considerar os cuidados para evitar esmagar os pólipos quando se for fazer a alavanca ou apoio na quebra ou corte de um galho.

Caso a operação seja feita fora do aquário principal, o coral-mãe deve ser reposto no aquário imediatamente após o corte, e liberará ainda algum muco até que o local da incisão cicatrize.

Deve-se evitar o retorno de fluidos resultantes da operação para a água do aquário.

Outra muda de coral já pronta para receber seu local definitivo no aquário

· Corte de Corais de Pólipo Grande

Corais de pólipos grandes que produzam galhos, como algumas variedades de Euphyllia spp., seguem a mesma regra de outros corais galhados.

O único cuidado extra é que nunca se deve cortar o tecido conectivo que liga o esqueleto ao pólipo. Esse tecido é bastante delicado e porta de entrada para uma série de agentes patogênicos, se for machucado.

O procedimento para os corais de pólipo grande, assim como para corais cérebro, requer o uso de um tipo de serra. Pode-se tentar cizalhamento, mas essa operação requer muita prática.

Quanto mais afiada e fina a serra, melhor. O crescimento de corais de pólipo grande é bem mais lento do que os de pólipos pequenos, e por isso a retirada de uma porção de tamanho considerável é recomendada.

Nos corais “cérebro” existe geralmente um distanciamento entre os pólipos, mesmo que em muitos essa distância não seja aparente. O tecido que liga um pólipo a outro será inevitavelmente danificado, e as melhores condições para a recuperação do coral mãe e da muda devem ser providenciadas.

A serra deve ser aplicada de maneira a encontrar o máximo possível de tecido não-polipal, de maneira que o menor número possível de pólipos seja diretamente atingido pelo corte. Serrar até o final é muito importante, ao invés de quebrar o esqueleto por torção depois de se efetuar parte do corte, pois, mesmo morto, o esqueleto sofre risco de  de necrosar em contato com certos agentes patogênicos.

Um belíssimo exemplar de coral "cérebro", muito procurado atualmente, antes de ser fragmentado

O coral deve ser retirado da água, e por isso deve estar com os tecidos bem retraídos. Antes de proceder ao corte do esqueleto, o aquarista pode usar um estilete bem afiado e esterilizado para cortar o tecido do animal e evitar com isso dilacerações provocadas pelo uso da serra.

O novo coral deve receber tratamento semelhante às condições em que estava o coral-mãe antes de ser manuseado, tanto em relação à quantidade de luz quanto movimentação de água. Cuidados especiais devem ser tomados em relação a muco e movimentação de água; qualquer acúmulo de muco ou detrito em qualquer um dos dois pode causar infecções.

Retirar mudas desses tipos de coral  só deve ser feito por aquaristas experientes.

· Separação de um ou vários indivíduos completos de uma colônia

Indicado na propagação de anêmonas coloniais de pequeno porte como zoantídeos ou actinodiscos, onde, devido ao tamanho, torna-se impraticável qualquer tipo de operação.

Nesses casos, além do uso da técnica de colonização de um novo substrato, opta-se pela retirada de um ou vários indivíduos completos da colônia.

No caso dos zoantídeos, a colônia é composta de vários “pés” de zoantus, e a retirada cuidadosa de um grupo deles não causa dano à colônia. O aquarista deve escolher um ou vários “pés” saudáveis, robustos, preferencialmente das bordas da colônia.

Interessante forma de propagar um coral mole usando como base de fixação o esqueleto de um coral cérebro

O coral tocado, mesmo que levemente, começará a encolher. Os pólipos murcham e a colônia expele água. Lenta mas decididamente, o aquarista deve soltar o animal da rocha à qual está fixado. Isso pode ser feito com o uso dos próprios dedos, forçando a base do coral a destacar-se da rocha. Infelizmente, esse método (devido à firmeza com que o animal se fixa ao substrato) é arriscado; se o tecido vivo se romper, pode facilmente ser infectado por bactérias ou vírus, e toda a colônia corre risco de ser infectada e destruída.

Isso não é impossível de acontecer, já que muitas vezes, devido ao muco produzido, tanto o objeto como os dedos do aquarista escorregam, danificando o coral.

Colônias de zoantídeos costumam acumular muito detrito em sua base, e é bom evitar a dispersão desse material. Além disso, é altamente recomendável usar luvas e até mesmo óculos protetores ao manusear muitas espécies de corais, pois eventuais “espirros” de água com material proveniente do animal podem causar sérios danos aos tecidos humanos (principalmente aos olhos).

Essa é uma boa hora para o aquarista sifonar a base da colônia, retirando excesso de material. O aquarista deve procurar retirar grupos isolados de animais. Caso deseje retirar um grupo menor, deve-se, com um estilete afiado e desinfetado, cortar o tecido conectivo entre os grupos.

Zoantídeos de maior porte como Palythoa spp. possuem indivíduos fortemente ligados à base da colônia, o que dificulta em muito a técnica acima; nestes casos pode-se utilizar a técnica do estrangulamento, com um elástico entre os indivíduos forçando sua separação da base da colônia.

Diversos corais obtidos a partir de fragmentos, já estabelecidos no aquário após vários meses de sua introdução no sistema

Na propagação de zoantídeos, assim como actinodiscos, pode-se montar rochas mistas, com várias espécies juntas, fazendo belos arranjos.

O aquarista deve apenas precaver-se quanto à compatibilidade dos vários gêneros.

Zoantídeos têm a característica de formar parte de sua estrutura de suporte usando um pouco do substrato a que se fixam. Por causa disso, é necessário observar que a rocha base do indivíduo separado da colônia mãe deve ser do mesmo tipo em que estava afixado.

· Regeneração Controlada

Assim como anêmonas Aiptásia spp, actinodiscos possuem uma notável capacidade regenerativa, e o aquarista pode valer-se dessa característica para propagá-los.

Para a proliferação de mais indivíduos no mesmo local do pólipo-mãe, pode-se simplesmente cortar uma parte de um pólipo com um estilete esterilizado. Dependendo do gênero, o actinodisco apresenta taxas de regeneração diferentes, portanto o aquarista pode fazer vários testes para definir a melhor maneira de cortar e quais actinodiscos respondem melhor a essa técnica.

Fixação

 Após a obtenção da muda, deve-se ater a dois pontos: o coral-mãe deve ficar em local onde receba boa circulação e iluminação, para que possa cicatrizar o mais rapidamente possível.

A muda deve ser fixada a um substrato, para que seja posicionada em local apropriado no aquário.

No caso de zoantídeos e actinodiscos, uma vez o animal recuperado do processo, pode-se alimentá-lo com mais freqüência e com isso acelerar o estabelecimento de uma nova colônia. Na fixação da muda em substrato, o aquarista deve optar por um fragmento de rocha viva que possua boa cobertura por alga calcária.

Nunca se deve utilizar substrato que apresente algas filamentosas ou marrons.

Existem várias técnicas que auxiliam o aquarista na fixação da muda ao substrato, dentre elas;

· Elástico de látex

Deve-se envolver uma superfície da muda no substrato, de maneira que a área lesionada fique em contato direto com o substrato. No caso de múltiplos animais, o melhor a fazer é passar o elástico entre o tecido conectivo e o substrato. O elástico deve assegurar que a muda não se desprenda, entretanto não deve estar muito tensionado, para não provocar a dilaceração da muda.

· Cola à base de cianoacrilato

Pode ser utilizada cola em forma de gel e de líquido. Colas à base de cianoacrilato (tipo “Super Bonder”) são tóxicas, e sempre devem ser manuseadas com segurança. Deve-se preparar as superfícies cortada da muda e do substrato, secando ambos com toalha macia ou papel toalha para facilitar a aderência. Após aplicar uma quantidade moderada de cola nas duas superfícies, juntá-las firme mas delicadamente.

Isso deve ser feito fora d’água, mantendo-se as duas partes juntas com uma leve pressão por dois minutos. Uma vez unidas, enxaguar bem o fragmento, não o mantendo-o em água “nova”, e não  na mesma água em que estava.

Caso o animal libere muita secreção, deve-se proceder à colagem com o animal de cabeça-para-baixo em relação ao substrato de colagem; isso facilitará a secagem e evitará que cola escorra por cima da muda.

Colas à base de cianoacrilato não são flexíveis, portanto o aquarista deve se assegurar de que a muda não sofra nenhum choque ou torção, pois pode soltar-se do substrato. Certos corais não aceitam muito bem essa colagem e soltam-se após um ou dois dias, inutilizando o processo.

Pode-se combinar o uso de cianoacrilato com elástico ou palito de plástico para assegurar o sucesso do processo.

· Cola à base de epoxy

Existem no mercado aquarístico colas especialmente desenvolvidas para esse fim.

Existem também colas à base de epóxi que não contém amianto em sua composição que podem ser usadas.

Esses materiais ,além de permitir a fixação de mudas de corais de maior tamanho, podem ser utilizadas também na montagem de estruturas ou assentamento de rochas em posições complicadas. São disponíveis em forma de bastonete no qual encontram-se dois compostos que, misturados, ficam prontos para uso.

 Deve-se notar que, como toda cola à base de epoxy, estas também não apresentam alto poder adesivo, e irão funcionar mais como preenchedores de lacunas à qual a muda estará posicionada.

Quando seca, formará um molde do qual a muda não poderá soltar-se. Sua composição permite que o tecido do coral possa colonizar a superfície da massa já endurecida sem maiores problemas, inclusive com o crescimento de algas calcárias sobre as áreas não colonizadas, dando um aspecto natural ao resultado final.

Colas à base de epoxy específicas para uso em aquarismo curam sob a água, liberando calor no processo; isso é normal.

Quando adicionadas ao aquário e antes de completamente curadas, essas colas lançam compostos coloidais na água, que fazem com que o skimmer trabalhe vigorosamente.

Entretanto, segundo os fabricantes, estes compostos não são tóxicos, e uma vez curada, a massa não lançará ou dissolverá composto de nenhum tipo na água.

Na fixação da muda, o aquarista deve preparar uma pequena bolinha de cola e colocá-la no substrato escolhido, e então apanhar a muda, “enterrando-a na bolinha. Em seguida, fazer o acabamento, espremendo a massa nas reentrâncias do substrato e assegurando-se de que a muda está ajustada à massa sem folgas.

Quanto menos manuseio melhor, pois os dedos vão se impregnando de cola, ela seca rapidamente e todo o procedimento pode ser prejudicado.

Muitas vezes o aquarista tem que preparar nova massa, pois a anterior já perdeu toda a aderência. Isso é ruim, pois estressará a muda e o aquarista, prejudicando o resultado final.

Colas à base de epoxy permitem utilizar substrato de fixação de  maior dimensão e colonizá-lo facilmente com vários organismos diferentes, montando rochas mistas de rara beleza.

Entretanto, diante dessa facilidade, aquaristas muitas vezes cometem erros primários de não anteverem o crescimento ou expansão do animal ou colônia, causando danos a estes animais a médio prazo.

Deve-se lembrar do tamanho do coral-mãe e calcular o devido espaçamento entre as mudas para que não ocorra prejuízos no futuro.

Caso seja utilizada em larga escala, durante a cura do epóxi é recomendada uma diminuição da ação do skimmer e o aumento do uso de carvão ativado, de maneira que sejam removidos quaisquer compostos nocivos rapidamente.

O aquarista deve estar atento a não exagerar no uso de epoxy.

Com a prática, perceberá que obtém melhor resultado com uma fina camada de cola do que com uma massa grande e disforme, tanto esteticamente quanto na fixação.

· Redes

Essa técnica pode ser utilizada para fixar actinodiscos, principalmente. Como esses animais apresentam muito pouca consistência e liberam muita secreção, tornando-se escorregadios, fica difícil segurá-los e ainda mais colá-los em substratos.

Para isso, pode-se valer do uso de redes plásticas elásticas de malha bem grande (tipo meia elástica feminina, ou aquele tipo de malha plástica de saco de limão dos supermercados), de aproximadamente 1 cm de vão quando esticada. Passa-se essa rede por sobre um ou, o que é mais comum, vários pólipos ao mesmo tempo, mantendo-os presos ao substrato.

A rede também deve ser fixada, e para isso, o uso de meias elásticas facilita o processo. As mudas de actinodiscos devem ser encolhidas ao máximo, a fim de determinar a malha da rede a ser utilizada.

Com o tempo, a rede pode ser retirada, já que o animal fixa-se com mais aderência à rocha do que à rede.

Cuidados

O tempo que a colônia-mãe e os futuros corais passam fora d’água também é muito importante; quanto menor for esse período, melhor, pois os animais sofrerão menos.

Deve-se evitar tirar mais de uma muda do mesmo coral ao mesmo tempo, para prevenir vários pontos de cicatrização, pois isso potencializa a ocorrência de agentes patogênicos.

Em casos raros, de coral em via de morte, pode-se tentar propagá-lo em várias mudas para poder descartar o tecido comprometido.

Como em casos assim não há escolha, deve-se tentar salvar o que sobrou do coral cortando apenas o tecido não afetado e fixando as mudas a seguir.

Montipora spp, espécie de fácil propagação em aquários a partir de fragmentos

Deve-se prestar muita atenção à higiene necessária no uso de todas as ferramentas e apetrechos utilizados no processo.

Conclusão

A propagação com objetivo de trocas entre aquaristas tem a característica de manter em vários aquários espécies interessantes ou raras, de maneira que o risco de perda dessa espécie para o aquarismo se torne diluída. Em caso de acidente, o aquarista saberá que uma determinada espécie pela qual tenha grande apreço está segura, mantida por um aquarista amigo.

De todas as formas que se encare a propagação em cativeiro, portanto, pode-se verificar grandes vantagens aos aquarista.

Além disso, a propagação de corais e outros animais em aquários é uma das formas de se evitar pressão no ambiente natural por conta de coleta excessiva. Mesmo contando com regulamentação rígida imposta por diversos países em relação à manutenção e coleta de animais, infelizmente ainda existe muita coleta ilegal.

A propagação controlada é uma alternativa excelente para todo o mercado aquarístico, e, quando bem executada, evita ainda problemas decorrentes de animais coletados no ambiente natural que podem ser portadores de  agentes patogênicos prejudiciais quando introduzidos inadvertidamente em aquários.

Aclimatação e tratamentos para peixes marinhos

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Peixes marinhos recém importados podem apresentar problemas em relação à sua aclimatação e adaptação a aquários.

O intuito deste artigo é resolver alguns problemas a respeito de como aclimatar e eventualmente tratar peixes recém importados, adquiridos em lojas ou recebidos por outra via qualquer.

O mesmo procedimento aqui colocado pode ser levado a cabo pelo aquarista quando compra um peixe em qualquer loja. Basta apenas adequar os volumes de água considerados.

 Bateria” de lojas ou em casa

Normalmente, as lojas recebem peixes dos importadores.

Para manter seus animais em boa condição, deve-se ter em mente alguns pré-requisitos, considerando a natureza desses animais.

Para atingir um ponto razoável de manutenção, é necessário ter aquários de água salgada com algumas características.

São elas:

A água onde se soltarão os peixes após a aclimatação deve ter a melhor qualidade possível. Para tanto, é preferível que a água seja “nova”. Por água nova entenda-se água preparada com sal sintético e filtrada por osmose inversa ou água natural do mar previamente tratada com préfiltro micrônico e mínimo de três dias passando por filtro UV, e que tenha recebido menos do que três “cargas” de peixes. (Além disso: em que se tenha efetivado troca parcial de água mínimo de 50% a cada “carga” de peixes recebida.)

Ou seja; a cada vez que um determinado corpo de água recebe peixes, mesmo que perfeitamente aclimatados, ocorre na água liberação de diversos compostos líquidos e sólidos.

As tentativas de adaptação dos peixes ao alimento oferecido pelo lojista também concorrem para poluir a água.

Água transparente está longe de ser sinônimo de água limpa.

A água deve ter pH estável em torno de 8.0 e densidade de 1.020 a 1.025.

Os nitratos e fosfatos devem estar o mais baixos possível, e absolutamente não deve haver amônia/amônio ou nitritos detectáveis.

Deve haver excelente movimentação de água no aquário, pois isso ajuda a oxigenar a água e mantê-la estável em relação ao pH.

Devem existir compartimentos no aquário hospital ou bateria, a fim de proteger espécies de peixes que podem ser atacadas por outras( se houver mais do que um peixes sendo quarentenado ou tratado ao mesmo tempo).

O aquário deve ser meticulosamente limpo, de preferência todos os dias. Caso exista um compartimento de filtros inferior (sump), é necessário que também seja muito limpo.

A esse aquário, chamamos “bateria” (ou aquários hospital domésticos), termo que passaremos a utilizar a partir deste ponto.

Uma observação; lojas deveriam ter aquários hospital.

É muito melhor tratar peixes em aquário hospital em local reservado, com pouco movimento de pessoas para evitar ainda mais estresse a que o(s) peixe(s) já está(ão) sendo submetido(s) por conta da doença. 

As dimensões e quantidades de baterias podem afetar o resultado final, pois soltando-se peixes de uma mesma carga em mais do que uma bateria dilui o risco de apenas um peixe infectar todo os outros. O ideal é ter mais de uma bateria e, além delas, um aquário hospital.

A bateria precisa forçosamente ter um sistema de filtro “biológico” eficaz, pois recebe grande carga biológica de tempos em tempos. Passa  do estado de praticamente vazia a cheia de animais em apenas 24 horas, por isso o processamento de poluentes, sem que possa haver sobras ou picos de NH3/NH4 e NO2, tem que ser rápido e eficaz.

Deve-se usar potentes fracionadores de proteínas (skimmer) em baterias. Seu uso só traz vantagens, pois remove poluentes da água antes do processo de mineralização ocorrer, facilitando muito o trabalho do filtro biológico.

 Aclimatação

Aclimatação é o processo de tirar o peixe de sua embalagem e colocá-lo na bateria. Esse procedimento deve ser feito cuidadosamente e o sucesso com os peixes pode vir exatamente desse ponto.

Os peixes passam por longas viagens até chegarem às lojas, e isso afeta seu metabolismo e a própria água onde estão embalados. A melhor maneira de adaptá-los novamente às condições padrão da água do mar será relatada a seguir. São necessários alguns itens a fim de fazer esse serviço.

1 – Balde ou outro recipiente de plástico atóxico muito limpo

2 – Tamponador marinho pH 8.0

3 – Aquecedor de água com termostato

4 – Água doce filtrada por osmose inversa seguido ou não de deionisador

5 – Pequena bomba submersa ou compressor de ar

Antes dos peixes chegarem, uma quantidade de água deve ser preparada no balde, pois ali eles receberão um banho rápido. Por isso, antes do banho eles já estarão aclimatados à água da bateria.

Coloca-se a água no balde, liga-se o aquecedor para a mesma temperatura da  água da bateria e coloca-se a bomba ou compressor para trabalhar no recipiente. Adiciona-se tamponador até a água atingir o pH adequado.

Geralmente, pouco tamponador resolve o problema, pois a água do filtro de RO não possui dureza alguma. Deixar o balde/recipiente em local de fácil acesso, pois será usado imediatamente após a aclimatação.

A aclimatação:

Os peixes devem chegar embalados um a um, e reunidos num recipiente apropriado, preferencialmente raso.

Solta-se os peixes juntos até atingir uma densidade de não mais de um peixe para cada dois litros de água. Eles devem ser soltos no balde/recipiente com mesma água em que foram embalados. Deve-se tomar muito cuidado para não misturar água “esbranquiçada” que venha com qualquer peixe à água dos demais. Se um peixe estiver em água esbranquiçada dentro do saquinho, deve ser cuidadosamente removido da embalagem e colocado com os outros diretamente no balde/recipiente. A água esbranquiçada deve ser imediatamente descartada.

Coloca-se no recipiente uma pedra porosa ligada a um pequeno compressor de ar. Isso ajuda a misturar a água e enriquecer o teor de O2 da água.

Efetua-se teste de pH na água em que os peixes chegaram.

Uma mangueirinha de água que colete água da bateria deve ser instalada e, com um regulador de ar de plástico, a água que corre pela mangueirinha deve verter aos poucos na água em que os peixes estão soltos.

A cada 5 minutos, novo teste de pH deve ser efetuado na água em que estão os peixes. O pH deve subir bem lentamente, à  taxa de 0,1 pH a cada 5 minutos.

Se o pH estiver consistentemente baixo, deve-se aumentar um pouco o fluxo de água da mangueirinha para o recipiente dos dos peixes.

Se estiver subindo rápido demais, deve-se diminuir o fluxo para evitar choque de pH. Dependendo da diferença de pH entre a água dos peixes e a da bateria, o processo pode ser demorado. Paciência é a palavra chave, pois esse momento é crucial.

Quanto melhor for feita a aclimatação, melhor os peixes responderão, começando a aceitar alimento mais rapidamente e se adaptando melhor ao aquário.

A cada vez que se observar que o volume de água no recipiente onde os peixes estão sendo aclimatados aumentar em 40 a 50%, deve-se retirar o excesso e manter o volume de água original. Isso evita que a aclimatação demore tempo demais por causa do maior volume de água do recipiente.

Quando a água do recipiente que contém os peixes estiver em pH 8.0, os peixes podem passar por um rápido banho de água doce de até 3 minutos, com exceção dos pequenos demais e algumas espécies que não toleram esse procedimento. Peixes com menos de 4 cm devem ficar no banho por período máximo de 2 minutos.

 Tratamentos

Existem basicamente dois tipos de remédios eficazes para peixes de água salgada. Um deles é Quemicetina (Cloranfenicol). Toda vez que peixes aparecem com manchas grandes brancas pelo corpo, ou apresentam as nadadeiras recolhidas, dando a eles aspecto “murcho”, devem ser recolhidos para o aquário hospital e iniciado o tratamento.

Prestar atenção aos sinais que o peixe apresenta é muito importante, pois o antibiótico trata o peixe contra bactérias, e em condições de aquário elas se reproduzem com muita velocidade.

Num aquário de 150 litros, pode-se dosar 500 Mg de Quemicetina durante 7 dias.

Os peixes normalmente se apresentam bem melhor que inicialmente em menor período, mas é importante fazer o tratamento até o fim. Peixes palhaço se beneficiam especialmente desse tratamento, pois os problemas que esses peixes mais apresentam está relacionado a uma bactéria. O tratamento impede que o peixe seja comercializado imediatamente após chegar, mas garante sua sobrevida.

É muito comum que palhaços só apresentem sintomas de infecção por bactérias até mesmo alguns dias após chegarem, por isso é importante tratar - mas apenas se aparecer algum sintoma.

Bacteremias podem ser sinal de enfraquecimento do sistema imunológico do peixe por decorrência de infecção parasitária pré existente. Os cuidados com animais nesse estado devem ser redobrados, pois tratá-los contra parasitismo e bactérias ao mesmo tempo é complicado.

Se o animal adquirido apresentar sintomas de infecção bacteriana e já estiver no aquário, deve ser removido para o tratamento. Nunca se deve dosar qualquer remédio no aquário. 

O outro produto é à base de sulfato de cobre. Como exemplo, existe o “Cupramine”.

1 – Na bateria de peixes nacionais tudo deve estar limpíssimo e com temperatura de 28oC aproximadamente.
2 – Usar Cupramine e um teste de cobre eficiente para não superar a concentração de remédio na bateria (ou aquário hospital), nem deixar que ela caia abaixo do necessário (cerca de 0,3ppm CuSO4).
3 - Nunca usar rede para pegar o peixe doente pois ele pode se machucar ainda mais no processo.
4 – Preparar um recipiente limpo e de material inerte com água doce filtrada por osmose inversa a 28oC. Tamponar a água para que ela fique com pH 8.0 ou um ligeiramente acima. Antes de colocar o peixe na bateria assim que ele chega na loja (ou no aquário assim que ele chega da loja), deve-se dar um banho de água doce de 2 minutos no peixe, nesse recipiente. Isso fará com que a maior parte dos parasitas que estão no corpo dele se desprendam. Provavelmente ele chegará ao ponto de “deitar” no fundo do aquário e parecer que morreu.
5 – Retirar do recipiente e passá-lo para a bateria (ou aquário).
6 – Pingar lentamente 50% da dose recomendada na bula do remédio para o volume de água da bateria ou aquário hospital (Nunca dosar remédio no aquário!!!).
7 – Esperar 30 minutos e efetuar outro teste de Cobre.
8 – Se o nível de CuSO4 estiver abaixo de 0,3ppm, pingar mais 1/4 da dose recomendada.
9 – Esperar mais 30 minutos e repetir o teste.
10 – O tempo entre as dosagens é necessário para que o produto dissolva na água não se erre a mão provocando superdosagem inadvertidamente, o que provavelmente mataria o(s) peixe(s).
11 – Verificar diariamente a salinidade e temperatura da bateria (ou aquário hospital).
12 – Efetuar testes de Cobre diariamente na bateria (ou aquário hospital).
13 – Oferecer alimento da melhor qualidade possível em pequenas doses para os peixes. Se eles não comerem, retirar o alimento da bateria depois de 10 minutos.
Por fim, acompanhar o tratamento com o máximo de dedicação possível.

Uma vez por ano, é recomendável promover o que chamamos de “vazio sanitário” na bateria.

O processo é simples:
Deixa-se a bateria (ou aquário hospital) sem nenhum peixe por um mínimo de 30 dias.
Ao final desse período, troca-se 100% da água. de uma vez só, mesmo.
Depois de 3 dias, recomeçar a colocar peixes.

Aplicando a dosagem indicada, o resultado é muito bom em quase a totalidade dos casos, combatendo parasitas nos peixes.

Curiosamente, existem peixes que se dão melhor e outros que respondem mal a certo tipo de remédio. Peixes que não recebem bem tratamento à base de cobre: Mandarim, Lionfish, Wrasse, Coris, tubarões, palhaços pequenos e gobídeos.

Uma última palavra sobre o aquário hospital; ele deve ser totalmente limpo e sua água extinta a cada tratamento com cobre ou antibiótico.

Para fazer isso, o filtro biológico deve ser removido e mantido funcionando em um balde de água com água do próprio aquário.

O aquário deve passar por limpeza meticulosa; se preciso, lavando-o todo com água doce, assim como todos os equipamentos usados. Depois disso, pode ser enchido com água e colocado para funcionar novamente.

Uso de “filtro Ultravioleta”

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Existem aquários em que é preciso tomar alguma providência a respeito de superpopulação, agentes infecciosos especialmente resistentes, ou algum parâmetro químico-físico da água. Uma das opções disponíveis é o filtro por ultravioleta. Um aparelho desse tipo funciona fazendo a água passar em torno de uma lâmpada que emite radiação ultravioleta, fatal para agentes infecciosos, algas, e outros potenciais perigos para o aquário. O fluxo de água e a capacidade do filtro são determinantes para o sucesso no uso desse tipo de aparelho.

Naso vlamingi, peixe que pode se beneficiar com o uso de filtro UV no aquário por conta da eliminação de eventuais agentes patogênicos na água proporcionada por esse tipo de aparelho

Basicamente,existem dois tipos de filtro de UV. Um deles faz a água entrar em contato direto com a lâmpada. O outro tem um tipo de luva que envolve a lâmpada UV (que deve ser de quartzo, pois luvas de vidro comum filtram os raios UV emitidos pela lâmpada, resultando em inutilidade total da aplicação do aparelho), portanto a água não entra em contato com a lâmpada. Esse tipo de filtro UV é mais caro por causa da luva de quartzo, e, afirmam muitos especialistas, mais eficaz do que o outro. O argumento a favor dos filtros com luva é que para a lâmpada UV emitir luz no espectro desejado, precisa funcionar a uma determinada temperatura, e a luva serve exatamente para não deixar a lâmpada trabalhar fora dessa temperatura. A lâmpada funciona na temperatura exata para a qual o filtro foi construído, emitindo UV mais eficaz. É fundamental manter a luva de quartzo limpa para evitar que a emissão de luz UV da lâmpada não seja prejudicada por sujeira acumulada na sua superfície.

Filtrar um determinado corpo de água significa livrá-lo de algo indesejável, tornando-o de acordo com os parâmetros químico-físicos desejados.

Para atingir esse ponto, temos que levar em conta a velocidade com que a água passa pelo filtro, qual sua capacidade de filtragem e comparar esses dados ao volume de água a ser processado.

P. Escobal, em seu livro em inglês “Aquatic Systems Engineering” (1996), permite-nos calcular, por intermédio de uma fórmula simples, em quanto tempo se pode processar toda a água de um aquário em determinado aparelho (bomba ou filtro), bastando para isso saber:

1) O volume do aquário (V)

2) A velocidade de processamento (B) do aparelho para obtermos quanto tempo levará para filtrar 99,99% da água do aquário.

Obs: Filtrar 99,99% da água é um dado atingido de acordo com cálculos apresentados pelo autor, que não fazem parte do escopo deste artigo, que assume o pressuposto de que filtrar 99,9% da água é mais do que suficiente para os propósitos do hobby. Para filtrar essa quantidade de água, Escobal chegou a um fator de 9,2. Na fórmula abaixo, temos:

T = 9,2 x (V/B)

T dará o tempo em horas que o aparelho utilizado gastará para processar 99,9% da água do aquário, permitindo uma base sólida para calcular qual tipo de aparelho usar em relação a seu consumo (filtros UV são vendidos com “capacidade” em Watts. Watt é medida de consumo, e não de potência), à sua potência e produção de agentes esterilizadores.

Exemplo 1: Um aquário de 1000 litros é processado por uma bomba de recalque trabalhando a 3000 litros de água por hora.

Quanto tempo a bomba demora em processar 99,9% da água do aquário ?

Utilizando a fórmula acima, temos: T = 9,2 x (1000 / 3000) T = 3,06 horas, ou, na prática, 3 horas. É importante levar em conta o fluxo real do aparelho considerado, e não o dado citado na caixa da bomba pelo fabricante. A maior parte dos fabricantes apresenta no rótulo vazão da bomba a 1 pé de altura. Por isso, e como cada montagem de aquário tem suas particularidades, é possível obter dado confiável apenas se o volume correto que a bomba apresenta seja considerado.

Esquema de uso de filtro por emissão de luz no espectro ultravioleta

O diagrama acima mostra uma bomba que leva água para dentro do filtro UV por meio de uma mangueira. A outra ponta da mangueira deve ficar submersa, pois se houver falta de energia elétrica, o filtro não fica vazio. Isso impede que a lâmpada queime quando a energia elétrica voltar. A medida necessária para eliminar o organismo desejado é dada em Microwatts por segundo por centímetro quadrado.

Bactérias são eliminadas entre 3.400 e 22.000 Mw/S/cm2; vírus, entre 6.800 e 440.000 e protozoários entre 6.600 e 200.000.

Com esses números, pode-se assumir que uma dose em torno de 50.000 Mw/S/cm2 é suficiente para eliminar a maior parte dos organismos indesejáveis da água de um aquário.

Por exemplo; Para eliminar um tipo de organismo que exige dose de 60.000 Mw/S/cm2 em um aquário de 750 litros, é necessário um filtro UV de 64 watts por onde a água passe à taxa de aproximados 990 litros por hora. Usando a fórmula apresentada para cálculo de tempo de fluxo apresentada no início deste artigo, teremos: T = 9,2 x (750/990) T = 6,97 ou quase uma vez a cada sete horas.

Considerando uma taxa razoável de eliminação de organismos indesejáveis a passagem de duas vezes o volume do aquário pelo filtro de UV a cada 24 horas, pode-se ligar à unidade UV um timer que a faça funcionar por 14 horas diárias, fazendo com que a lâmpada chegue a durar cerca de 40% a mais do que duraria se ficasse ligada o dia inteiro. Pode-se considerar, também, o uso de dois aparelhos de 30 watts, e aumentar em uma hora o tempo de funcionamento por dia para compensar a pequena diferença de 4 watts entre o consumo do aparelho de 64w e dos dois de 30w.

B. conspicullum, extremamente valorizado no hobby por seu extraordinário colorido. Não é, no entanto, uma espécie de peixe aconselhada para aquários que tenham moluscos e outros tipos de invertebrados que fazem parte de sua dieta rotineira.

Os cálculos tornados possíveis com o uso dessa fórmula facilitam a escolha do filtro correto, sendo muito importantes para “baterias” de lojas e quarentenas ou aquários hospitais.

Verificar com exatidão o fluxo real de água que passa pelo filtro é muito importante. Uma das maneiras mais simples de fazer isso é colocar um saco plástico vazio na saída da bomba de recalque do aquário, medindo o tempo que ela demora para enchê-lo. Colocando a água num recipiente que marque o volume, obtém-se resultado de forma simples. Multiplica-se o volume de água pelo tempo em segundos que passou até o saco plástico ficar cheio. Após o número obtido para litros por hora, é obtido o fluxo verdadeiro que a bomba está proporcionando. Esse dado é fundamental para que se possa aplicar a fórmula acima apresentada (usando posteriormente o mesmo valor) para chegar ao filtro UV e ao fluxo de água necessários ao sistema.

O uso apropriado dos cálculos apresentados neste artigo é fundamental para atingir os resultados necessários com o uso de filtro UV.

Deve-se levar em conta, porém, que filtrar a água usando um aparelho desse tipo tem como finalidade apenas esterilizar o corpo aquático desejado, tornando-o menos propenso a problemas nos organismos habitantes do aquário.

Filtro por ultravioleta não é remédio, mas medida profilática.

Não se deve usar filtro UV nas seguintes condições:

1 – Tratamento contra parasitas com remédio à base de cobre – apenas em aquários do tipo bateria de loja ou hospital – Jamais se deve dosar qualquer remédio no aquário, de qualquer natureza ou composição química.

2 – Tratamento com antibiótico para combater bactérias. O uso de medicamentos é prejudicado pelo filtro UV porque a radiação do filtro destrói o remédio na água, neutralizando sua aplicação. O uso de filtro UV para eliminar da água agentes agressivos aos habitantes do aquário é extremamente benéfico. A aplicação do filtro correto à necessidade de cada sistema é importante para que se use o aparelho adequado.

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